Tesão à vista

A janela do vizinho está aberta e ele trocando de roupa. Você não resiste e dá uma espiadinha, nem que seja escondida atrás da cortina. Excitante, não? Fique sabendo que essa prática chama-se voyeurismo e tem uma legião de adeptos.
por admin

Quem nunca olhou pelo buraquinho da fechadura que atire a primeira pedra. Estimulados pela curiosidade ou mesmo pelo tesão puro e simples, todo mundo já esticou o olho para ver não-sei-quem trocando de roupa, já conferiu a depilação da amiga no vestuário ou, pelo menos, já gastou mais de três segundos observando o amasso de um casalzinho no canto da boate. Olhar é bom e a gente gosta, gosta tanto que até fica com tesão. Daí surgiu a expressão voyeurismo, do francês voir, que significa ver. Voyeur é quem se excita em ver outras pessoas peladas ou praticando sexo. A prática não é novidade nenhuma: pergaminhos japoneses do século VII já faziam referência a um concurso de tamanho de pênis, em que as mulheres da corte ficavam espiando a performance das concorrentes por detrás das cortinas. Hoje em dia, com programas de televisão apimentados e sites pornôs, o voyeurismo se tornou algo muito mais comum. Basta dar aquela espiadinha, como diz diariamente o Bial, ao apresentar o líder de audiência Big Broher Brasil - mais voyeur, impossível!

Falando em BBB, deu o que falar a cena que mostrou um casal de participantes se conhecendo mais profundamente por debaixo do edredon. Todo mundo queria ver. O músico Rodrigo P. virou telespectador assíduo do programa desde então, esperando assistir à cena parecida. "No programa atual não rolou nem um beijinho ainda, mas adoro ver as popozudas da casa se ajeitando na frente do espelho, ajeitando os peitos no decote ou tirando a calcinha do bumbum", relata Rodrigo. Enquanto os casais não se formam no ar, o músico se satisfaz apreciando suas musas no chuveiro através do site oficial do programa. “Tem uma câmera que fica ligada direto no banheiro. É só esperar e as meninas vão se refrescar. Eu não agüento! Elas passam a mão por dentro do biquíni para lavar as partes íntimas. É muito excitante”, revela Rodrigo, que vai pagar o pay-per-view para exercitar seu voyeurismo por vários ângulos.

Seguindo a moda antiga, tem gente que prefere espiar o vizinho da frente, no maior estilo “Janela Indiscreta”. Moradores de grandes centros urbanos, onde os prédios são colados uns nos outros, acabam vendo mais do que o permitido como a designer Inês G. “Mesmo sem querer, toda vez que abro minha cortina posso acompanhar a vida íntima da vizinhança inteira. Tem de tudo: desde casal de velhinhos vendo TV, até homens passeando pelados pela sala de jantar. Acho que eles fazem de propósito e eu olho mesmo”, confessa Inês, que concorda com o ditado que diz que olhar não arranca pedaço. “Já peguei até gente se masturbando de janela aberta. Nesse caso, só me restou fazer o mesmo”, conta a designer, que não gosta do termo voyeur por considerá-lo pesado para um hábito que para ela é saudável e dentro da normalidade.

Entre os voyeurs assumidos, há os que curtem ver as próprias mulheres na cama com outra pessoa – seja esta do sexo feminino ou masculino. O administrador Marcos D. é casado e adepto dessa prática. “Compramos uma webcam e conhecemos pessoas interessadas e interessantes pela internet. Escolhemos um par para minha esposa com quem ela tenha algum tipo de afinidade e marcamos um drink. Conversamos um pouco ao vivo e se houver clima, partimos direto para um motel. Chegando lá, eu sento numa poltrona em frente à cama e fico só olhando”, revela o administrador. Mas vem cá: dá pra administrar isso tudo numa boa? Não bate ciúme? Marcos assegura que não. “Eu sei que ela é minha e nos amamos loucamente. Me dá mais tesão ver ela sendo tocada por outras mãos, ver como ela se comporta, como se exibe pra mim. Depois que acaba, vamos pra nossa casa e ela faz mais gostoso ainda comigo”, diz Marcos.

Mas por que motivo as pessoas sentem tanto prazer somente em ver outras pessoas em práticas sexuais ou simplesmente tirando a roupa ao chegar em casa depois de um dia cheio de trabalho? Para responder essa pergunta, falamos com o sexólogo do Instituto Paulista de Sexualidade Oswaldo Rodrigues. “O sentido da visão é de grande importância para a evolução do ser humano, portanto, facilmente utilizável para trazer o componente de excitação sexual”, afirma ele, acrescentando que mais homens do que mulheres sentem-se estimulados sexualmente ao o olhar os outros em situações instigantes, por questões históricas e sociais. “As formas mais adequadas e socialmente permitidas para a prática do voyeurismo são os shows  eróticos, onde se pode olhar sem incomodar, já que o outro está ali para ser visto. Reality shows, como o Big Brother, trazem uma nova forma de exibicionismo com voyeurismo associado, de modo socialmente adequado e legal. Muitas pessoas que nunca sentiram esta forma de desejo ou excitação podem experimentar e, gostando, passar a realizar estes atos com freqüência. Se o fizerem de forma adequada à realidade, perfeito; se fizerem infringindo padrões legais e morais, temos um problema”, esclarece o sexólogo.

Dentro de casa, a situação fica feia quando o voyeur deixa de procurar o parceiro porque prefere fica espiando a vida alheia. “A inibição do desejo sexual é devida a um desvio de objeto, ou seja: o marido sente prazer em ver outras pessoas e não tem desejo pela própria esposa. Nesse caso, há necessidade de tratamento profissional”, finaliza. Em outras palavras, a “espiadinha básica” que o Bial tanto fala está liberada, desde que, no final do programa, você seja toda olhos, ouvidos, boca e mãos do seu namorado, marido, amante...

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