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Urgências e conexões. É isso que o filme “Shame” (Vergonha em português) retrata. Dirigido por Steve McQueen, o polêmico longa-metragem conta a história de Brandon (Michael Fassbender), um típico macho-alfa contemporâneo que, em meio a uma infinidade de tentações e possibilidades, não consegue encontrar equilíbrio no limite entre a liberdade de consumo desenfreado e o vício em sexo.
A revista semanal Newsweek, que escolheu o filme como abordagem da sua matéria de capa sobre o tópico “obsessão sexual”, afirmou que o problema tem atingido números recordes nos EUA e que já pode ser visto como uma epidemia. Em entrevista à revista, o diretor relatou que antes, como a maioria das pessoas, ao escutar sobre o problema ele ria. No entanto, depois de conversar com doentes e frequentar grupos de apoio durante pesquisa, ele se convenceu do contrário. “As histórias que ouvi eram muito devastadoras. Não é como o alcoolismo ou a dependência química, na qual há uma afinidade entre elas. É quase como a Aids era vista no passado. Ninguém quer lidar com você. Você é estranho, quase um demônio. O estigma continua ali”, explicou.
Para o psicólogo do Instituto Paulista de Sexualidade, Oswaldo Rodrigues, o problema não está no sexo em si, mas sim na forma com que ele é visto e exercido. Ou seja, é preciso identificar se ele está sendo usado como uma válvula de escape para outros problemas. "Quanto mais áreas estiverem prejudicadas pelo exercício de atividades sexuais que se tornaram prioritárias, o comportamento sexual passa a ser visto como compulsivo. Porém, somada à falta de controle, passamos a compreender este comportamento como doentio", explica o médico.
Outra grande polêmica acerca do filme são as cenas de nudez frontal de Fassbender. O que gerou frenesi entre os espectadores, na verdade, é um exagero para o ator. "Metade de nós temos um pênis e a outra metade provavelmente deve ter visto um, então por que é mais normal arrancar a cabeça das pessoas e vê-las baleadas? Isso significa que isto é mais aceitável ou próximo de nós como seres humanos?", questionou o galã.
“Shame”
Apesar de ser taxado como “pornô leve” por alguns críticos, a trama é um pouco mais densa do que isso e, apesar de uma forte carga erótica, mostra um solitário e viciado em sexo, que se vê refém dos seus próprios desejos ao ter que colocar aprender a dominar suas necessidades imediatas. Um verdadeiro anti-herói ou, como o próprio McQueen disse em coletiva, “uma pessoas não muito diferente de nós”.
Com uma vida bastante privada e moldada para se adequar no seu vício, o personagem se vê encurralado em labirinto particular ao ter que readaptar sua rotina por causa da inesperada visita de sua irmã Sissy (Carey Mulligan), uma jovem problemática, carente e igualmente solitária que tentará estabelecer um laço afetivo entre eles. Desnudar a sexualidade e mostrá-la como um fardo não é fácil, mas McQueen faz isso com maestria. A luz e câmera transformam o peso do filme em uma experiência sensorial devastadora.
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