Sexo seguro > Prevenção e cuidados

Andar prevenido é a melhor - e deveria ser única! - opção
por admin

Raul Marinho ressalta que há uma diferença, no entanto, entre sair prevenido para um encontro casual ou primeiro encontro, e sair com uma paquera já conhecida. "O cidadão fica com aquele papinho besta de que é só brincadeira e quando a mulher viu, já foi. Coisa que não dá pra fazer com camisinha, pois ficaria óbvio que iria rolar mesmo, entende? Agora, se você combina de sair, já rolou uns amassos antes, você sabe que deverá rolar, aí você sai prevenido, sacou?". Raul cita ainda outros motivos pelos quais não é fã de camisinha na carteira. "Ela esquenta, amassa e acaba estragando, além de fazer muito volume".

Na contramão, o jornalista carioca Bernardo Tabak, 35 anos, diz não apenas ter um estoque de preservativos no bolso, na pasta, no porta-luvas do carro, na gaveta do armário, como adorar mulher prevenida. "Acho ótimo!!! E ainda mostra que ela gosta de sexo e sabe que pode acontecer a qualquer momento, o que a torna mais sensual já que ela reconhece e assume sua sexualidade!".

Acho que o homem ainda não se garante. Ele tem medo da mulher que se apresenta como um ser humano que gosta tanto ou mais de sexo que ele. O mundo é machista ainda, mas está melhorando, principalmente porque as mulheres não querem machos ao lado delas

Mas Tabak concorda que a sua forma de encarar a questão não é unânime. "Acho que o homem ainda não se garante. Ele tem medo da mulher que se apresenta como um ser humano que gosta tanto ou mais de sexo que ele. O mundo é machista ainda, mas está melhorando, principalmente porque as mulheres não querem machos ao lado delas, mas homens que saibam ser verdadeiros representantes do gênero masculino sem deixar de prestar atenção e tentar entender o outro gênero, o feminino. Quando o homem relaxar e entender que ela quer tanto quanto ele, os dois vão se dar muito melhor e ele vai poder satisfazê-la e se mostrar muito mais na cama".

Dificuldade de colocar

Um momento de grande tensão que as mulheres não sentem na pele, mas que deixa muito machão desconfortável, é o exato minuto de embalar o melhor amigo. "Colocar a camisinha exige certa habilidade, colocá-la ao contrário exige uma nova", observa Zanetti.

"A maioria das mulheres não sabe 'jogar' com isso de ajudar o parceiro a pôr, aí fica o homem sozinho tendo que fazer isso. É muito mais legal quando a parceira ajuda, mas é muito difícil achar mulher assim", reclama Rafael Paulus. E sugere: "As mulheres deveriam experimentar a camisinha feminina uma hora, talvez sintam algo similar ao que os homens sentem".

Diminui o tesão

- mas por incrível que pareça, nenhum dos entrevistados mencionou este quesito como o principal motivador da relutância em usar camisinha. Será que, se as mulheres fossem mais solidárias no ato de colocar o preservativo, como sugeriu Rafael Paulus, aumentaria a pré-disposição dos rapazes para a prevenção? Fica a questão para debate. "A camisinha diminui o tesão, não há o contato sexual do casal, pele a pele, aquele contato do beijo, do toque etc. Aquele calor, na hora H, desaparece, diminui a sensibilidade", reclama o gaúcho Fernando Zanetti.

"Depois que eu descobri a camisinha extra-large, minha vida mudou e isso faz uns quatro ou cinco anos. É bem melhor, mesmo para um cara normal", destaca Raul Marinho. Mas ele não perdoa: "É péssimo, atrapalha muito a sensibilidade, o clima, tudo. Não adianta querer dourar a pílula, mesmo a XL é muito ruim. Eu acho que é aí que a propaganda peca. Na prática, camisinha só não é pior que pegar Aids". E conclui: "Você pode viajar de ônibus ou de Mercedes, e chegar no lugar de qualquer jeito... mas não adianta falar que é a mesma coisa, porque não é".

Marinho, que iniciou a vida sexual antes do surgimento da Aids, acredita que é mais fácil doutrinar um jovem a usar camisinha do que alguém que já passou dos 40 anos. "Nos idos 1980, ninguém nunca usava, já que o pior que poderia acontecer era ter que tomar uma bezetacil. Rolava um estresse com gravidez, mas não havia o hábito do preservativo. Eu usei camisinha pela primeira vez na vida com uns 20 anos... E, a propósito, era bem pior, bem mais grossa do que as de hoje em dia".

O consultor paulista tem razão: as camisinhas evoluíram, e muito! E não apenas no quesito segurança X sensibilidade, mas também na variedade de opções. É possível encontrá-las em diversas cores, tamanhos, texturas e até sabores! Sexo é cumplicidade, tesão é conseqüência. Talvez uma alternativa para unir prevenção e prazer seja tornar a seriedade do momento um pouco mais lúdica. Rafael Paulus dá o toque: "Gosto de testar as com aromas porque é melhor, fica o cheirinho". E você, já experimentou inovar?

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