Conde_Eliel comentou:
07/12/2011 | 15:08
Vou postar aqui a mesma resposta que dei para uma amiga em seu blog:
Pois bem... Eu acho essa questão bem delicada, pois existe aí uma fragilidade nos laços humanos. Quem já leu Zygmunt Bauman já imagina a complexidade dessa problemática, no que ele se refere como "amor líquido". É possível ter segurança numa relação sólida? É possível ser feliz nas "relações de bolso"? Aquelas em que você usa e depois guarda quando não mais precisa e torna a pegá-la de novo em outra ocasião oportuna? As pessoas têm - com muita frequência - procurado deixar as portas do coração escancaradas, justamente por achar que cada relação sexual ou amorosa seja melhor que a outra e que cada vez podemos adquirir mais experiência. Essa liquidez, onde as relações são na verdade conexões fragilíssimas, em que você se desconecta embasado no discurso de uma insegurança na inviabilidade de solidificar os laços humanos, pode ela romper com as tradições? Seria essa liquefação e escoamento dos sentimentos a resposta para o mal-estar da pós-modernidade?
Eu acredito que um sexo casual chamado erroneamente de "fazer amor" pode ser considerado um atributo potencializador desse amor líquido, que ao contrário da praticidade que se afirma atualmente, na verdade nos dá a nítida sensação de bolsos vazios, de intenso abalo na seguridade dos emparelhamentos amorosos a longo prazo.
Acreditem, Bauman é um realista. Ele nos provoca quando elenca que "nenhuma união de corpos pode, por mais que se tente, escapar à moldura social e cortar todas as conexões com outras facetas da existência social".
O homem reflete sua existência, não de forma universal ou homogênea, mas conforme seu contexto e onde esse contexto está inserido. Bom... Pelo menos é o que eu penso sobre isso... Como diria Anais Nin: "a vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo." Enfim...
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