Unindo sensualidade e exotismo, elas são um símbolo do poder delicado

A jornalista inglesa Lesley Downer, autora do livro "Women of the pleasure quarters - the secret history of a geisha" (algo como "Mulheres do quarteirão do prazer - a história secreta de uma gueixa"), apresenta em sua obra uma possível explicação para essa difusão de reputações. Para ela, as gueixas oferecem a fantasia de sedução e romance para homens ricos e poderosos, numa sociedade em que há pouco espaço para tais sentimentos.
"O auge das gueixas se deu em um tempo em que as relações entre homens e mulheres no Japão aconteciam de forma bem diferente da ocidental. Com exceção das classes mais pobres, todos os casamentos eram arranjados e com o único objetivo de promover alianças entre as famílias. Casar por amor significava trair a família, o que era impensável", escreve ela.
Vida de gueixa
Vida de gueixa não é moleza. Com a sofisticada formação que elas têm e a rotina que levam, são mulheres diferenciadas no Japão. Trabalham duro e estudam muito, sempre com a obrigação de manter a aparência alegre e saudável, mesmo num batente de horas seguidas. São figuras fascinantes e, talvez por isso não se inserem no convívio social. Apesar de não serem explicitamente rejeitadas pela sociedade, quando uma adolescente decide se tornar gueixa, a reação dos pais é quase sempre negativa. "Elas são cada vez mais raras. Levam uma vida de dedicação quase monástica e as poucas meninas que hoje se apresentam nos oki-ya são quase sempre atraídas por uma visão romântica da coisa", comenta Lao Kawashima.
As comunidades formadas pelas gueixas representam uma espécie de inversão da sociedade japonesa, onde o poder é detido pelo homem. "Elas têm um forte sistema de hierarquia entre si, que exige muita obediência e abdicação. Mas foi assim que, nos séculos passados, as gueixas se tornaram talvez as primeiras mulheres do mundo a ter a vida do que as ocidentais de hoje chamam de independente, porque, comparando os conceitos, abriam mão do casamento em nome da dedicação profissional", encerra Lao Kawashima.
#comportamento, #arte, #sociedade, #sexualidade, #prostituição, #entretenimento, #japão, #oriente