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Sexo não é bom, é ótimo. Faz bem para a pele, corpo e alma. Mas até o prazer tem seus limites. Às vezes você está cansada, fazer o quê? Nem sempre dor de cabeça é conversa para boi dormir. Tem dias que estamos tão acabadas que não pensamos em outra coisa: é deitar na cama, ler meia página do livro de cabeceira e pegar no sono. No máximo, a gente quer um cafuné. Até aí, maravilha. O problema é quando eles não entendem que não estamos a fim de sexo.
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Não é fácil driblar homens-máquina que pensam muitas vezes que relacionamento é só sexo, 24 horas por dia. Marina Cavalcanti*, advogada, conhece muito bem o calvário. "Quase todos os meus namorados só me tocavam quando queriam sexo", revolta-se Marina. Já sua amiga, Rosana Esteves*, acha que não tem essa de mulher não gostar de sexo a todo o momento. "Quando é bem feito, carinhoso, que mulher não gosta? Sexo é sexo. Se tem amor, ótimo, mas se não tem pode ser bom também", defende. Haja pique!
É na diferença de ritmo que reside o problema. "A forma como homem e mulher são educados em relação ao sexo desde criança aumenta a diferença entre o desejo de ambos", explica o psicólogo e psicoterapeuta sexual Oswaldo Rodrigues Jr., diretor do Instituto Paulista de Sexualidade. A questão é como conciliar esses ritmos tão diferentes sem que a relação vá por água abaixo. Afinal, vida a dois não é feita só de sexo, mas ele também não pode faltar.
Maratona sexual
A advogada Marina Cavalcanti que o diga. Ela tinha acabado de terminar um namoro, estava carente e eis que conheceu, nas palavras da própria, "um cara lindo, forte e com mestrado". Aí pensou "por que não?" e resolveu sair com o bonitão intelectual, que se revelou uma máquina de fazer sexo. "Quando cheguei ao apartamento dele, juro, confundi com um quarto de motel. Puxadores dourados nas gavetas, vinhos de todo o tipo, frigobar, TV de plasma e cortinas de seda", lembra.
Marina conta que, na hora, passou um aperto danado. "Enquanto eu tentava descobrir sobre o que conversar com ele e como falar à altura daquele homem culto sem fazer feio, ele me recebeu com um beijo e logo disse, assim mesmo: 'Não quero nem saber seu nome, já te amo'", conta a advogada. Falou em amor, Marina se derreteu e deixou rolar.
Passado o fogo e excitação do primeiro encontro, quem sabe agora eles podiam tirar um tempinho na rotina frenética da cama para conversar sobre algo senão sexo. Não teve jeito. "Ele só pensava 'naquilo', não queria falar sobre outra coisa que não fosse sexo. Namoramos dois meses, mas posso dizer que mal o conheço - e olha que nos víamos todo dia", diz. Marina se envolveu em situações dramáticas para saciar os desejos do ex. "Uma vez ele nem me deixou subir até o apartamento, fizemos ali mesmo, na escada do prédio". Detalhe: o prédio não tinha elevador!
Iberê Pinheiro Filho, advogado, não se considera "louco" por sexo, mas acredita que podemos ser pegos de forma desprevenida e que sexo não pode ser programado. "Às vezes, quando menos se espera, acontece", diz Iberê. "Certa vez rolou no chão da cozinha enquanto meu cunhado dormia na sala. Com certeza eu repetiria a dose!", anima-se o advogado.
No começo, Marina Cavalcanti adorava as estripulias sexuais com o namorado. "Pensei que ele estivesse apaixonado, mas depois comecei a me sentir incomodada por ele não falar sobre a vida dele e nem se interessar pela minha", lembra. Para piorar a situação, ela conta que até as preliminares ele pulava, indo direto ao ponto. "A preliminar era a arrumação do colchonete quando estávamos no consultório de fisioterapia dele ou, no máximo, um golezinho de vinho", indigna-se. Quando tentava pedir para ir mais devagar, o discurso era o mesmo: "Você é cheia de frescuras, hein!".
Já com um outro namorado foi diferente. Marina conta que passou três dias praticamente "internada" no motel (!) com o seu amor e que foi maravilho. "O sexo é saudável para a relação, mas o desejo, a vontade, devem ser mútuos", revela o psiquiatra Alexandre Saadeh, especialista em sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
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