Lúpus: doença silenciosa pode ter consequências graves

Sintomas são variados e podem ou não se manifestar
por Mariana Bueno

Uma a cada 1.000 mulheres no Brasil são portadoras de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), ou simplesmente lúpus, uma doença inflamatória, autoimune e crônica, cuja principal característica são suas manifestações clínicas intercaladas. A pessoa com lúpus tem, habitualmente, fases nas quais apresenta sintomas chamados pelos médicos de períodos de atividade e, outros momentos nos quais fica sem manifestações da doença, chamado de período de remissão.

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O lúpus desencadeia alguns sintomas, como  como fraqueza, mal-estar, fadiga, perda de peso, febre e inflamações, que podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva (meses) ou mais rapidamente (em semanas). O diagnóstico é feito pelo médico reumatologista através de uma série de exames laboratoriais. "A doença tem causa multifatorial. Pode envolver predisposição genética e fatores ambientais. Agentes infecciosos, alguns medicamentos, radiação ultraviolenta e fatores hormonais são desencadeantes prováveis da doença não sendo contagiosa. Deve-se suspeitar do diagnóstico em pacientes que apresentem manifestações características, entre elas, lesões cutâneas típicas, ou que apresentem comprometimento de múltiplos órgãos, como o rim, sem causa aparente”, afirma a reumatologista Tatiana Hasegawa, do Centro de Qualidade de Vida.

O tratamento irá depender do tipo de manifestação apresentada e deve ser individualizado. O objetivo, de acordo com o médico Evandro Mendes Klumb, coordenador da Comissão de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) , é reequilibrar o sistema imunológico, além de controlar dor e inflamação. “A intensidade com que se busca esse reequilíbrio e a quantidade de medicamentos necessários para esse controle dependem fundamentalmente da gravidade e extensão da doença. Nos casos iniciais e mais leves, pode-se usar apenas a cloroquina ou hidroxicloroquina (que são imunomoduladores) e analgésicos. Já para os casos mais avançados ou mais graves, pode se fazer necessário o emprego de corticosteroides (cortisona), imunossupressores e mais modernamente, também alguns medicamentos denominados de agentes biológicos como terapia ‘míssel’ ou terapia ‘alvo’”, explica.

Além do tratamento com remédios, ele destaca como sendo fundamentais para o reequilíbrio imunológico do portador de lúpus algumas medidas de proteção contra a claridade ou irradiação solar (com o uso de fotoprotetores), suspensão do tabagismo e do consumo de álcool, afastamento de condições de estresse, alimentação balanceada, repouso adequado e atividade física regular.

A personagem Paulinha (Klara Castanho) é portadora de lúpus na novela "Amor à Vida". A personagem Paulinha (Klara Castanho) é portadora de lúpus na novela "Amor à Vida".

Na novela “Amor à Vida” o tema está sendo abordado através da personagem Paulinha, vivida por Klara Castanho, que descobre ser portadora de lúpus. A doença pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém as mulheres são muito mais acometidas. Segundo o médico, na atualidade ainda não é possível falar em cura, mas em controle.  A maioria dos portadores precisa de um acompanhamento regular, a cada três ou seis meses, com um reumatologista, pois, em caso de uma reativação dos sintomas, eles devem ser controlados logo no início, permitindo que a pessoa rapidamente reequilibre o seu sistema imunológico e recupere sua saúde. “Hoje, podemos afirmar que a maioria das pessoas com lúpus leva uma vida relativamente normal, ainda que essa normalidade seja flutuante e dependa de um acompanhamento regular com o reumatologista”, diz Evandro.

Manifestações clínicas mais frequentes:

Lesões de pele: ocorrem em cerca de 80% dos casos. As mais características são manchas avermelhadas nas maçãs do rosto e dorso do nariz, denominadas lesões em asa de borboleta (a distribuição no rosto lembra uma borboleta) e que não deixam cicatriz.

Queda de cabelos: é muito frequente, mas ocorre tipicamente nas fases de atividade da doença. Na maioria das pessoas o cabelo volta a crescer normalmente com o tratamento.

Problemas articulares: a dor com ou sem inchaço nas juntas ocorre, em algum momento, em mais de 90% das pessoas e envolve principalmente as juntas das mãos, punhos, joelhos e pés.

Inflamações: ocorre nas membranas que recobrem o pulmão (pleuris) e coração (pericardite). São relativamente comuns, podendo ser leves e assintomáticas, ou se manifestarem como dor no peito.

Nefrite: inflamação nos rins, é uma das que mais preocupam e ocorre em cerca de 50% das pessoas. No início pode não haver qualquer sintoma, mas nas formas mais graves surge pressão alta, inchaço nas pernas, a urina fica espumosa, podendo haver diminuição da quantidade de urina. Quando não tratada rapidamente e adequadamente o rim deixa de funcionar (insuficiência renal) e o paciente pode precisar fazer diálise ou até transplante.

Alterações neuro-psiquiátricas: são manifestações menos frequentes, mas podem causar convulsões, alterações de humor ou comportamento (psicoses), depressão e alterações dos nervos periféricos e da medula espinhal.

Alterações nas células do sangue: ocorrem devido aos anticorpos contra estas células, causando sua destruição. Assim, se os anticorpos forem contra os glóbulos vermelhos vão causar anemia, contra os glóbulos brancos causam diminuição de células brancas e se forem contra as plaquetas causarão diminuição das mesmas.

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