Tem gente que começa a "sentir" o Natal quando percebe que os panetones estão à venda. Empilhados nos mercados, em exposição nas docerias ou em destaque nas panificadoras, o fato é que o panetone é um símbolo do Natal. O consumo associado à festa é muito parecido com a tradição italiana de preparar determinados alimentos para comemorações festivas. Porque essa espera de comer o alimento em determinadas ocasiões suscita a espera, a expectativa e, por consequência a lembrança do sabor, da ocasião, da confraternização.
História Difícil é precisar a origem da tradição do panetone. Sabe-se que é um alimento de origem italiana, mais precisamente surgido na cidade de Milão, no século XV. Alguns historiadores, em especial o estudioso de História e Cultura da Alimentação da Universidade Federal do Paraná, Carlos Roberto Antunes dos Santos, acredita que a versão mais aceita é a da história de amor entre Ughetto e Adalgisa. O rapaz se apaixonou por Adalgisa, filha de um padeiro de nome Toni. Os pais do rapaz não aceitaram a relação devido à condição social da moça.
Conta a lenda que o velho Toni adoeceu não podendo mais dar conta dos negócios. Ugo enfrentou seus parentes e foi trabalhar na padaria da família da amada para ajudá-la a se reerguer. Depois de alguns esforços, Ugo comprou ingredientes e preparou aquela que viria ser a receita mais famosa de pão doce: misturou manteiga, ovos, açúcar e especiarias e começou a vender esse pão reformulado. Quando era Natal, para incrementar, acrescentava uvas e outras frutas cristalizadas. A novidade começou a atrair apreciadores que chamavam de "pane di Toni". O sucesso da empreitada de Ugo foi determinante para um final feliz com a sua Adalgisa.
A cultura do panetone hoje As versões da história são muitas, assim como é grande a variedade de panetones disponíveis no mercado brasileiro. De início eram apenas os clássicos com frutas cristalizadas e uvas passas. Depois, aproveitando um nicho de mercado composto por crianças e pessoas que não gostam de frutas cristalizadas, a indústria lançou os chocotones que tiveram rápida aceitação. Aí vieram as versões trufadas, com chocolate branco, com goiabada e recentemente até os intrigantes panetones salgados com tomates secos, azeitonas e queijo.
Mas o que caracteriza o sabor do Natal que o panetone tem? Será a combinação de ingredientes que marcam seu sabor? Pode ser. Pode ser também que o aroma, a textura, a forma e o fato de ser comido apenas no Natal e festas de Ano Novo emprestem a ele o sentido comemorativo. Alguns chefs de cozinha, na tentativa de "desconstruir" a receita e "construir" seu sabor de outra forma, quase sempre apostam na composição dos sabores das especiarias, do mel, da laranja e das frutas.
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