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Definitivamente, seu momento poderia ser melhor: você está cansada, estressada, sem brilho. Pensa em aspectos pessoais que gostaria de modificar e está insatisfeita com a maneira como as situações têm ocorrido no trabalho, em casa ou mesmo com amigos. Ei, será que não está na hora de buscar terapia?
A psicóloga Suzana Biazetto, diretora da Clínica CentroVida, diz que quem opta por este tipo de ajuda externa reconhece algum desconforto, conflito ou dificuldade de lidar com relações e tensões, o que gera incômodo. "O momento ideal para começar um tratamento ocorre quando a pessoa percebe a necessidade de falar sobre o que está acontecendo, descobrir a origem desta aflição", afirma.
Vários fatores podem desencadear um mal-estar interno: problemas familiares, como uma crise no casamento, tensões no ambiente profissional e até mesmo questões existenciais, como a vontade de mudar alguma coisa em si mesma. Porém, com muita freqüência, as situações trazidas por pacientes recém-chegados ao consultório têm um fator em comum: a novidade.
Muitas pessoas não lidam bem com mudanças. E elas ocorrem o tempo todo na vida. Uma promoção no trabalho pode exigir mais responsabilidades; um novo relacionamento amoroso terá uma dinâmica diferente do anterior. "Situações novas trazem angústia. Não precisam necessariamente tratarem-se de perdas, mas da simples incapacidade de se lidar com o novo", comenta.
Assim, circunstâncias das mais corriqueiras podem despertar uma ansiedade inesperada, como a gravidez. Além da explosão de hormônios, a mulher precisa viver com a expectativa de centenas de situações novas por nove meses. Sem falar que nós já sabemos, de antemão, que a chegada daquele pequeno ser mudará a nossa vida completamente.
A adolescência é outro momento muito delicado para algumas pessoas. É nesta fase que a personalidade vai se formar de verdade e as regras começam a se estabelecer para valer. Há muitas contrariedades e, normalmente, a adaptação é tão difícil para os pais como para os jovens, principalmente em se tratando de primogênitos. Em muitos casos, a terapia pode ajudar na transição da infância para a vida adulta.
Admitir é o primeiro passo
Obviamente, não há regras e nem sempre a mudança será responsável pelo desconforto. Ou crises conjugais não se arrastariam por anos antes de um dos parceiros tomar uma atitude. Entretanto, independentemente da procedência do descontentamento, é fundamental que haja o reconhecimento do mesmo. Admitir que tinha um problema levou Ana Martins a buscar um terapeuta. "Tinha sido traída por meu ex-namorado e estava péssima. Me sentia um lixo, pois queria terminar com ele, mas não conseguia. Fui ficando muito triste e emagreci cinco quilos. Só depois de seis meses sofrendo horrores, decidi procurar a terapia. Esperava me sentir melhor".
E teve sucesso na jornada. Depois de um tempo, terminou com o "traste" que lhe fazia mal e iniciou um relacionamento saudável, com respeito mútuo. Ana diz que o processo fez a diferença para sair daquele estado. "Falar em voz alta sobre si mesma, durante uma hora, ajuda a pessoa a refletir sobre sua vida. Com a correria do dia-a-dia, às vezes não nos permitimos este tempo. E quando você marca as sessões, está estabelecendo um compromisso para se cuidar e refletir sobre o que sente", afirma.
A palavra de ordem é realmente comprometimento. Se você é do tipo que vai a uma sessão e falta três, não espere mudar nada tão cedo. Por isso, é tão importante que a opção pela terapia parta da própria pessoa. Quando o problema é percebido sem a ajuda dos outros e produz o tal incômodo, é possível admiti-lo. Só que este processo de verbalizar o que está ocorrendo não é nada fácil, nem para si mesmo. "Até porque, na civilização moderna, as pessoas tendem a mascarar suas dificuldades através do consumo, álcool, drogas, internet. O que puder distraí-las", comenta a psicóloga Suzana Biazetto.
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