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O poder do perdão

por Ana Carolina Pinto | 13/10/2011

Conheça a história de Immaculée Ilibagiza, sobrevivente do genocídio de Ruanda em 1994




O poder do perdão

Por quanto tempo você aguentaria lutar pela sua vida? Uma hora? Um dia? E se fosse preciso passar três meses em situação extremamente precária e desumana, você perdoaria quem lhe fez tais atrocidades?

A história de Immaculée Ilibagiza é quase inacreditável. Quase, já que a ruandesa sobreviveu a um dos maiores genocídios da história e veio até o Brasil dividir sua experiência e mostrar como a fé e o perdão podem transformar a realidade de uma pessoa. Sim, ela perdoou os assassinos da sua família, muitos deles seus amigos de infância.

A estudante de engenharia estava na Universidade Nacional de Ruanda quando estourou o conflito entre as tribos tutsi e hútus, em 1994, que até então conviviam pacificamente. De volta ao lar, viu vizinhos e todos que conhecia morrerem pelas mãos uns dos outros. Seus pais e irmãos foram massacrados.

Para Immaculé, toda sua trajetória serve de exemplo para uma comprovação: o poder do amor. “Só assim pude perdoar aqueles que me fizeram tanto mal. Eu pedia perdão todo dia a Deus e pedia para aprender a perdoar. Quando saí do banheiro e consegui fazer isso, tirei uma mala muito pesada das minhas costas”.

O banheiro a que Immaculé se refere foi seu refúgio por 91 dias. Ela foi a única da família a sobreviver, ajudada por um pastor da tribo hútus. O cômodo, de apenas um metro por um metro e vinte, aproximadamente, foi abrigo de mais sete mulheres. Durante todo o tempo, elas não podiam falar e se alimentavam das sobras da família do religioso. “Em um dos dias, vi um grupo de pessoas chegarem até a casa do pastor para ver se estávamos lá. Achei que eram milhares, mas ele me contou depois que eram 'apenas' 300 homens. Entre eles, muitos amigos meus, agora vestidos com folhas de bananeira e adereços na cabeça, como verdadeiros demônios, cheios de ódio. Eu não podia entender aquilo”, relata ela.

Ao sair de lá, com 23 quilos a menos, ela tinha aprendido inglês no cativeiro, onde passava os dias imersa em orações. Em meio ao caos, percebeu que precisaria transformar sua vida. “Eu pedi ao pastor um livro de inglês para poder aprender, assim como aprendi o francês”, explica ela. Quando conseguiu sair do local em segurança. Immaculé foi para um abrigo e conseguiu emprego na ONU, Organização das Nações Unidas.

Atualmente, viaja o mundo contando sua história de superação e esperança. O livro “Sobrevivi para Contar” já foi editado em mais de 15 países e virou best-seller em vários deles. Ela também recebeu importantes homenagens,como no “Michael Collopy de Arquitetos da Paz”, projeto que também homenageou Madre Teresa, Nelson Mandela e Dalai Lama. Recebeu o título de doutora honoris causa da Universidade de Notre Dame e da Universidade de Saint John, além do prêmio International Gandhi Peace Prize em 2007.

Compreendi que minha batalha para sobreviver seria travada em meu interior. Se eu perdesse a fé, não sobreviveria”, afirma Immaculée.

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últimos comentários (3)

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  • enalin
    enalin comentou:
    14/10/2011 | 09:33

    Muito linda a história desta mulher. Realmente sem amor e fé em Deus não conseguimos alcançar esse dom tão maravilhoso que é o de perdoar.
    Mais Deus na sua palavra diz devemos perdoar até 70 x 7.
    Que Deus nos conceda esse dom do Perdão.


  • Cati_RJ
    Cati_RJ comentou:
    13/10/2011 | 14:12

    achei emocionante!


  • Lilit2011
    Lilit2011 comentou:
    13/10/2011 | 11:56

    Estou impressionada, essa semana tem sido de fortes emoções, e todas relacionadas a Ruanda e sobre pessoas que tiveram contato e contam suas experiências sobre esse período da guerra Civil e do Genocídio decorrente dela.
    Que linda história de superação e amor!
    Tenho questionado o mundo que estamos vivendo, temos tudo e agimos como se nos faltasse tudo também, nos falta de verdade é reconhecer que na verdade não sabemos o que é o Amor, associamos o amor ao comercio (Dia dos namorados, pais, mães, etc..), associamos também a sensações relacionadas a outras pessoas que “dizemos” que amamos.
    Mas se pisam nos nossos pés já não os amamos mais; se falam contra nós, tornam-se nossos inimigos, e por ai vai.
    O amor que temos aprendido nos dias de hoje, não vejo como amor verdadeiro, porque em suma as pessoas sempre exigem algo para dizer que amam, mesmo que de maneira inconsciente, como então dizer que amamos? Se o amor verdadeiro é incondicional, ele faz e não espera, sente por si só, morre se for necessário, não espera reconhecimento e vanglórias, não tem tempo determinado para ser.
    Indico-te a assistir a esses dois vídeos, história e música sobre Albertine, ambos legendados:



    Chorei, mas muito mais que isso, tenho refletido sobre meu papel e lugar nesse mundo.

    Abraços
    Lilian


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