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As chuvas que atingiram a região Serrana do Rio de Janeiro mostram o poder da natureza e expõem a fragilidade do sistema de habitação e infraestrutura do Estado. O episódio foi classificado como o maior desastre ambiental do país, com até agora cerca de 644 mortos e dezenas de desaparecidos, e o décimo pior deslizamento de terra do mundo. Sai de cena o charme das cidades da Serra e ficam o horror, o desespero e a indignação de todo Brasil: será que a tragédia poderia ser evitada?
Respeitar a natureza deveria ser mandamento sagrado. Mas tudo que se fala sempre nos parece tão, tão distante, que é difícil relacionar nossos atos aos problemas ambientais. Mas, infelizmente, os temidos alardes do futuro estão se antecipando e se tornando uma triste realidade para todos nós. As recentes chuvas do país são um exemplo claro disso.
Fenômenos ambientais X devastação
No mundo ocorrem diversos tipos de fenômeno. No entanto, segundo o pesquisador de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina Masato Kobiyama, eles são apenas fenômenos e mais nada. Já quando causam danos sociais, econômicos e/ou ambientais à sociedade, se chamam desastres naturais. Podemos classificar como desastres naturais as inundações, deslizamentos, seca (ou estiagem), terremotos, tsunamis, furacões, chuvas de granizo, vendavais, geadas, tornados. E a interferência do homem é capaz de potencializá-los.
Se você prestar atenção ao mapa do Brasil, verá que cada região tem sua peculiaridade. Enquanto no Sul a população sofre com as chuvas, no Nordeste a preocupação é com os períodos de seca. "A ocorrência de fenômenos tão distintos está relacionada às condicionantes do meio natural de cada lugar, tais como clima, geologia, relevo, vegetação, entre outras", explica Silvia Saito, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa e Aplicação de Geotecnologias em Desastres Naturais e Eventos Extremos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
População vulnerável
Segundo a especialista, a ocorrência dos desastres naturais está relacionada também à vulnerabilidade da população. A Secretaria Nacional de Defesa Civil exemplifica. Em 2008, terremotos de 6.5 graus na escala Richter provocaram cinco óbitos na Califórnia; 20 mil no Cairo e 40 mil óbitos na Armênia. Quer outra ilustração? Se terremotos atingissem, nas mesmas proporções, as cidades da Los Angeles, nos Estados Unidos, e de Teerã, no Irã, matariam 50 mil e um milhão de pessoas, respectivamente. Ou seja, uma diferença chamada infraestrutura.
Em regiões mais ricas, o impacto é minimizado com suporte adequado. A percepção de risco é diretamente proporcional ao grau de desenvolvimento social de uma determinada comunidade ou grupo populacional, considerado em seus aspectos psicológicos, éticos, culturais, econômicos, tecnológicos e políticos.
A nossa parcela de culpa
Será que temos uma parcela de culpa nisso? A resposta é sim. "Hoje em dia, os fenômenos se chamam desastres naturais porque nossa sociedade vem ocupando as áreas que sempre tiveram esses fenômenos. Se não tivesse moradores na região, eles se chamariam apenas fenômeno natural", explica Masato.
Veja AQUI os principais desastres naturais no mundo
O crescimento populacional pode influenciar também em outros fatores. "Isso leva à maior demanda por recursos naturais e o resultado é a degradação ambiental. A devastação de áreas florestadas em detrimento da agricultura e pecuária, a pressão por recursos hídricos e a maior emissão de gás carbônico na atmosfera podem contribuir para um desequilíbrio cujas implicações ainda não são totalmente conhecidas", esclarece Silvia.
Embora não seja consenso entre todos os especialistas, uma das conseqüências possíveis deste crescimento populacional é o aquecimento ou resfriamento global. A mudança climática global é severa com a população. "No caso do esfriamento, os fenômenos hidrológicos que causam desastres hidrológicos se tornam mais violentos do que no caso do aquecimento. Então, daqui pra frente, excesso e falta de água ficam cada vez mais severos. Conseqüentemente, cada vez mais comuns", diz o professor Masato.
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