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Como será a participação delas daqui pra frente?
por admin

O aumento da participação feminina na política é indiscutível. Mas e agora? Para aonde vamos? Conseguiremos, finalmente, nos igualar aos homens em número? E, para isso, teremos que nos comportar da mesma forma que eles?

E não há ninguém melhor do que a própria mulher para responder essas perguntas. De acordo com a pesquisa "Eleições - Como elas votam", realizada no mês de julho pela Sophia Mind, empresa de pesquisa e inteligência de mercado do grupo Bolsa de Mulher, homens e mulheres possuem diferenças na forma de liderar na visão de 58% das entrevistadas. A diferença não está na capacidade, mas na forma de gestão, projetos prioritários e comunicação.

As diferenças, no entanto, não impediriam o voto em uma candidata mulher. Oitenta e oito por cento das entrevistadas não teriam problema em votar em uma mulher para o cargo de presidente do País, caso ela fosse a melhor candidata. Sessenta e oito por cento votariam em mulheres para qualquer cargo e mais 20% votariam especificamente para a presidência.

As mulheres são mais sensíveis, se preocupam mais com as questões familiares e causas sociais, enquanto os homens foca, mais nas questões econômicas. De acordo com a pesquisa, as mulheres também são mais honestas que os homens. Quando o assunto é forma de liderança, 77% das mulheres entrevistadas acreditam que existe diferença entre liderança feminina e masculina. A maior diferença está na sensibilidade e no relacionamento com as outras pessoas.

Como disse, em entrevista, Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo e referência quando o assunto é mulher na política, o importante é exercer o poder como mulher, respeitando suas características próprias, como sensibilidade e senso de justiça. Segundo Erundina, é isso que faz a diferença em relação aos homens, não no sentido de superioridade, mas de complementação.

Apesar do crescimento da mulher na política brasileira, ainda existem barreiras para sua candidatura. O preconceito com a mulher política é a principal, segundo 50% das entrevistadas. A intolerância à corrupção (28%), a falta de interesse em política (26%) e a prioridade para família (23%) também são obstáculos importantes para as candidatas.

No estudo "A Mulher Brasileira no Congresso Nacional", Fanny Tabak mostrou que, em geral, as mulheres que se inserem na vida política têm baixo senso de eficácia e isso acarreta menor defesa de seus interesses. Segundo ela, essas representantes defendem mais assuntos ligados à vida local que a nacional e são mais conservadoras. Ou seja, a própria postura da mulher dificulta seu desenvolvimento no cenário político.

Mas há esperança. O otimismo feminino demonstrado na pesquisa da Sophia Mind indica que as mulheres estão esperando melhorias significativas no país para os próximos anos. A expectativa é que, cada vez mais, as mulheres tenham acesso ao poder político. Tudo isso com a existência de diálogo e uma aproximação cada vez maior entre mulheres e homens com o objetivo de resolver suas diferenças. Mudar o cenário atual não é tarefa simples. É preciso lidar com o machismo reinante e, aos poucos, mudar esses valores. Tudo isso com o jeitinho que só a mulher tem.

Leia a série MULHERES NA POLÍTICA

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