comentários (2)Quando falamos de "ausência de dispositivos legais" queremos dizer que no Brasil não há legislação para disciplinar a questão dos resíduos eletrônicos. Isso mesmo. "Infelizmente, sequer dispomos de uma legislação nacional para tratar dos resíduos sólidos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos está em discussão há mais de 15 anos no Congresso Nacional, porém até o momento não foi aprovada", conta Carlos.
O maior problema nem é o acúmulo do lixo eletroeletrônico, mas a quantidade de substâncias tóxicas presentes nele como chumbo, níquel, arsênico e mercúrio, que ameaçam a água, o solo e o ar. Alguns estudos feitos nos EUA vêm mostrando que o lixo eletrônico já é responsável por mais de 70% das contaminações por metais pesados e 40% das contaminações por chumbo registradas em aterros americanos.
Algumas substâncias contidas nos equipamentos podem ser reutilizadas. Por exemplo, em um quilo de celular pode-se reaproveitar de 100 a 150 miligramas de ouro, 400 a 600 mg de prata, 20 a 30 mg de paládio, 100 a 130 gramas de cobre e 200 gramas de plástico. O Japão, por exemplo, já consegue recuperar metade do consumo anual do elemento índio, usado na produção de eletrônicos, graças ao processo de reciclagem.
Então, que destino deveria ser dado para o lixo eletroeletrônico recolhido? Segundo Carlos Filho, o melhor caminho seria mesmo o reaproveitamento. "O gerador pode encaminhar esse tipo de resíduo para um programa ou projeto de reciclagem (algumas redes varejistas dispõem de unidades para recebimento dos resíduos), bem como devolvê-lo para alguns fabricantes que dispõem de programas de retorno de seus produtos", explica.
Uma outra saída é incentivar o consumidor a participar de projetos como o do Comitê para a Democratização da Informática, que aceita doação de computadores. Ao invés de descartar a máquina para um lixão ou deixar pegando poeira em um canto da casa, ao doar, você permite que outra pessoa tenha contato com a tecnologia, aumentando suas chances de acesso à informação e a novas formas de geração de renda. A ONG E-Lixo faz esse tipo de trabalho. "Na maioria das vezes, o material é doado para escolas e pessoas de baixa renda para que possam ser ainda utilizados. É uma forma de inclusão digital", conta Alex.
A maior dificuldade das ONGs e empresas que trabalham com o recolhimento dos resíduos é conseguir conscientizar a todos da importância de dar uma destinação correta ao material. "As pessoas têm uma tendência muito grande a se apegar aos seus objetos pessoais e quando devem se desfazer deles, não entendem que a doação faz parte do processo da destinação correta. Ou seja, passar para as pessoas que existe uma opção melhor para este material do que simplesmente colocá-lo no lixo. É preciso compreender que desta forma, elas estão fazendo um bem ao meio ambiente", alerta Letícia Pozza, OTSER, empresa de reuso e reciclagem de eletrônicos.
A Organização das Nações Unidas também já entrou nessa luta! O projeto StEP (Solving the E-waste Problem) está em prática e encorajará as empresas a fabricarem produtos com vida útil maior ou que possam ser atualizados ao invés de serem substituídos e jogados no lixo. Enquanto a legislação brasileira sobre os resíduos eletroeletrônicos não é aprovada, vamos nós mesmos fazer a nossa parte. É a saúde do planeta e, consequentemente, a nossa vida que está em jogo. Pense nisso!
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