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Mundo Melhor

Dando a mão à solidariedade - 17/12/2008

Sylvia Dietrich

Em dezembro acontece uma coisa mágica: ficamos mais doces, mais pacientes, mais solidários. Será apenas a magia do Natal? Talvez não. As pessoas se mobilizam com o sofrimento dos outros. Um bom exemplo é a tragédia em Santa Catarina, que deixou milhares de pessoas desabrigadas e desalojadas. Quantas doações o estado recebeu em tão poucos dias! A ciência já comprovou que ser solidário faz bem à saúde de quem pratica esses atos de amor ao próximo, provocando uma sensação de prazer e bem-estar. Portanto, dê as mãos à solidariedade!

Não se nasce solidário, torna-se. Por não ser uma característica inata do ser humano, segundo psicólogos, a solidariedade é aprendida com o tempo, durante o nosso crescimento e desenvolvimento social e emocional. Ela é cultivada por cada um, de acordo com a história de vida, principalmente no ambiente familiar - onde aprendemos mais intensamente o que é ser e como ser solidário. "A solidariedade é um reflexo do cuidado e afeto que recebemos na infância, assim como da forma como víamos os nossos familiares agindo com o próximo", diz a psicóloga Márcia Fraga Sampaio, do Hospital Memorial, do Rio de Janeiro.

[olho]A solidariedade é a aproximação da dor do outro. Quando conseguimos dizer a nós mesmos ‘puxa, eu já me senti assim', nos aproximamos do sentimento alheio e nos envolvemos com sua situação[/olho]

Mas este sentimento também pode ser resultado do nosso próprio sofrimento passado ou apenas uma projeção do futuro. Por exemplo, ao ver que uma outra pessoa está passando por uma situação semelhante a que nós passamos e que isso está causando sofrimento a ela, nos sentimos tocados a auxiliá-la. "As pessoas muitas vezes fazem o que gostariam que tivesse sido feito por elas mesmas. A solidariedade é a aproximação da dor do outro. Quando conseguimos dizer a nós mesmos ‘puxa, eu já me senti assim', nos aproximamos do sentimento alheio e nos envolvemos com sua situação. Daí nasce a solidariedade. Já se não formos tocados nessa cicatriz psíquica, é mais difícil atentarmos para as dificuldades dos outros e ajudar", explica Sylvia Sabbato, psicóloga especializada em psicodrama.

Ou, então, nos projetamos no sofrimento da vítima, pensando que um dia poderemos sofrer alguma situação trágica e dolorosa parecida e agimos como gostaríamos que os outros agissem conosco, já que estamos todos vulneráveis. "É como se quiséssemos cuidar um pouco de nós mesmos ao cuidarmos do outro...", enfatiza Márcia Sampaio.

Por isso, quando ocorrem grandes tragédias naturais, como a de Santa Catarina, ou mesmo aquelas provocadas pelo homem, como acidentes rodoviários ou aéreos, sentimos o desejo de ajudar, apoiar, colaborar com as vítimas, oferecendo-lhes um mínimo de amparo e bem-estar. Mesmo que não tenhamos vivido exatamente tal situação, já que não se trata de termos passado pela mesma experiência que o outro, mas sim de termos sentido uma dor semelhante ou de temermos algo parecido. "A proximidade não é do fato em si, mas sim do sentimento", esclarece Sylvia.

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