comentários (2)Nas épocas festivas como o Natal, período em que nos tornamos mais gentis, atenciosos, dedicados, solidários, acontece algo parecido. A busca pela aproximação de todos da família, dos amigos e dos vizinhos reina e diversos projetos sociais e campanhas de amparo aos mais necessitados são realizados. O motivo para nos sentirmos assim? É porque este é um momento incomum, inusitado, de reflexão, diferente dos outros meses do ano. Enfim, uma época especial que nos permite nos "libertar" do mecanismo que criamos freqüentemente ao longo do resto do ano para lidar com as ocasiões mais difíceis ou tristes, capaz de abrir espaço para a generosidade e reflexão, nos permitindo também, ao darmos algo ao próximo, agradecermos pelo o que temos.
Mas e aquelas pessoas que vemos no nosso dia-a-dia, nas calçadas das nossas ruas? Por que - diferentemente do que acontece com as vítimas de grandes tragédias - poucos de nós param para prestar um pouco mais de atenção em um mendigo ou em uma criança que vive na rua e oferecer alguma ajuda? Bem, de acordo com a psicóloga Sylvia Sabbato, "acabamos desenvolvendo uma defesa para lidar com as situações nas quais nos sentimos impotentes. Já vimos que não basta dar esmola e, às vezes, nem oferecer auxílio que estimule a independência dessas pessoas, pois a questão é mais social e muitos andam estudando opções mais eficazes de auxílio". Porém, isto não significa uma ausência de solidariedade, mas sim uma conscientização de auxílio de fato eficaz.
Por fim, Sylvia ainda explica que "existem, sim, pessoas que não se identificam com a dor do outro. Isto ocorre, geralmente, porque em algum momento de vida o sofrimento dessas pessoas se tornou tão intenso que a única saída para uma sobrevivência emocional era criar uma 'couraça'. É como se a pessoa, como uma criança, tapasse os olhos e dissesse: ‘não estou vendo nada'. Isso porque, assim como a audição e a visão, o psiquismo também é seletivo para sua sobrevivência", finaliza.
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