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Consumo do bem

por Ana Luiza Silveira | 04/06/2009

Dia Mundial do Meio Ambiente: consumir também exige ética e bom senso


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Consumo do bem

Vivemos um tempo de paradoxos. Temos abundância de recursos naturais, mas pouca gente tem acesso a energia ou água de qualidade. No mercado, pipocam novos produtos, aumentando nossa ânsia de consumo, mas muitas pessoas não têm nem o que comer. Mesmo dentro desse cenário desigual, estamos esgotando nosso planeta. A humanidade vem consumindo 25% a mais de recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra.

Segundo o Relatório Planeta Vivo 2006, produzido pelo WWF, se as atuais projeções se concretizarem, a humanidade consumirá perigosamente, até 2050, duas vezes mais recursos do que o planeta pode gerar por ano. E mais: se nossos padrões de consumo e produção continuarem no mesmo patamar, serão necessários dois planetas iguais ao nosso para atender às necessidades de água, energia e alimentos. Diante desse impasse, a melhor maneira de mudar essa situação é adotar escolhas conscientes de consumo.

Para se ter uma idéia do volume do que andamos consumindo, no ano 2000 foram gastos em nosso planeta, em compras de produtos ou serviços domésticos, mais de 20 trilhões de dólares. São quatro vezes mais do que se gastou em 1960. E isso significa que, além de consumirmos muito mais, estamos poluindo mais, despejando um número cada vez maior de lixo e aumentando o desperdício. O Brasil, por exemplo, é um dos maiores produtores de alimento do mundo, mas tem uma altíssima taxa de desperdício: 84%. "O que falta é planejamento, especialmente nas compras do mês. Joga-se muita coisa fora, enquanto temos milhares de pessoas passando fome", aponta Raquel Diniz, coordenadora de capacitação comunitária do Instituto Akatu.

“As pessoas ouvem falar do problema, mas não têm noção de que ele pode estar, de alguma forma, ligado a um ato dela”

O poder das escolhas

Consumo consciente é aquele feito com consciência do seu impacto e voltado à sustentabilidade. Tem preocupações relativas à sociedade e ao meio ambiente, com o objetivo de não prejudicar a qualidade de vida das futuras gerações. Em outras palavras, é saber consumir de forma ética. Saber escolher um produto com base em qualidade, preço, impacto ambiental e responsabilidade social empresarial. "Antes de comprar, é preciso fazer as seguintes perguntas: necessito mesmo desse produto ou serviço? Ele é econômico? Não-poluente? É reciclável? Seus ingredientes ou componentes são obtidos respeitando-se a preservação do meio ambiente e da saúde humana? É seguro? A empresa respeita os direitos dos trabalhadores e do consumidor? Tudo isso faz diferença", ensina Lisa Gunn, gerente de informação do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Todas essas questões deveriam fazer parte do dia-a-dia dos brasileiros, mas pouca gente realmente as põe em prática. Temos os valores, mas não partimos para a ação. "As pessoas ouvem falar do problema, mas não têm noção de que ele pode estar, de alguma forma, ligado a um ato dela. Um exemplo é o consumo de carne vermelha. Pouca gente pára para pensar que aquela carne pode ter alguma relação com o desmatamento da Amazônia e o aquecimento global", comenta Raquel Diniz. Outro exemplo citado por ela é bem mais simples: sabemos que não devemos jogar papel na rua, pois suja e polui o ambiente, mas continuamos fazendo.


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últimos comentários (1)

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  • renata_meloferreira
    renata_meloferreira comentou:
    05/06/2009 | 10:00

    Nossas escolhas fazem muitas diferenças no impacto ambiental.
    Porém, percebo que há situações que as escolhas menos poluentes ficam reduzidas.
    Vejo que, a cada dia, aumentam o número de embalagens. Muitos produtos que compramos tem, além da embalagem externa, uma embalagem interna desnecessária. Numa caixa de chás, todos os saquinhos vem embalados um-a-um. O mesmo acontece com produtos de higiene feminina, como absorventes. No caso do chá, há marcas que ainda não trazem essa embalagem interna. Já no caso dos absorventes, não encontrei, na última compra, nenhuma marca que não faça a embalagem um-a-um.
    Outro problema é o transporte público. Concordo que é melhor para o planeta deixar o carro em casa e ir de ônibus. Só que em Porto Alegre ocorre um fenômeno perverso. Na maioria dos casos, duas pessoas andando de carro, a gasolina fica mais barata que as duas passagens de ônibus urbano. Além de, nos horários de pico, quase não se consegue entrar nos coletivos. Aqui falta metrô e um número maior de ônibus com uma tarifa mais barata.
    A questão da tarifa também ocorre nos ônibus intermunicipais do meu estado. Duas pessoas de ônibus é mais caro que duas pessoas de carro.
    Percebo que, além de mudar nossos atos, devemos precionar empresas e autoridades.


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