No seu trabalho, quantas horas por dia você passa sentada? Você costuma sentir dores no pescoço, nos ombros, nos punhos ou nas costas? Frescura, que nada! Você pode estar sofrendo de lesões musculares ou ósseas pela falta de adequação das ferramentas de trabalho ao seu corpo. Essas lesões são cada vez mais comuns, devido à utilização excessiva e incorreta do mouse, do teclado, do telefone e da cadeira, por exemplo. Se você nunca sentiu nada, com certeza, seu colega de escritório já. O problema, que parece bobo, é sério. O fisioterapeuta Roberto Bordinhão, do Centro de Quiropraxia Plínio de Barros Barreto, no Rio de Janeiro, entrega: "As lombalgias são a principal causa de afastamento no trabalho". Quer saber como melhorar sua qualidade de vida? Use a ergonomia a seu favor.
Ergonomia... O que é isso? Segundo a Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO), a palavra vem do grego "ergon" (trabalho) e "nomos" (normas, regras, leis). Ela é, portanto, o estudo da adaptação do trabalho às características físicas e também psicológicas do ser humano. Ou seja, adaptação do homem aos meios tecnológicos e ao ambiente de trabalho. Afinal, o conforto não está ligado apenas à cadeira onde se senta, mas, também, à temperatura, acústica, luminosidade e humanização do ambiente.
Quando sentamos por muito tempo, tendemos a relaxar a postura e nos curvamos. Diante do computador, isso é ainda mais comum, porque nos inclinamos para ficar mais próximos à tela
De acordo com o fisioterapeuta Carlos Wiering, da clínica de fisioterapia
S.O.S. Coluna, em São Paulo, além de prevenir patologias ocupacionais, como as L.E.R. (lesões por esforço repetitivo) - ou D.O.R.T. (distúrbios osteo-musculares relacionados ao trabalho), nome mais correto - a ergonomia diminui os gastos das empresas com pagamento de planos de saúde e aumenta a produtividade do funcionário. Porque torna o ambiente de trabalho mais confortável e agradável, reduzindo, também, os níveis de stress. "Todo mundo sai ganhando, tanto empregados quanto patrões", explica o Dr. Carlos.
Andressa Motta, assistente do Mercado Leitor da Infoglobo Comunicações, dá um exemplo disso. Ela conta que, em sua empresa, existe, há 10 anos, um projeto chamado "Viver Melhor". Uma "blitz" ergonômica é feita de três a quatro vezes por ano. "Temos uma ergonomista que nos visita e detecta tudo o que está O.K. no ambiente de trabalho e também aquilo que deve ser mudado. Da última vez que ela veio ao nosso setor, sugeriu que usássemos apoiadores de punho para digitar". Andressa conta ainda que já instalaram persianas especiais para evitar a entrada de luz e fizeram revestimento acústico para melhorar a qualidade do som ambiente. A empresa oferece, também, nesse mesmo programa, serviços fonoaudiológicos e tratamentos preventivos com fisioterapeutas.
"Os funcionários estão, hoje, muito mais atentos a essa questão da qualidade de vida no trabalho e cobram por isso", garante Andressa. E completa: "Diminuiu muito o número de pessoas afastadas por problemas causados pela má ergonomia".
Alguns males e seus sintomas A lista de complicações de saúde decorrentes da falta de ergonomia é longa. Segundo os fisioterapeutas, os males consistem em um conjunto de infecções do aparelho músculo-esquelético que atingem não somente ossos, músculos, tendões, ligamentos, articulações e nervos, mas também vasos sangüíneos, em casos mais extremos.
Ao longo do dia, suas articulações devem permanecer relaxadas, evitando excesso de peso. Mas se você está pensando que basta deixar de carregar objetos pesados para se livrar das dores, saiba que, ao passar muito tempo sentada, você está acumulando um excesso de 15 kg no quadril e nos discos da sua coluna! É o que revela o fisioterapeuta Roberto Bordinhão. "Muitos pacientes reclamam que sentem uma espécie de "areia" no pescoço, quando movimentam a cabeça depois de muito tempo sustentada na mesma posição", conta. E explica: "Isso caracteriza o ressecamento dos discos e das articulações, o que pode causar inflamações. Para lubrificar, é preciso movimento".
Na verdade, tudo, quando em excesso, é ruim. Se ficarmos muito tempo parados, as articulações ressecam; se insistimos em movimentos repetitivos, como digitar, usar o mouse ou até mesmo escrever à mão livre, podemos aumentar os riscos de inflamações de tendões, as chamadas tendinites.
Mas, além de atingir as articulações, músculos e tendões, a falta de ergonomia também pode gerar desvios de coluna. "Quando sentamos por muito tempo, tendemos a relaxar a postura e nos curvamos. Diante do computador, isso é ainda mais comum, porque nos inclinamos para ficar mais próximos à tela", explica o fisioterapeuta Roberto Bordinhão. Segundo ele, de tanto inclinarmos a coluna, podem surgir deformações ósseas, como a escoliose, sem contar as hérnias de disco.
Se você estiver sentindo desconforto nas regiões citadas, não deixe de procurar o médico. "As conseqüências podem ser desde uma dorzinha boba, passageira, até a aposentadoria precoce por invalidez", garante Carlos Wiering. E atenção: "Os sintomas podem progredir rapidamente, em menos de um ano", afirma. Portanto - e isso já não é novidade para ninguém - mais importante do que remediar é prevenir!