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Mulheres exatas

Elas fizeram dos números sua matéria-prima de trabalho

Por Taisa Gamboa • 06/02/2007

Calcular o limite do cartão de crédito, as parcelas daquele vestido lindo, o valor das mensalidades do colégio das crianças e a tabelinha da menstruação. Para muita gente, esses são os únicos tipos de conta que uma mulher pode fazer, mas acredite: estamos dominando o masculino universo das ciências exatas! Um rápido passeio por algumas empresas e você logo percebe que engenheiras, contadoras, economistas, físicas, químicas e até astrônomas estão se multiplicando no mercado de trabalho.

Está certo que somos sentimentais - afinal, ter TPM todo mês, cuidar de filhos, marido, casa, cachorro e ainda se dedicar à profissão é uma equação difícil de resolver. Mas, em meio a tudo isso, podemos ser racionais também - é a famosa complexidade feminina! Munidas de réguas e calculadoras, muitas mulheres contrariaram as estatísticas e foram fazer dos números sua matéria-prima de trabalho.

Sem dúvida, temos uma predominância das ações do hemisfério direito do cérebro, responsável pelas emoções, mas isso não significa que o esquerdo também não atue ativamente.


A engenheira química Anita Mendes de Azevedo diz que, desde a época do colégio, as matérias exatas eram suas preferidas. Enquanto as amigas arrancavam os cabelos com os problemas matemáticos, Anita conta que até se divertia. "Eu amava resolver, quanto mais difícil, mais eu gostava", lembra. O teste vocacional, obviamente, lhe apontou um caminho que ela já conhecia: o dos números. "Fiz a orientação sabendo o que eu queria, mas meus pais insistiram, queriam fazer a coisa certinha. Primeira filha entrando na faculdade", conta. Então, desde o vestibular, Anita vive uma lua-de-mel com as ciências exatas. "Mas minha exatidão fica apenas no profissional, sou bastante paradoxal na vida pessoal", afirma.

A carioca Vitória Viana também sempre teve uma queda pelos números, mas não queria ser professora, acabou assim se aproximando da economia. "Quando entrei na faculdade, sofri uma certa falta de credibilidade por ser uma das seis mulheres de uma turma de 50 alunos", diz. No entanto, os ares sisudos da carreira escolhida não assustaram Vitória, que, formada, afirma que o preconceito nunca fez parte da sua rotina de trabalho.

Segundo ela, o fato de ter coragem para enfrentar uma profissão tipicamente masculina, e vencer suas barreiras, mostrando bons resultados, só lhe deu mais força e respeito perante os colegas. "Se a mulher souber se impor e mostrar o seu valor, os limites para o crescimento são os da própria empresa. O sexo não importa quando se tem competência", destaca Vitória Viana. Mas fora do ambiente de trabalho Vitória acredita que, por ser economista, passa, sim, uma imagem de mulher séria. "Nem todo mundo percebe que minha racionalidade e frieza estão restritas aos negócios", reclama.

Questões culturais

Para a psicopedagoga Lucíola Agostini, Anita e Vitória são, de fato, exceções. "É tão clara e histórica a separação entre a atuação das mulheres nas humanas e a dos homens nas exatas, que muitas meninas acabam se guiando pela maioria", esclarece. Além disso, por mais que o movimento feminista tenha mudado algumas questões - e as mulheres passado a trabalhar em áreas antes voltadas somente para os homens -, elas ainda optam por carreiras em que possam conciliar a vida doméstica e a profissional. "É difícil arrumar a casa, acompanhar os filhos na escola, dar atenção ao marido e, ainda por cima, ser bem sucedida profissionalmente. Mas claro que a gente pode ser tudo o que quiser", ressalta.

Alcançar postos altos no mercado de trabalho exige das mulheres o dobro do esforço dos homens. E as questões culturais são as grandes responsáveis por essa dificuldade. No entanto, para a psicopedagoga Marlúcia Pessoa, o que realmente diferencia homens de mulheres é a estrutura corporal e a neurolinguística. "Sem dúvida, temos uma predominância das ações do hemisfério direito do cérebro, responsável pelas emoções, mas isso não significa que o esquerdo também não atue ativamente", explica.

Mas, se pensarmos bem, nem as ciências exatas são tão exatas assim. De acordo com Marlúcia Pessoa, a verdade é relativa e tudo depende do referencial cultural adotado. "Ter uma visão do conjunto é muito mais importante do que pensar só em um plano. Afinal, não adianta construir uma ponte muito bem medida, se você não pensa no conforto e segurança das pessoas que irão passar por ela", finaliza.

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