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À beira de um ataque de nervos

Seu trabalho está te deixando estressada? Saiba como se proteger!

Por Carolina Mouta • 06/06/2008

A carioca Gisele*, 28 anos, trabalhava num lugar onde adorava as pessoas e o que fazia. De repente, uma mudança estratégica na diretoria fez com que o ambiente ficasse à mercê de muita pressão. A analista de marketing notou, então, algo diferente em seu comportamento. Sua motivação não era mais a mesma, o trabalho não fluía... Estava desmotivada, descontente, cansada e desgastada mentalmente. Diagnóstico? Estresse. E "daqueles". Um coquetel de fatores virou um turbilhão e, em pouco tempo, a tirou completamente dos eixos. Ela, como muitos profissionais, ficou à beira de um ataque de nervos.

Depois de refletir sobre os acontecimentos e dar tempo ao tempo para se acostumar à nova situação, Gisele chegou à conclusão que era melhor sair da empresa. E assim o fez. "Percebi que estava estressada quando comecei a ter vontade de chorar todos os dias. Eu adorava o meu trabalho, era muito empolgada com tudo. É lógico que tinha fases, horas em que eu estava mais produtiva, outras menos, mas, na média, eu adorava fazer as coisas. Era cheia de idéias, gostava de ficar mexendo nos projetos, pensando sozinha. Com a pressão sem critérios e a sobrecarga, parei de ter vontade... Eu simplesmente não queria fazer nada no trabalho. Foi aí que comecei a chorar todos os dias. E chorava muito. Então, pensei: isso não é normal", lembra Gisele.

É comum as pessoas ficarem além do seu horário de trabalho, desenvolvendo múltiplas tarefas ao mesmo tempo. Essa realidade gera cada vez mais tensão no dia-a-dia das pessoas, que se sentem pressionadas diante de todas essas demandas

Mulheres são mais estressadas?

Essa história pode ser lugar-comum. Quem nunca ouviu uma narrativa parecida? E as mulheres são as que mais sofrem com o "mal do século". Segundo a psicóloga especialista em estresse e vice-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, Sâmia Simurro, o percentual feminino é bem acima do masculino. "Um levantamento realizado pela PUC de São Paulo apontou que 91% das mulheres se declaram estressadas. Isso pode ser explicado pelo fato delas precisarem conciliar filhos, marido, casa e o intenso cotidiano profissional", explica.

A culpa do estresse feminino também recai sobre a TPM (tensão pré-menstrual). "As variações hormonais deixam as mulheres em situações como tristeza, vontade de chorar e irritação", diz Sâmia. Já a consultora organizacional Sandra Schamas acredita que ser do sexo masculino ou feminino não interfere no estresse. "Tudo bem que nosso humor oscila nos períodos férteis, mas também não é para fazer essa graça toda! Nós poderíamos ter inventado outro nome para comportamentos masculinos que são muito piores do que os da TPM. Os ataques de raiva poderiam ser um tipo de TPM também: Tensão Periódica dos Machos, porque não?" indaga com bom humor.

Uma pesquisa feita pela International Stress Management Association (ISMA-BR), nas cidades de São Paulo e Porto Alegre, apontou que mulheres com mais de uma função não são um alvo tão fácil para o estresse. Considerando-se todas as entrevistadas, na faixa etária de 20 a 60 anos, 25% se sentem estressadas conciliando os diferentes papéis que desempenham. O índice sobe para 37% quando a mulher só exerce uma função. A explicação para interpretar os resultados da pesquisa é que a multiplicidade de papéis exercidos pela mulher aumenta a chance de ela se sentir valorizada e gratificada como pessoa.

O vilão que afeta o desempenho

Na verdade, homens e mulheres são muito cobrados todos os dias. Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde revela que 60% das mortes do mundo são causadas pelo estresse no trabalho. A estimativa é de que estes males matem mais de 47 milhões de pessoas nos próximos 25 anos. Segundo dados da ISMA-BR, no Brasil, 70% da população economicamente ativa sofre de estresse laboral. Destes, 30% sofre do nível mais elevado do estresse, chamado de burnout. Esta pesquisa foi realizada em oito países (Estados Unidos, Alemanha, França, Brasil, Israel, Japão, China e Fiji) e o Brasil ficou em segundo lugar no ranking do estresse, perdendo para o Japão.

"É comum as pessoas ficarem além do seu horário de trabalho, desenvolvendo múltiplas tarefas ao mesmo tempo. Essa realidade gera cada vez mais tensão no dia-a-dia das pessoas, que se sentem pressionadas diante de todas essas demandas. Diante da impossibilidade de gerenciar todos os seus fatores de estresse, elas passam a diminuir sua capacidade de respostas adaptativas, entrando num esgotamento", analisa Sâmia Simurro.

Ainda de acordo com a ISMA-BR, a sobrecarga de trabalho é a líder entre os fatores externos que mais estressam os brasileiros. E as mulheres sentem mais o peso da quantidade excessiva de tarefas. Cerca de 94% das profissionais entrevistadas apontou este como o principal elemento estressor. "Elas são mais afetadas pela quantidade excessiva de tarefas e ainda acreditam que precisam produzir excessivamente para provar sua competência. Os homens não têm este tipo de preocupação de forma tão freqüente", diz Ana Maria Rossi, presidente da ISMA-BR.

Algumas pessoas apresentam uma enorme capacidade para suportar situações estressantes. Entretanto, uma boa parte das pessoas entra em crise. E foi o que aconteceu com Gisele. "Eu não tinha outra opção a não ser sair da empresa. Tentei durante cinco meses. Procurei perceber se era temporário, tentei saber em que rumo as coisas iriam. Esperei para ver se a poeira iria abaixar e se eu conseguiria trabalhar de um jeito razoável. Então, percebi que nem em curto e nem em longo prazo as coisas ficariam de uma forma que me satisfizesse profissionalmente", relata a analista de marketing.






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