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comentários (1)"Estou com câncer, e daí?". À primeira vista, o título do blog de Clélia Bessa pode soar agressivo, mas o objetivo do espaço é bem diferente: tratar a doença de forma objetiva e transparente, sem melindres. Como a própria empresária explica, o que ela pretende é tirar o câncer de mama do armário e contribuir para diminuir o preconceito, o medo e as estatísticas referentes à doença.
O subtítulo do site - Eu tive câncer e daí? - mostra que, hoje, Clélia é uma vitoriosa, ou seja, ex-portadora da doença. Mas isso não significa que desistiu de falar sobre o assunto. Com seus leitores, desenvolveu uma relação de amizade e clareza, "sem escamotear e nem dramatizar mais que o necessário".
"Claro que cada pessoa sente de forma diferente, mas o câncer só vai embora se você se impõe. E se impor é ir atrás de médico e de tratamento, se fortalecer para enfrentar uma barra que não é fácil, mas que é a sua, ninguém pode viver por você. E nem deve", explica a empresária, que agora está envolvida na produção de "Desenrola - O filme".
A vida continua
Clélia conta que, por meio do blog, fez amigas, dividiu experiências e desmitificou a doença. "O câncer de mama tem cura quando tratado a tempo", diz. Com mais de 40 e menos de 50 - Clélia não revela a idade -, solteira e mãe de uma menina, a empresária ressalta a importância da família na luta contra a doença. Sua principal dica para familiares e amigos de pessoas com câncer é que não adoeçam com a paciente. "Às vezes é difícil, mas temos que levar a sério o 'na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, para amar e respeitar'. Amar e respeitar é fundamental. Dar amor e colo, compreensão e não falar sem parar no câncer quando a pessoa não falar, por exemplo. A família continua, a vida continua, e o câncer não pode virar o assunto número um da família e nem entre os amigos", alerta.
Para quem enfrenta a batalha contra o câncer de mama, Clélia é sucinta: "Aja rápido, obedeça seu médico e não tenha pena de você". A empresária enfrentou o câncer de frente e fala sobre ele com desenvoltura. A doença mudou a vida da empresária que, confessa, sempre foi o "básico de cuidadosa" com a saúde. "Hoje procuro mais qualidade e percebi que há finitude, portanto me cuido mais. Fui no cardiologista, que nunca tinha ido. Meu oncologista me examina de três em três meses e eu sempre levo exames solicitados, que não são poucos!", revela.
Antes, ia ao ginecologista e ao dentista uma vez por por ano, e só. "Ninguém que eu conheça faz exames regulares antes dos 45 a não ser que apresente um quadro mais perigoso, como diabete, pressão alta etc. Eu não, sempre mantive o peso, 59 quilos, e minha pressão, colesterol e essas coisas sempre estavam ok", diz.
Faça o teste: Como anda a sua saúde?
Prevenção é a alma do negócio, acredita Clélia. Para as mulheres, a empresária dá um recado: "Previna-se para ver seus filhos crescerem, seus netos nascerem ou simplesmente estar viva. E é de graça. Pegue pela mão uma pessoa que não tem condições e a oriente. Pode ser a moça do supermercado, a sua empregada doméstica, a mulher do porteiro, a moça da padaria. Independente da idade, previna-se. Faça uma corrente positiva", orienta.
Clélia se sente, sim, uma vitoriosa, mas faz questão de ressaltar que não mais que a mulher que acorda às 6 da manhã, sai pro trabalho e cria três filhos. "E quando chega em casa ainda tem mais uma jornada!", diz.
Para conhecer histórias de mulheres como Clélia, acesse www.mulherconsciente.com.br. Você poderá também enviar o seu depoimento e ajudar muitas outras mulheres a enfrentarem o câncer de mama de cabeça erguida.

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