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Receber o diagnóstico de uma doença causa muitos medos e incertezas. Mas, depois do choque, é hora de voltar todas as forças para o tratamento e a busca da cura. Para isso, é preciso encontrar um médico capaz de transmitir segurança, fornecer todas as informações sobre a doença e acompanhar os progressos durante o tratamento.
"A relação médico-paciente é baseada na confiança mútua. E para o paciente conseguir expor o que sente e construir essa confiança, além do conhecimento médico, é preciso haver algum grau de empatia. É muito difícil você seguir as orientações de uma pessoa com a qual não simpatizou", explica Maria Del Pilar Estevez Diz, oncologista e coordenadora do Ambulatório de Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.
Uma relação médico/paciente perfeita é aquela calcada em alicerces de respeito. "O paciente que não tem empatia ou confiança em seu médico acaba criando mecanismos de bloqueio que impõem dificuldades de conversação e entendimento entre os dois", complementa Hézio Jadir Fernandes Junior, oncologista clínico e diretor do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC).
Para atender o pré-requisito da confiança, muitos pacientes acabam seguindo as indicações de familiares e amigos. "Esse é o critério mais utilizado dentro da medicina. Até mesmo porque o grande indicador profissional é o boca a boca. Por isso, é sempre válido conversar com alguém que já tenha se consultado com determinado médico", garante Hézio. A indicação de um médico de confiança pode ser ainda mais valiosa, já que, além do fator confiança, caso seja necessário ele pode indicar um médico especializado no que você precisa.
"Por acaso, conversando com uma vizinha, descobri que ela tinha uma amiga que havia tido câncer de mama e se curado. Pedi que ela entrasse em contato e descobrisse qual era o médico que a havia atendido. E tive muita sorte. Atenciosa, a médica indicada me deu até o seu número pessoal se tivesse alguma dúvida ou urgência", conta a dona de casa Ana Lúcia Mendes, de 54 anos.
Família deve receber atenção especial
Além da fragilidade do paciente, o médico também deve ter sensibilidade para lidar com a família, que também precisará de apoio. Atitudes profissionais humanizadas, com doses de ternura e acolhimento, fazem toda a diferença, e ajudam tanto o paciente quanto seus familiares a superarem o momento difícil. "Estamos carentes de um atendimento humanizado", avalia Ana Lúcia.
"O médico deve se mostrar atento ao paciente. Ouvir todas as suas queixas, interrogar, faz prontuário (anotações), examinar a pessoa e ser honesto relatando aquilo que vê", enumera Hézio.
A relação de confiança é fundamental, assim como a sensibilidade do médico na hora de escutar a pessoa. "O profissional deve procurar ligação entre as queixas do paciente e o exame físico. Ele deve informar ao paciente todas as suas hipóteses diagnósticas, esclarecendo o que está procurando e oferecendo o que há de melhor em termos de tratamento", completa o diretor do IPC.
Conhecer o currículo do profissional é importante
Antes mesmo de ir à primeira consulta, você pode ter mais informações sobre o médico fazendo uma pesquisa sobre o seu currículo na internet. "Verifique se o médico está credenciado para desempenhar a função. Para isso, descubra se ele fez residência médica, se tem título de especialista e se está registrado no Conselho Regional de Medicina (CRM) de seu estado", aconselha Maria Del Pilar. "Pelo CRM é possível, ainda, checar se o médico é ou foi alvo de processos judiciais de erro médico ou má conduta ética", acrescenta a especialista.
Vínculos com sociedades médicas e universidades também são indícios de que o profissional tem um excelente currículo. Para saber se o médico é vinculado à pesquisa clínica ou atividades acadêmicas, acesse a Plataforma Lattes e lá poderá encontrar um minicurrículo desse especialista.
"Médicos que frequentam congressos, publicam trabalhos, têm vínculos com médicos residentes, e frequentam cursos de pós-graduação estão em constante aprendizado e reciclagem", justifica Hézio.
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