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A pedagoga Renata Medeiros, 45 anos, sempre foi muito cuidadosa com sua saúde. Atividades físicas, alimentação equilibrada e o autoexame das mamas estavam na sua rotina. Até que um dia ela detectou o tão temido nódulo em um dos seios. Com uma bateria de exames, foi confirmado o diagnóstico: câncer de mama. Dali em diante tudo passou a girar em torno de seu tratamento. Cirurgia para retirar o tumor, que já tinha mais de três centímetros, quimioterapia...
Renata se recuperou da doença, do baque, da perda da autoestima com a mutilação da mama. Mas faz questão de deixar um alerta: "O autoexame é ótimo. Sem ele, não teria descoberto o nódulo. Mas ele não é o ideal, porque só detecta tumores com mais de dois centímetros. Se eu tivesse feito a mamografia, teria abreviado a história, minimizado os riscos de o câncer se espalhar", diz ela.
Isso porque a única forma de diagnosticar a doença precocemente é por meio da mamografia, que deve ser realizada anualmente a partir dos 40 anos.
Os números são alarmantes. Dados do Programa de Oncobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) indicam que 400 mil novos casos de câncer surgem a cada ano no Brasil, sendo que um terço deles com óbitos. A doença é a segunda que mais mata no país. Apesar de os dados serem preocupantes é possível imaginar um quadro diferente, mas é preciso que as mulheres estejam atentas aos fatores de risco e ao diagnóstico precoce.
A doença no Brasil
Conforme a pesquisa "Conhecimento sobre o câncer de mama no Brasil", do Datafolha/Femama (2008), apesar de a maioria das mulheres reconhecer que o diagnóstico precoce aumenta a possibilidade de cura de 49% para 75%, elas desconhecem a melhor forma de diagnóstico. Em um universo de 552 mulheres - 30 a 60 anos, classe A, B e C - ouvidas nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Salvador, 82% delas ainda acreditam que o autoexame é a principal forma de detectar algum sinal da doença e somente 35% citaram a mamografia.
"A detecção precoce é a possibilidade de cura", afirma a médica radiologista Cláudia Carrada, da pesquisa clínica do INCA. Para a médica, a realização do exame clínico da mama e a mamografia devem ser prioridades para as mulheres acima de 40 anos. Alguns fatores de risco são: menarca precoce, menopausa tardia, primeira gravidez após os 30 anos, não ter filhos, ingestão regular de álcool, obesidade, má alimentação e hábitos de vida pouco saudáveis. Além disso, a médica alerta para a importância das mulheres conhecerem o histórico familiar por ser um importante fator de risco, principalmente se um parente de primeiro grau já tiver sido acometido pela doença antes dos 50 anos.
No entanto, a falta de informação e de comprometimento na realização periódica dos exames são os piores inimigos da mulher. "Dificuldades em fazer a mamografia, a demora na realização dos tratamentos específicos e acesso deficiente aos serviços de saúde fazem com que, no Brasil, grande parte dos diagnósticos seja dado quando a doença está mais avançada - e a expectativa de cura é menor", lamenta a oncologista Monica Schaum, das Clínicas Oncológicas Integradas
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