comentários (2)A experiência vivida pela pedagoga Ilma Lossa, de 69 anos, não é incomum no universo feminino. "Eu não fazia nenhum controle, trabalhava muito, tive uma experiência ruim com a minha avó - que teve câncer e precisou retirar a mama. Na verdade, eram desculpas. Até que um dia, tomando banho, senti no seio um volume estranho. Corri para minha ginecologista e já no exame clínico ela sinalizou a gravidade do problema. Em seguida, fiz a mamografia e o resultado foi assustador. Me senti sem chão. Fiquei chocada. Tive o apoio maravilhoso da minha filha, que viu tudo para mim: mastologista, marcação de exames etc", relembra.
Receber a notícia sobre o câncer, fazer exames para saber se a doença tinha se espalhado, pensar em prótese, fazer o tratamento de quimioterapia, perder cabelo e sentir os efeitos da terapia causaram um baque psicológico enorme na pedagoga, que precisou buscar ajuda psicológica para passar pelo trauma vivido em 2007. Hoje, Ilma se sente animada. Com suporte emocional, ela vence o medo da doença voltar e encara o rígido controle médico entusiasmada. Segundo a oncologista Monica Schaum, a primeira consulta de uma paciente com diagnóstico de câncer de mama traz sempre muitas expectativas e sentimentos como medo, angústia e, eventualmente, até culpa. "Nosso papel é aliar informação técnica com a sensibilidade de individualizar os cuidados com cada paciente. Assegurar a melhor abordagem terapêutica e combiná-las com as escolhas da mulher. Questões como perda de cabelo com determinados tratamentos, assim como alterações na imagem corporal decorrentes da cirurgia, refletem muito na autoestima. Temos que ter uma visão holística sobre a pessoa e não apenas olhar a doença. Nosso papel também é encorajar nossa paciente", afirma a oncologista.
Atenção ao seu corpo
Em geral, o câncer de mama não dói, mas podem surgir alterações na pele que recobre a mama e nódulos na axila. No caso de carcinoma inflamatório - mais raro, porém mais agressivo - a mama pode aumentar rapidamente de volume, ficando quente e vermelha.
Mamografia
A única maneira eficiente de detectar precocemente o câncer de mama, pois mostra nódulos em fase inicial, muito pequenos. A mamografia é uma espécie de radiografia feita em um aparelho chamado mamógrafo, que comprime as mamas para analisá-las minuciosamente. A radiologista Cláudia Carrada chama atenção para a importância do local da realização do exame, a manutenção e qualidade do aparelho, a capacidade profissional do técnico que fará o exame e a competência do médico que realizará a análise das imagens.
Tratamento e recuperação
A oncologista Monica Schaum esclarece que o tratamento do câncer de mama é sempre multidisciplinar e que, na maioria dos casos, a primeira abordagem após o diagnóstico é a cirurgia, que pode ser a mastectomia radical, que é a retirada completa da mama - ou a parcial, chamada de conservadora, que só uma parte é retirada. Após os resultados da avaliação patológica são considerados tratamentos complementares com fins de prevenir risco de recorrência. Esses tratamentos podem ser feitos isoladamente ou em combinação. São eles: a quimioterapia, a radioterapia, a hormonioterapia e uso de anticorpos monoclonais.
Radioterapia
Tem como finalidade reduzir a chance de recorrência local. Emprega técnicas de radiação ionizante (raios-X). Os efeitos colaterais mais significativos dizem respeito à área da pele irradiada, que pode ficar ressecada, mas com as novas técnicas de radioterapia houve significativa melhora dos sintomas.
Quimioterapia
Nesse tratamento, o objetivo é reduzir a chance de recorrência e disseminação da doença em outras áreas, as metástases. A quimioterapia consiste na administração de medicamentos que podem ser por via oral, intramuscular ou endovenososa. No câncer de mama, os tratamentos costumam ser endovenosos e com periodicidade variada. Efeitos colaterais como náuseas e vômitos, sintomas digestivos, aftas orais, possibilidade de infecções e queda de cabelo podem ocorrer, mas dependem do tipo de tratamento escolhido e do organismo de cada um.
Diagnóstico precoce
O câncer de mama tratado de maneira precoce é curável em 95% dos casos. O que reforça a importância da mulher sempre se observar e, claro, fazer o exame clínico e a mamografia. Quando há necessidade da mastectomia, a reconstrução pode ser feita desde que a paciente esteja em boas condições clínicas e deseje fazê-la. Mas é um direito garantido por lei.
Segundo a médica Natale Gontijo de Amorim, membro-titular da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica (BBCP), hoje se usa basicamente duas técnicas: prótese de silicone ou o músculo do abdômen. A médica reforça a idéia de que o tratamento e a recuperação da mulher devem ser feitos por uma equipe multidisplinar formada por profissionais como cirurgião plástico, oncologista, psicólogo e fisioterapeuta.
Mamografia é seu direito. Agora é lei! Saiba mais: www.mulherconsciente.com.br
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