comentários (5)
Tudo parecia bem até que, inesperadamente, você recebeu o diagnóstico: está doente. Além dos sintomas físicos decorrentes de enfermidades como o câncer de mama, há ainda os fatores psicológicos como autoestima abalada. Por isso, muitos hospitais, ONGs e associações formam grupos de apoio para ajudar a lidar com os desafios da nova situação. Com muita dedicação, informação e carinho, eles têm mostrado que é possível vencer a doença com qualidade de vida.
"Através dos grupos de apoio, ao invés de ser uma vítima, o paciente passa a ser um ente ativo no seu processo de cura. Ao expor suas emoções e cuidar da sua autoestima, ele fortalece a defesa do organismo e o deixa pronto a enfrentar qualquer dificuldade do tratamento", garante Vera Bifulco, coordenadora do setor de psico-oncologia do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC).
Como está sua saúde? Faça o teste!
O principal objetivo dos grupos de apoio é as trocas de experiências entre vítimas de uma mesma doença. "Ao observarem, conversarem e conhecerem a história de outras mulheres, as pacientes percebem que estão passando pelo mesmo problema e começam a compartilhar as angústias e, juntas, buscam soluções para enfrentar a situação", justifica Ana Lúcia Gomes, coordenadora de projetos da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).
Apesar de formados pelos próprios pacientes, as discussões em grupo costumam ser sempre coordenadas por especialistas. "É difícil encontrar o espaço e as pessoas certas para exteriorizar as emoções. Desabafar com a pessoa errada pode ser desastroso. Ela pode dar opiniões erradas ou fazer julgamentos de valor que só irão fazer mal à paciente. Já no grupo, a discussão supervisionada faz da reunião um processo terapêutico, capaz de esclarecer dúvidas, aliviar a ansiedade e o estresse, auxiliando no processo de cura", garante Vera Bifulco.
Foram os grupos de apoio que fizeram a agente de viagens Anke Wilms, de 46 anos, enfrentar com tranquilidade o câncer de mama. "Quando recebi o diagnóstico fiquei um pouco chocada porque sempre cuidei da minha saúde. Por ser atleta, não fumo e não bebo. Mas nesse dia, saí para treinar rafting pela 'última' vez", relembra Anke.
A ajuda veio então das voluntárias que conheceu no grupo de apoio da sua cidade. "As conversações e trocas de experiências foram muito valorosas. Elas nos fortalecem, fazem ver que não somos as únicas que passamos por aquela situação e que a cura é possível", conta. "Além disso, tiramos nossas dúvidas, conseguimos conselhos com nossas amigas e passamos a encarar a situação como um momento de cuidar de si própria", afirma Anke. Tamanha foi a dedicação do grupo que a agente de viagens acabou se tornando colaboradora do Instituto da Mama do Rio Grande do Sul, o Imama.
Informação que vale ouro
Além de possibilitar a troca de experiências, também é papel dos grupos de apoio desmistificar a doença. "Quando pensamos em câncer, lidamos muito com a fantasia, pois a doença está ligada ao estigma da dor, da mutilação e da morte. Por isso, é comum as pessoas acometidas por ela acharem que estão sendo castigadas. Vale lembrar que as pessoas boas não estão imunes. Por isso, lutar contra a fantasia é promover cura. O primeiro passo do tratamento é enfrentar a doença de frente", explica Vera.
"Como é muito comum, logo após receber o diagnóstico, a paciente não escutar nenhuma orientação do médico por conta do impacto da notícia, além da psicoterapia, os grupos de apoio fornecem informações importantes sobre a doença e os direitos de cada paciente", explica a psico-oncologista.
Pensando nisso, a maioria dos grupos de apoio tem equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiras, assistentes sociais, psicólogas, nutricionistas, fisioterapeutas, outros especialistas e as voluntárias. "Esse staff variado é importante porque nem sempre o paciente vem com uma angústia emocional. Ele pode vir com problemas de alimentação, angústias sociais, problemas fisioterápicos e fonoaudiológicos e uma variedade imensa de carências. Logo, um grupo diverso é uma equipe mais capacitada a ajudar", garante Vera.
A assistente social do Serviço de Voluntários do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Isa Maria Marchetti explica o papel que cada especialista desempenha dentro do grupo de apoio do hospital: "Enquanto a psicóloga conversa sobre o medo, a sexualidade, a autoestima, a depressão, a rejeição e as relações familiares, a enfermeira orienta sobre os curativos e incisões cirúrgicas, fornecendo um conjunto de informações sobre o procedimento da quimio e da radioterapia. Os médicos falam sobre os fatores de risco do câncer: fumo e obesidade, os tipos de cirurgia, a menopausa precoce, a medicamentação e a importância do autoexame de mama. Já a nutricionista ensina a fazer o controle de obesidade, fala sobre os alimentos que ajudam na cicatrização, ensina a fazer a hidratação adequada e sugere dietas. A fisioterapeuta faz exercícios de relaxamento, corrige a postura, ensina a auto-massagem e realiza a drenagem linfática".
Como as mulheres acometidas pelo câncer de mama têm benefícios perante a lei, os grupos de apoio costumam ter assessoria jurídica formada por advogados e assistentes sociais. "A assistente social fala sobre a legislação e os direitos do paciente com câncer: aposentadoria por invalidez, compra de veículo com isenção de impostos, auxílio financeiro; auxilia no acesso a medicações e tratamentos, e ajuda na resolução de problemas com o acesso a serviços de saúde e com os convênios", conta.
A participação das voluntárias é de suma importância. "Elas cuidam do lanche que é feito ao final de cada reunião, mostram o trabalho no ambulatório e fazem visita no hospital no primeiro dia após operação, oferecendo todo o apoio, ouvindo o paciente e oferecendo mensagens de otimismo, fé e coragem", enfatiza Isa.
Você
Bolsa de mulher © 2000/2012 | Direitos Reservados
ou Cadastre-se