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comentários (1)Cada vez mais aumenta o número de perfis de empresas em redes sociais. O objetivo é aproximar a marca do público e estabelecer uma conversa com quem está do lado de lá.No entanto, essa “amizade virtual” é bem mais complexa e delicada do que se imagina. Esta semana, a grife de roupas masculina Reserva postou um vídeo do youtube para “animar” a segunda-feira dos seus fãs no Facebook e deu um tiro pela culatra.
Em poucas horas, o vídeo de segundos, de um cachorro sonolento dando com a cara n’água por não se aguentar nas quatro patas de tanto cansaço chamou a atenção de muita gente de forma negativa. Os comentários em resposta foram de indignação, alguns usuários chegaram a acusar a marca de apologia a maus tratos de animais e exigiram explicações.
A Reserva classificou a postagem como infeliz e pediu desculpas a todos que se sentiram ofendidos e, depois de afirmar que não tiraria o post do ar por achar importante saber o que seus fãs achavam, tirou a polêmica da sua lista de notícias. “A intenção nunca foi instigar o maltrato contra animais. Pelo contrário. Optamos pela retirada do post da nossa página institucional com o intuito de não estimular a divulgação desse tipo de material”, divulgou por meio de sua assessoria de imprensa.
Ainda que o post tenha sido apagado, ainda está bem fresco na cabeça de quem ficou incomodado e ofendido com a postura da marca. Para o diretor de arte Therencio Portella, um dos usuários que criticou a postagem, este tipo de violência precisa ser combatida e não compartilhada. “Você nunca espera que esse tipo de baixaria venha de uma empresa ou marca de moda, focada no público jovem e que em teoria seja formadora de opinião entre seus clientes, divulgue coisas endossando e chancelando práticas como essa”, afirma.
E afinal, até que ponto as marcas são responsáveis por todo o conteúdo compartilhado em suas páginas? Para a diretora-executiva do Núcleo de Inteligência Digital (Idigo) Andrea Dunninghan a responsabilidade nas redes tem a ver com a identidade das marcas e seus valores. Isso pode atrair fãs ou detratores que compartilhem ou não dos mesmos princípios. Desta forma, as pessoas irão julgar as postagens das empresas de acordo com seus próprios valores e neste campo, todo o cuidado é pouco. “As redes sociais contribuem para a difusão das mensagens, potencializam as opiniões, as causas e funcionam como um megafone. Veja o caso da coleção de pele da Arezzo. A empresa mexeu com um tema polêmico e ganhou uma ação de boicote nas redes”, disse, relembrando o caso que a coleção foi retirada do mercado.
Com sua postagem a Reserva tocou – inconscientemente – em um assunto constantemente combatido e que mobiliza diversas pessoas: proteção a animais maltratados. Um exemplo de ações nesta área é o projeto Beagle Freedom, que impediu, em 2010, a execução de cerca de 40 cachorros de teste na Espanha por meio de doações online e até hoje incentiva as pessoas a não consumirem produtos testados em animais.
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