Em minha cidade natal, no interior das Minas Gerais, garotas que perdem a virgindade antes do casamento (abençoado pelo padre, óbvio) são consideradas uma desonra pra família ainda hoje.
A filha de um primo deu à luz solteira há cerca de uns 20 dias. Ninguém conhece o bebê, porque a menina foi \"deportada\" para uma outra cidade e, entre toda família, um silêncio tumular deixa bem claro que não se deve abordar o assunto.
É como se a garota jamais houvera existido.
Na minha adolescência, um episódio me marcou profundamente: a surra tremenda que uma amiga tomou do pai (com direito a cinto e fivela), porque transou com o namorado às vesperas do aniversário de 15 anos.
Eu me arrepio até hoje, só de lembrar!
Ela ficou coberta de hematomas, foi parar no hospital mas, naquelas bandas, nenhuma autoridade toma partido nisso.
Estão todos a serviço da \"defesa da honra , da religião e da família\" - como dizem.
Nasci e me criei nesse rincão de atraso, mas com uma visão cosmopolita o bastante para entender que uma cultura só é importante, se for boa para os indivíduos.
As tradições civis e religiosas devem ser constantemente repensadas porque, antes de qualquer consideração, precisamos definir o que vem primeiro: os direitos humanos ou os \"bons costumes\".
Não há maneira melhor de honrar Deus do que exercitar a TOLERÂNCIA com Suas criaturas, até que ela se torne um hábito, um bom costume.
Bjs,
Ni

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