Nina, querida,
Que bom que você está de volta... Sabe que nunca me canso de dizer o quanto adoro sua presença por aqui!
Discordo, respeitosamente, de seu ponto de vista.
A responsabilidade óbvia é sim de quem agride, o assassino confesso, mas também (e principalmente!) de quem, tendo o filho sob seus cuidados, não zelou pela integridade física e emocional da criança.
No caso específico do post, a mãe foi criminosa sim e gravemente responsável. Crime culposo, em que não havendo dolo, ou seja, a intenção de matar, houve imperícia, imprudência e negligência materna, que contribuiram decisivamente para a morte da criança.
O Estatuto da Criança e do Adolescente assegura que :
\" toda criança tem direito a proteção à vida e à saúde\" (Artigo 7º) . A mãe em questão, tendo a filha sob sua guarda, não foi capaz de lhe asseguar isso.
Em nossa sociedade, que se debate entre os valores milenares do patriarcado e as conquistas recentes do movimento feminista, os preconceitos contra a mulher são sim evidentes.
No entanto, não vejo as pessoas criticando com extremo rigor mulheres que, com o término de um relacionamento, tentam exercer o direito mais que justo de refazer sua vida social e afetiva.
Para citar um exemplo notório, a mãe da pequena Isabella Nardoni estava numa festa, enquanto a filha era barbaramente morta e ninguém a rotulou de irresponsável por isso.
Ao contrário. Embora a família paterna da criança, desde o início, fizesse de tudo para rotular Carolina Oliveira como \"mulher que estava fazendo da vida do ex um inferno\", toda sociedade foi imensamente solidária à dor daquela mãe e soube identificar rapidamente quem eram os verdadeiros culpados pelo assassinato da menina.
O que ocorre, Nina, é que o ser humano adora brincar de Deus.
É um tal de sair por aí, produzindo criaturas \"à própria imagem e semelhança\" e, depois que a brincadeira perde a graça, começa o chorororô do não-quero-mais-ser-papai-nem-mamãe.
Aí vale tudo pra se livrar do brinquedinho. Inclusive espancá-lo até a morte, atirá-lo pela janela, como faz toda criança mimada e, depois, com a cara mais desvalada do mundo, fazer manha, dizendo que o \"brinquedo\" se quebrou sozinho.
Perdoe-me a metáfora feia, mas maternidade e paternidade hoje em dia viraram algo parecido com soltar \"pum\" em elevador: ninguém controla o impulso, mas quem aí é capaz de assumir o feito?!
Outros que se lasquem com a catinga. É um verdadeiro \"salve-se quem puder\"!
Vivemos numa sociedade que não protege os fracos: crianças, velhos e doentes vivem num desamparo total.
Uma sociedade que tem esses valores, que sacrifica \"os inaptos\", simplesmente desconhece a Civilização. Não saiu da barbárie.
É inadmissível que, com todos esses milênios de marcha sobre a Terra, não tenhamos evoluído em nada.
Qualquer babuíno africano protege seu grupo.
Qualquer cadela de rua defende sua cria.
Sinto uma vergonha tremenda por ser humana!
Bjs,
Ni

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