Casa e Família

Tradição à mesa

por Daniela Pessoa | 12/12/2007

A ceia de Natal é um costume rico, com muita história e... saboroso!


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Tradição à mesa

O Natal está chegando e com ele todos os símbolos de uma tradição que atravessa o tempo deixando saborosos legados. Montamos a árvore, enfeitamos nossas casas com luzes, sinos e toda a pompa que a data pede. Entretanto, se tem uma coisa que não passa em branco do dia 24 para o 25 de dezembro é a ceia de Natal. Em todas as mesas do mundo, das mais singelas às mais incrementadas, o que não faltam são famílias se confraternizando e saboreando as mais diversas receitas natalinas. Peru, Chester, tender, rabanada, assados, bacalhau, panettone, nozes, frutas secas... Hummm! Prepare o seu apetite!

Mais do que um banquete

A ceia, porém, vai muito além de um simples jantar. Ela é de dar água na boca, verdade, mas também é repleta de significados. Do peru ao panettone, tudo tem uma história - algumas surgiram até bem antes de Cristo. A ceia natalina é, portanto, uma rica e deliciosa mistura de costumes cristãos e hábitos populares.

“Temos também a tradição de que a refeição mais importante não é a do dia 24, mas o almoço do dia 25, quando todos os familiares se reúnem em torno de carnes cozidas de galinha, porco, cabeça de vitela, costela, entre outras coisas, no caso da Itália”

A vertente mais difundida diz que ela está ligada à última ceia de Cristo ao lado de seus discípulos. No entanto, alguns historiadores afirmam que a verdadeira origem é uma festa da Roma Antiga, chamada Saturnália, quando as pessoas se esbaldavam em banquetes no mês de dezembro. Dizem que o nosso hábito de comer frutas secas no Natal também veio dos romanos. Na Roma antiga, era costume presenteá-las a amigos e parentes como forma de desejar boa sorte. Para os romanos, cada tipo de fruto seco tinha um significado especial. As nozes, por exemplo se relacionariam com abundância e prosperidade.

E a coisa não parou por aí. Na Idade Média, ao mesmo tempo em que o cristianismo se expandia a todo vapor, a influência de outros povos na cultura natalina, segundo historiadores, aumentava também. Os que mais marcaram foram os nórdicos com o Yule, festa em homenagem ao solstício. O presunto da nossa ceia, a decoração das casas e a árvore de Natal podem ter vindo daí. Há quem diga ainda que o hábito de cear vem de um antigo costume europeu de deixar as portas das casas abertas no dia de Natal. Assim, as famílias recebiam viajantes e peregrinos com quem confraternizavam, com bastante comida, a data tão importante para os cristãos. Daí as razões de a festa ser a união entre amigos e familiares.

Intrigas históricas à parte, o fato é que a tradição da ceia de Natal se espalhou pelo mundo. Cada família, cada cultura passou, então, a manter um prato aqui e a acrescentar um detalhe ali, deixando o menu natalino com um gostinho sempre especial.

Pelo mundo

"Não podemos esquecer que no hemisfério Norte é inverno quando se comemora o Natal e, aqui, verão. Forte ponto de contraste, inclusive na culinária. Na Itália e na Alemanha, por exemplo, a carne de porco tem um papel importantíssimo. Temos também a tradição de que a refeição mais importante não é a do dia 24, mas o almoço do dia 25, quando todos os familiares se reúnem em torno de carnes cozidas de galinha, porco, cabeça de vitela, costela, entre outras coisas, no caso da Itália. No jantar da noite do dia 24, o salmão, o bacalhau frito e a enguia, especialmente cozida no vinho e vinagre, servida com polenta grelhada, são pratos presentes na mesa italiana", conta o chef Danio Braga.

As carnes são acompanhadas de molhos rápidos (salsa verde), salsa picada, alho, anchovas, molho de tomate concentrado e purê de maçãs. "O pouco uso do peixe na Europa se deve ao clima muito frio, onde há necessidade de se consumir carnes mais ricas em gordura", revela. O panettone, como não podia deixar de ser, é obrigatório nas suas mais variadas apresentações, assim como o Bolo Rei em Portugal. Porém, na Itália, há também o Pandoro, especialidade da região de Verona, que não é consumido somente nesta época do ano. "Ele é servido o ano inteiro pelo fato de não ter em sua composição as frutas secas, típicas do Natal", explica Danio.

Aliás, frutas secas, castanhas, nozes, avelãs, amêndoas, tâmaras, damascos, entre outros, são bem comuns e fartos nesta data. "A castanha, porém, nós, italianos, fazemos no forno, não cozinhamos. Quando cozidas, elas entram numa receita de sobremesa natalina chamada de Monte Bianco (Mont Blanc), um purê de castanhas cozidas misturadas com leite e, no topo, creme chantilly. Fica parecida com a montanha mais alta da cadeia dos Alpes Italianos, que empresta o nome ao doce", conta o chef.

Do mundo para o Brasil

Ali pertinho, na Grécia, os pratos já são outros. "Na ceia, temos cordeiro, leitão inteiro, peru, tirópitas (uma espécie de mil folhas de queijo), espanacópitas (mil folhas de espinafre), arroz com passas e alguns doces muito tradicionais feitos de nozes e amêndoas. Tentando escrever em caracteres latinos, seriam chamados de ‘kurabiedes' e ‘melomacarona'", conta Alex Ikonomopoulos, gerente de comércio exterior.

"Temos também as massas gregas: pastitio, que é uma espécie de macarrão longo com carne moída coberta de creme bechamel e gratinada com parmesão; crissaraki, um macarrão parecido com arroz (o mais similar vem da Itália e é chamado de risoni), preparado com molho de tomate e carne de boi ou de cordeiro assada", delicia-se Alex. Há também o mussaka, prato que não leva macarrão e sim camadas de batatas, abobrinhas, berinjelas, carne moída, creme bechamel e parmesão para gratinar. Delícia!

Na França, a ceia é tradicionalmente gourmet, com direito a foie gras, patês e pratos com trufas, lagosta, ostras, salmão e carnes diferenciadas como faisão. "Na Índia e no Quênia, o prato tradicional de Natal é o Nyama Choma, uma carne de bode assada, e chapatis (espécie de pão). Já na Alemanha, é o ganso recheado com repolho roxo e o kartoffelklösse, à base de batata. Em algumas regiões, a carpa azul ainda é o prato típico. No passado, o brilho das escamas do peixe representava a quantidade de prata que a família esperava ganhar no ano seguinte", conta o chef João Belezia.

No Brasil, país de diversas influências culturais e, conseqüentemente, culinárias, a ceia de Natal é bastante variada. "Já incorporamos definitivamente o bacalhau e a rabanada de Portugal, o panettone e o cordeiro assado da Itália e o peru dos Estados Unidos", afirma João. "Teve uma vez que um primo meu chegou com um panettone de meio metro lá em casa, diverte-se Kris Dunlop, engenheira. Mas a família dela e tantas outras não viriam cor do bolo com frutas cristalizadas se não fosse, conforme reza a lenda, pelo padeiro italiano Tone, de Milão que, num belo dia do ano 900 d.C., criou o "pane di Tone". Mais tarde, o panettone foi trazido ao Brasil pelos imigrantes italianos após a Segunda Guerra Mundial.

Outra que tem história é a rabanada. Dizem que os portugueses aproveitavam os restos de pão duro para fazer a sobremesa. Duro ou não, cá entre nós, rabanada é uma delícia, não é verdade? Assim como o bacalhau, que também não saiu do mar direto para o nosso prato por acaso. É dito que a Igreja Católica, na Idade Média, mantinha um rigoroso calendário de jejum, excluindo da dieta dos cristãos as carnes consideradas "quentes". O bacalhau era um alimento "frio" e seu consumo, portanto, era incentivado pelos comerciantes. Com isso, o bacalhau passou a ter forte identificação com a religiosidade e a cultura do povo português.


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últimos comentários (1)

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  • mpicolin_sagitariana
    mpicolin_sagitariana comentou:
    15/04/2010 | 00:43

    Ana Tejo não participa mais do bolsa mulher


  • novo comentário

    Você
    :D


    Avise-me quando houver novos comentários nessa matéria




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