Casa e Família

Rebeldes sem causa

por Beatriz Fonseca | 18/08/2008

Limitar e repreender maus comportamentos é essencial na criação


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Rebeldes sem causa

Educar o filho é a parte mais difícil do papel dos pais. Quando crianças, eles obedecem e aceitam o que lhes é imposto, quase sempre sem protestos. Mas quando crescem... Ao tornarem-se adolescentes, parecem ignorar aqueles que antes eram vistos como seus principais aliados. Nessa época de experimentação, em que a personalidade ainda está se formando, muitos jovens passam a ter uma certa dose de rebeldia. Resta aos pais conversa, bom humor e muita, muita paciência para lidar com esta fase, sem deixar a educação de lado.

“É preciso negociar. No início, estabeleça pequenas regras, que têm que ser combinadas e respeitadas pelas duas partes”

A rebeldia é considerada praticamente uma condição da adolescência. Neste período da vida, eles resolvem testar o mundo à sua volta e, principalmente, os pais. É claro que existe uma inquietação saudável, de contestar as coisas e descobrir novos mundos. Entretanto, há jovens que apresentam um comportamento "rebelde" sem nenhum motivo aparente, transformando suas vidas e as dos familiares num verdadeiro caos. Pais e filhos travam batalhas diárias tentando impor suas vontades e, na maioria das vezes, sem chegarem a um acordo. Estas atitudes provocam sérios problemas e podem chegar a casos extremos.

A economista Solange de Souza tem uma filha adolescente de 13 anos e ficou completamente acuada pela menina. "Ela me xingava, tentava mandar em mim. Não tínhamos mais diálogos, só brigas", relata. A mãe decidiu procurar ajuda. Foi a uma psiquiatra infantil, mas uma das primeiras coisas que ouviu foi que não bastava só tratar a menina, mas a ela também. Hoje, as duas fazem análise e tudo está começando a entrar nos eixos. "Mas não é da noite para o dia, estamos caminhando juntas. Devagar, com algumas brigas, porém o mais importante é que estamos começando a nos entender. Ela está aprendendo a me respeitar e eu, a ela", diz a mãe, emocionada.

Para a psicóloga infantil Ana Iencarelli, os filhos têm estes tipos de atitudes para chamar a atenção dos pais. "Hoje em dia falta limite, a criança que não tem alguém que a repreenda provoca de alguma forma. Quanto mais solta está, mais vai querer que o adulto olhe". Segundo a especialista, desta forma o filho "avisa" que está carente, que precisa de alguém para dizer o que pode e o que não pode fazer.

A advogada Marlene Ferreira conta que, muitas vezes, liga para casa antes de sair do trabalho para falar com a filha, de 16 anos, para saber como está o humor dela. "Dependendo da resposta, fico mais tempo no escritório ou no carro, dentro da garagem, e só chego em casa depois que ela dorme, por volta das 10 horas da noite". Desta forma, de acordo com a advogada, ela evita as brigas e não se aborrece com a jovem.

Não fuja da raia

Mas será que esta atitude está certa? Segundo os especialistas, não. Para eles, fugir só deve aumentar o problema. O certo é tentar o diálogo. A psicóloga Ana Iencarelli diz que "os adolescentes mais rebeldes são os mais amedrontados", por isso aconselha que a criação de leis internas pode ser um bom caminho. "É preciso negociar. No início, estabeleça pequenas regras, que têm que ser combinadas e respeitadas pelas duas partes", orienta. Ela diz que se deve sempre falar com firmeza, mas sem grosseria. "Os filhos têm que aprender a ficar frustrados enquanto são crianças e adolescentes porque, caso contrário, não serão adultos minimamente adequados à sociedade", adverte a psicóloga.


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últimos comentários (4)

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  • veramarry
    veramarry comentou:
    13/08/2010 | 11:53

    ADOLESCENTES .... UMA IDADE MUITO PROBLEMÁTICA....MAS DEVEMOS TER PACIENCIA.


  • fofoleti76
    fofoleti76 comentou:
    12/08/2010 | 21:36

    Estou passando pelo mesmo problema, tenho uma filha de 15 anos, e não consigo ter um dialogo com ela, ela não me respeita, acha que só a critico, e não a agradeço qdo ela faz o serviço de casa, acha que eu não gosto do namorado dela, e taca na minha cara que eu não dou a minima pra ela, que só dou a tenção ao meu namorado.Diz tbm que eu não quero mais saber como foi o dia dela, que não converso com ela. Sendo que qdo conversamos, ela não gosta de saber a minha opinião, e sempre acaba em discusão.


  • lisivolpel
    lisivolpel comentou:
    15/03/2009 | 08:12

    Estou apavorada com o comportamento de minha filha de 13 anos, ela só quer sair com pessoas bem mais velhas que ela, tem um namorado de 21 anos, o rapaz até é legal mas acho muita diferença de idade, mas por mais que eu fale ela não escuta e toda vez que ouve um não fica de cara amarrada não só comigo mas com todos da casa. Dentro de casa não quer fazer nada, rodou no ano passado, o meu esposo não quer mais falar com ela por que tem medo de perder o controle tamanha a arrogância com que ela nos trata. O que mais me doi é que sempre fomos pais presentes, amorosos, "modernos", sempre tentei fazer com que ela confiasse em mim, sempre lhe disse que se tivesse qualquer dúvida, medo ou problema que podia contar comigo pois não queria que ela me visse apenas como mãe, mas sim como amiga. Não sei o que fazer, acho até que estou com depressão porque só choro e me sinto triste, magoada... Por favor se alguém poder me ajudar agradeço de coração.


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