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A dentista Sarah Fialho não imaginou que fosse ter tantos problemas com sua filha Maria Antônia. Aos três anos, a pequena não se adaptou à escola que os pais escolheram. Foi uma semana de lágrimas e muitas dúvidas para Sarah e o marido. "Ela tinha um choro esganiçado. Era desesperador! Agora eu não sei se ela não gostou da escola ou se sentiu a separação e percebeu que ia ficar em contato com pessoas estranhas", questiona ela. Imediatamente trocou a escola por outra e já agendou pelo menos uma semana para acompanhar a filha no processo de adaptação ao novo colégio. “A separação, mesmo que temporária, está doendo mais em mim do que nela. Tenho medo das possíveis reações que ela possa ter”, afirma a mamãe de primeira viagem e de primeiras angústias também.
Casos como o de Sarah são muito comuns e podem ser evitados com uma boa preparação da criança antes de ir para a escola. Os pais, sempre preocupados em fazer o melhor para os filhos, escolhem as melhores escolas, tomam várias precauções com o ambiente, mas se esquecem do mais importante: este é um novo momento da vidinha deles. Segundo a pedagoga Camila Avelino, após a pré-seleção de escola dos filhos, é imprescindível que os pais levem as crianças para conhecerem o novo ambiente e até mesmo para optar entre os locais. “A criança tem que participar deste processo. Ela deve ir ao local, perceber que aquele é um novo espaço, com outras pessoas. É um processo de ruptura que pode influenciar diretamente no aprendizado dela”, explica.
Uma boa conversa
Conversar com os filhos é fundamental para que a adaptação da criança seja plena. “Vale tudo: comprar o material escolar junto com ela, contar como foi o primeiro dia de escola dos pais... enfim, começar a colocar na cabecinha deles que esse momento é especial”, ensina Camila. A professora de dança Fátima Canabrava concorda. Mãe de Milena, de apenas dois anos e cinco meses, está desde dezembro falando da escola e fazendo associações para ajudar no processo. “Estou jogando limpo com ela. Como não poderei levá-la ao colégio todos os dias, já falei que a tia que vai acompanhá-la é tão legal quanto a tia da natação que ela adora. A Milena está achando tudo muito bacana”, afirma, aliviada.
Atenção, papais!
Mas de nada adianta tomar todos os cuidados com os pequenos se os pais também não se prepararem para a nova etapa da vida dos filhos. Muitas vezes a dificuldade das crianças começa pelo fato de os pais não aceitarem que os pimpolhos cresceram e já não dependem tanto deles quanto antes. “É uma parceria. O casal é orientador desse processo”, afirma Camila. Sarah admite que foi isso que faltou na casa dela. “Foi inexperiência total. Achei que ela ia se adaptar porque é uma criança muito sociável. Mas acho que ela percebeu que a partir daquele momento ia ser ela sozinha. Definitivamente faltou conversa”.
O mais importante nessa fase é mostrar que existem novas descobertas e desafios e que isso será bom na infância. “É um exercício de desapego. A família é o primeiro núcleo social, mas não é o único. A criança vai entrar em contato com novas regras, valores, ética. Cada lugar tem seu movimento diferente. Esta é a grande conquista”, enumera a pedagoga. Para isso, o processo de adaptação varia entre uma e duas semanas, podendo chegar a três meses. Recomenda-se que durante esse período os pais acompanhem as atividades com os filhos até que eles se sintam à vontade com os coleguinhas.
Orientação é muito importante
Entretanto, se mesmo depois de todas as conversas e cuidados seu filho não se adaptar, é recomendado a ajuda de um especialista. As escolas normalmente têm uma equipe pronta com psicólogos e pedagogos, para resolverem casos mais complicados e verificarem se é realmente necessária a presença dos pais por mais tempo na sala de aula. Mas é importantíssimo que os responsáveis não forcem a criança a ficar em um lugar que elas não se sintam bem. “Os prejuízos, nesse caso, são de ordem orgânica e os traumas mais profundos. Eles podem voltar a fazer xixi nas calças, vomitar, apresentar alergias e dificuldades alimentares. Isso é um processo e todo cuidado é importante”, alerta Camila.
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