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É meia-noite e o cachorro do seu vizinho não pára de latir. Para completar, as crianças do apartamento de cima começaram a gritar e correr, e agora parece que seu teto vai cair a qualquer momento. Calma, não precisa arrancar os cabelos. Você é só uma de muitas que juram enlouquecer por causa de problemas com os vizinhos. Tudo começa com alguns nomes no livro do condomínio ou, quem sabe, alguma reclamação por interfone. Certo casos, porém, passam do bate-boca e chegam a envolver advogados, o Juizado Especial Cível e, até mesmo, a polícia.
Aquele que disse que a "paciência é a arte de tolerar o intolerável" devia estar falando, na verdade, sobre a convivência entre vizinhos. Quem vive em prédio sabe: quase sempre as preferências de um morador não combinam com as do outro e qualquer desacordo vira motivo para declarar guerra. Na maioria das vezes, o atrito não passa de uma "interfonada" pedindo que os horários de silêncio sejam respeitados ou mesmo sugerindo para que você se desfaça do seu animalzinho. Porém, há casos mais bizarros quando, por exemplo, você precisa reclamar com seu vizinho de cima porque ele anda jogando cabelo molhado no seu basculhante.
Quando a política não funciona
No caso da contadora Vanessa Antunes, o pinga-pinga da caixa do ar-condicionado do vizinho anda acabando com o piso e com a tinta do quarto da filha. "Todos do prédio precisam limpar a caixa do aparelho sempre, porque senão entope. Não custa nada. Só que já faz oito meses que pedimos para que ele (o vizinho) limpe aquilo e continua a pingar água", explica Vanessa. "O problema é que entra água no quarto da minha filha e já tive até que retocar a pintura. Não queria, mas vou ter que procurar a justiça para pagarem pelos danos", desabafa.
Como se já não bastasse, o mesmo vizinho ainda tem o saudável hábito de molhar as plantinhas. Só que ao fazer isso, provoca uma verdadeira "enchente" na varanda de baixo, que é justamente a de Vanessa. "Uma vez, estava com meu marido na varanda e cheguei a ficar com o cabelo molhado quando caiu aquela água toda. Quando reclamamos, ele diz que ‘escorrega da mão dele'", diz a contadora, explicando que não só ela como mais outras duas moradoras também sofrem com a "enchente das plantinhas".
Normalmente, por uma questão de paz, explica o advogado Miguel Ramos, é melhor que sempre se tenha um livro de reclamações no condomínio, para que o morador esteja ciente de que está descumprindo as regras do prédio. No caso de Vanessa, quando já são oito meses de incômodo e está claro que o condomínio virou as costas para o morador, é possível pedir duas ações. "Com as devidas provas, ela pode entrar com uma ação material e moral contra o vizinho que está incomodando e também contra o condomínio, que foi omisso", explica Miguel.
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