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Não é raro ouvirmos que as filhas são "as menininhas do papai". Tudo isso é muito fofo até os 8, 9 anos. Com a chegada a puberdade, cada vez mais cedo, os pais precisam lidar com o início da vida adulta da filha que inclui: festas com as amigas, diminuição no tamanho do vestido e aumento no tamanho do salto, chegar à casa perto do horário do café da manhã e, principalmente, telefones tocando. Do outro lado da linha amigos que atendem pelos nomes de Ricardinho, Marcinho, Joãozinho e tantos outros "inhos".
Crescer faz parte do processo natural de todo mundo, na relação entre pais e filhas, muitas vezes o problema está relacionado ao medo que o pai tem não apenas da iniciação sexual da filha, mas também da sua liberdade e autonomia . "O pai é a primeira figura masculina pelo qual a filha se interessa. Só que eles se esquecem que isso é temporário e muitos têm dificuldade em admitir isso", explica a psicóloga Monica Leitão da Cunha, especialista em orientação familiar. Ela alerta que essa negação pode trazer inúmeros problemas comportamentais para as filhas tais como infantilidade ("linguagem tatibitate") ou até mesmo relacionamentos de risco com homens que não a valorizem.
"Negar que a filha tem sexualidade é um risco. Algumas delas chegam a se sabotar e muitas vezes a filha, para provar que é adulta, promove um 'ataque' a figura paterna", alerta Monica.
A jornalista Carol Figueiredo, de 33 anos, é uma das que sofreu um pouco com as crises de ciúmes do pai. Na adolescência ela foi morar com o progenitor após os pais terem se separado.
"No Carnaval meu pai chegava a ir ver onde eu estava, aparecia na frente dos meninos. Certa vez ele saiu de casa de pijama porque eu não cheguei no horário combinado", conta Caroline que também sofreu com os boicotes às ligações promovidas pelo dono do lar. "Ele me blindava, pergunta quem era, de onde me conhecia, eu tinha restrições como não ir à casa do namorado a não ser que fosse com outros amigos", prossegue ela que só aos 24 anos pôde levar o parceiro para dormir em seu quarto, mas em camas separadas, é claro. A "paranoia" foi tão grande que o pai de Carol chegou a cogitar a levar a filha ao médico para comprovar se ela era virgem, isso quando ela já tinha 20 anos.
O pai da advogada Natalia Caroline é do tipo que "faz cara feia", foi assim com o último namorado da jovem que ele não aceitava e chegava, pasmem, a sair da sala quando o rapaz adentrava. Hoje a situação é outra: "Ele tem muita confiança no meu atual namorado e eles se dão superbem", garante ela que ainda hoje não tem muito diálogo com o pai por ele ser do tipo "caladão, na dele".
A queixa é a mesma de Carol, que mesmo hoje tendo ótima relação com o pai ainda tem restrições quanto ao tema. "Nem tudo precisa ser contado, naturalmente", afirma Monica que faz questão de frisar que a linha tênue que separa a parternidade da amizade é fundamental. "O pai não pode invadir a privacidade, não precisa ter riqueza de detalhes de como é a vida sexual da filha, mas ele deve se preocupar se ela está feliz, se o rapaz com que ela está a respeita e, principalmente, se ele a valoriza", ensina a especialista.
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