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comentários (0)Algumas vezes passamos a vida inteira convivendo com aparelhos eletrodomésticos e nunca sequer nos questionamos sobre eles. Invenções do século, a televisão e o micro-computador estão sempre em rodas de debates. Este não é o caso dos fiéis fogão e geladeira, que passam despercebidos. Mas a verdade é que eles têm ganhado cada vez mais importância na sociedade moderna. Estão práticos e funcionais como nunca e podem ser adquiridos nos mais variados tamanhos e designs.
Confira os modelos no slideshow
Mas como tudo começou? E como chegou ao que é hoje? A historiadora Renata Serrado conta um pouco desse desenvolvimento: "Na Antiguidade, o fogão era, na verdade, um buraco feito no solo, onde se colocava o fogo, e pedras faziam vezes de apoio para as panelas. Os modelos mais parecidos com os que existem hoje começaram a surgir depois da Revolução Industrial", comenta.
Assim, aos poucos, foram evoluindo. Primeiro foram os fogões de barro, depois os de metal e a lenha foi substituída pelo carvão. Mais tarde, com a possibilidade de se refinar o petróleo foi a vez da nafta, que deu lugar ao próprio petróleo e, finalmente, ao gás de cozinha. Atualmente, os mais modernos são elétricos ou possuem um misto de eletricidade e gás.
Marcelo Gismonti, projetista da empresa Roma Mobili, afirma que a cozinha se tornou parte integrante da vida das pessoas: "Hoje, há um hábito de brincar de ser chef, bolar receitas e cozinhar para os amigos, e até com eles. Então, eletrodomésticos como fogões e geladeiras não são mais adquiridos somente em função da empregada que vai manuseá-los", afirma.
Ele diz também, que por conta dessa valorização do espaço da cozinha, se paga mais caro para ter aparelhos que se destaquem. Com isso, há cerca de três anos, começaram a surgir modelos mais variados e os clientes aprovaram essa inovação.
O designer de produtos da empresa Tresele e diretor da Ideaocubo Anderson Domingos vai além. Ele diz que foi o próprio consumidor quem forçou a indústria de eletros a se atualizar e personalizar os modelos. "Com o aumento da violência e da busca por melhor qualidade de vida, as pessoas estão saindo menos e têm se voltado cada vez mais para suas casas. Além disso, o estresse causado pelo trabalho faz com que elas queiram alcançar satisfação dentro de seus lares, que foram transformados em ninhos", comenta.
Para todos os gostos
Já a geladeira moderna é uma atualização das antigas caixas de gelo, que congelavam os alimentos utilizando gelo natural produzido durante o inverno em regiões frias. Em termos de equipamento, o australiano James Harrison foi pioneiro ao construir, em 1865, uma máquina que realizava a função refrigeradora. Ela já funcionava à base de compressão, como os refrigeradores atuais. Daí para as peças domésticas foram mais 48 anos: só em 1913 surgiu o primeiro exemplar.
Ao contrário do fogão, a geladeira não sofreu muitas alterações em termos tecnológicos ao longo dos anos. Sim, elas hoje são manuseadas de forma mais prática - ganharam inúmeros compartimentos, possibilitando separar os alimentos das bebidas e conquistar espaço; também incorporaram funções moderninhas como "descongelamento rápido" e "gelo automático". Porém, a principal mudança observada é realmente em relação ao design: longe de serem quadrados e sem graça, os modelos atuais estão disponíveis em diversas cores e em tamanhos que se adaptam perfeitamente ao seu projeto. Mesmo se o seu desejo for ter um item idêntico ao que era moda na década de 60, tudo é possível.
Muitas pessoas moram sozinhas, e em apartamentos com ambientes reduzidos, por isso era importante buscar alternativas para solucionar o problema de espaços pequenos. Mas a questão também já foi resolvida quando empresas fabricantes de eletrodomésticos lançaram linhas especiais de refrigeradores. Ao perceberem que haveria mercado para absorvê-los, os compactos finalmente ganharam seu espaço.
Hoje, de fato, há opções para os mais variados estilos. Há quem faça a linha retrô, mais "cult" e sofisticada; existem os adeptos do natural, ecologicamente corretos; o consumidor "hi-tech", que devora as tendências; e há sempre aquele que opta pelo básico. Anderson Domingos acredita que entender os valores do público se tornou essencial para as indústrias produtoras, e que o grande desafio é que consigam produzir em massa esses equipamentos personalizados. "Hoje, um projeto de cozinha não pode só ser funcional, ele comunica o estilo da pessoa dentro daquele ambiente em que ela vive. Os aparelhos têm valores agregados, dão status e devem ser a extensão da personalidade do dono da casa", finaliza.

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