O prazer de ser mãe

Elas despertaram mais tarde para a maternidade. E não se arrependeram
por admin

"Quando um filho nasce, nasce também uma cachoeira que transborda nosso amor para fora. Como se de cada poro surgisse uma fonte de água limpa, de afeto claro e transparente. Hoje sou uma pessoa sem fronteiras, amo por todos os lados. Vou agradecer eternamente a meu filho por me permitir este amor infinito, transbordante. Ser mãe é ser árvore, é ter a firmeza e a tranqüilidade de fincar os pés no chão, e ver seus galhos e frutos ganhando o mundo". Esta é a definição da filósofa Viviane Mosé para maternidade. Ela, como muitas mulheres, descobriu o prazer de ser mãe, mesmo que este não fosse um desejo, uma possibilidade concreta no passado, seja pelo foco único e exclusivo para o trabalho, pelo desejo de liberdade, medo de responsabilidade etc. Ah, mas quando o relógio biológico despertou, elas deram mão à palmatória e hoje curtem a maturidade e a experiência de serem MÃE. E nós, no Dia Internacional da Mulher, não podíamos deixar de contar essas histórias!

Talvez Viviane nem pudesse viver tão intensos sentimentos como este. Ela lembra que a maternidade nunca foi uma meta na sua vida. Sonho mesmo era "ter uma carreira, viajar, ser independente". Mas a vontade do marido em ser pai ajudou a convencê-la. "Eu cheguei a pensar que não saberia ser mãe, que não conseguiria desempenhar bem este papel, mas Daniel [Rocha, diretor de cinema e vídeo] me convenceu do contrário e hoje eu o agradeço todos os dias por isso", afirma a filósofa.

Além da alegria da maternidade, a gente muda de muitas formas. É um processo complicado. Há alegrias, sim, mas uma mudança de valores, medo. São mudanças conscientes e inconscientes. É preciso viver isso com intensidade e sabedoria

A antropóloga reconhece que a vida mudou depois do nascimento de Davi, hoje com quatro anos. "Meu filho tornou minha vida mais bela, agora todas as coisas que faço, e que gosto (meu trabalho, minhas atividades artísticas) são iluminadas pela existência dele. Chegar em casa e vê-lo é a grande alegria, a que completa todas as outras", revela. Segundo Viviane, tornar-se mãe contribuiu com o casamento, as amizades e até com o trabalho. "Acho que aprendi a esperar e servir".

A fotógrafa Marize Andrade, 41 anos, viveu intensamente a dúvida entre ser ou não ser mãe. Ela nunca teve rotina, nem lugar fixo para morar. Rodou o mundo a trabalho, fotografando pessoas de todas as culturas. Mas foi durante uma estada no Senegal que ela percebeu que era preciso correr caso quisesse ter um filho. "Estava num lugar muito distante, fazendo umas fotos para uma revista de viagem. Um dia, no acampamento, fomos surpreendidos por um grito de socorro - era uma mulher que estava com dificuldades na hora do parto. Tudo ali era muito precário e esta mulher sofreu durante horas para o bebê nascer, num misto de lágrimas, dor e desespero. Mas, quando a criança nasceu, o brilho dos olhos, o choro de alegria e a vitória depois de tantas dificuldades me comoveu. Ali eu pensei: 'ou tenho filho agora, ou nunca mais'", conta, arrepiada.

Entretanto, as coisas não foram tão simples. O então namorado era pesquisador e também não tinha endereço fixo. E o relacionamento não andava lá essas coisas. "Ele não tinha perfil de marido, sabe?", diverte-se a fotógrafa. Para piorar, Marize já estava com 38 anos. "Tudo conspirava contra. Estava no auge da minha profissão, sendo chamada para diversos trabalhos maneiros, me separei e, o pior, o relógio biológico chamando. O panorama era desesperador e já estava pensando que iria curtir os filhos dos outros, não os meus", lembra ela.

Mas, numa das viagens a trabalho, ela conheceu Richard, um designer dinamarquês. "Eu praticamente disse para ele: 'ou vamos ter logo um filho ou então nem é melhor começar o namoro'", diz, às gargalhadas. Quando Marize estava com 40 anos, nasceu Juliano e, com ele, uma nova etapa de vida. "Endereço fixo, rotina e uma perspectiva, antes muito distante", reconhece a fotógrafa, que abriu um estúdio em parceria com o marido, no Rio de Janeiro. "Ainda não estou trabalhando 100%, estou me permitindo curtir este momento. Além da alegria da maternidade, a gente muda de muitas formas. É um processo complicado. Há alegrias, sim, mas uma mudança de valores, medo. São mudanças conscientes e inconscientes. É preciso viver isso com intensidade e sabedoria".

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