comentários (0)Natal é tempo de juntar a família, comilança, festejos e... presentes! Quem tem filhos pequenos sabe que a compra dos brinquedos não é tarefa fácil. Tudo começa com a famosa listinha - ou talvez listona – para o Papai Noel, e uma carinha fofa de quem aguarda pela chegada do bom velhinho, devidamente munido pelo saco recheado de surpresas. Mas basta dar início às compras para perceber que os tempos – e os preços – mudaram. São bonecas que falam e reconhecem a voz da criança, carrinhos motorizados que sobem pela parede, protótipos de computadores que tocam música, e a nova boneca mais disputada do mercado. É aí que surge a dúvida. O que dar de presente para os filhos?
Render-se aos pedidos dos pimpolhos é uma tentação, mas antes de sair comprando tudo o que eles pediram – afinal, é Natal –, considere os conselhos de quem tem experiência no assunto. Silvana Martani, psicóloga clínica, atenta para a necessidade de adaptar os pedidos das crianças à condição financeira dos pais. "Os menores geralmente fazem listas enormes de pedidos. Já os maiores pedem com mais critério. Mas seja o que for que eles queiram, deve-se comprar apenas o que estiver dentro do orçamento. Pergunte, de todos da lista, qual eles mais gostariam de ganhar. A criança aprende fazendo escolhas. Tive um cliente que, durante anos, queria porque queria ter um cavalo. Até que ele se tocou que morava na cidade, e não podia ter um cavalo", conta Silvana, mostrando a importância de podar as asinhas de imaginação.
Famílias abastadas devem tomar cuidados redobrados. A tentação de realizar todos os desejos deve ser controlada. “Não é porque os pais têm condições que podem sair comprando. Eles devem pensar se o brinquedo é adequado para a faixa etária da criança, além de procurar adquirir alguns lúdicos, que ajudem no desenvolvimento infantil. Mas não vejo empecilho algum nos videogames e computadores. O problema é ficar só nisso. Se a criança tiver um horário determinado para essas atividades, presentear com um brinquedo eletrônico é muito legal. Mas dê também os educativos, que os façam pensar”, sugere Silvana. Opções para todos os bolsos não faltam: jogos da memória, quebra-cabeças e pega-varetas são baratinhos, e sucesso garantido entre os pimpolhos.
Flavia Klinger é psicóloga, e há onze anos abriu uma loja de brinquedos educativos, a Enfim Enfant, no Rio de Janeiro. Apesar de sua formação, Flavia não se prende à função pedagógica dos brinquedos. “Escolhemos os brinquedos de acordo com um critério muito próprio. Tentamos pensar no que a criança gostaria, pois isso é o mais importante. Se ela brincar e se concentrar, ótimo!”, afirma Flavia. Apesar disso, a Enfim Enfant não é uma loja qualquer. “A idéia é ser uma alternativa bacana para as brincadeiras. Acho o videogame uma loucura. As crianças ficam hipnotizadas por horas na frente da tela. Isso não estimula a imaginação, além de ser muito limitado. Mas com o que eles brincavam antes de inventarem o videogame? Com o que tinha, ora! Alguns vêem um pião, mas nem sabem o que é. Já os pais ficam fascinados. Nossos brinquedos são atemporais”, diz, em meio a fantoches, bolas de gude e casinhas de madeira.
A nostalgia que esses brinquedos geram nos pais é freqüente. Mas nem por isso eles devem esperar que a nova geração goste das brincadeiras que marcaram sua infância. “Os pais precisam parar com esse saudosismo de que a infância deles era melhor. A infância de hoje é legal sim. Só que existem novas formas de estimulação, além de mais variedades do que antigamente. São momentos culturais distintos”, analisa Silvana Martani. E acrescenta: “O que não dá é pra ficar na frente da televisão todo santo dia. Tem que pular uma corda. Atendo muitas crianças obesas. Mudar os hábitos vai depender dos pais. Criança larga qualquer coisa para fazer um programa legal, basta oferecer uma alternativa atraente”. Se você quer incentivar seu filho a praticar atividades físicas, opções de presentes legais não faltam: patins, camas elásticas, bicicletas, cordas de pular, petecas ou uma simples bola resolvem o problema, e ainda os mantêm entretidos por horas.
Casa de bonecas
Toda mulher teve uma boneca que marcou sua infância. Algumas chegam a guardar as preferidas para as filhas que um dia terão. Apesar da infância ser cada vez mais curta, elas continuam brincando, e muito. Seja de plástico, de pano ou de cera, boneca sempre faz sucesso no Natal. Moranguinho, Repolhinho, Suzi e Polly. Cada geração teve a sua moda, mas a Barbie é sempre a favorita. Patrícia Arruda está a poucos meses de completar 12 anos, e continua sendo fã das bonecas. “Pedi uma Barbie Happy Family de Natal. Ela vem com um bebê e com um cachorrinho. Também gosto de jogos, mas queria mesmo era essa boneca. Não brinco no colégio porque não deixam levar brinquedo, mas em casa brinco com a minha irmã”, conta a menina.
Na opinião da psicóloga Silvana Martani, brincar de boneca é saudável e importante. “A boneca se torna um amigo oculto para as meninas, uma companhia com a qual até conversam. Mas chega uma idade em que elas ficam com vergonha. Continuam brincando, só que escondido”, afirma Silvana. E dá um conselho para os pais que pretendem presentear com um exemplar: “É um erro dar uma boneca nova, esperando que a criança aposente a antiga. Não se substitui um boneco velho por outro. As meninas se apegam, principalmente às mais velhas”, explica Silvana.
Apesar de todo mundo adorar ganhar presentes, e de todo o esforço que fazemos para deixar os filhos felizes, não podemos nos esquecer do verdadeiro significado da data. Silvana faz questão de recordar a importância do Natal. “A tradição é o que valoriza o presente. Os pais devem explicar que o objetivo não é o presente. A simbologia é muito importante, assim como montar uma árvore, colocando os presentes debaixo dela. É também uma forma de permitir que a criança viva a fantasia”, explica. Agora só resta esperar pela chegada do Papai Noel.
Bolsa de mulher © 2000/2012 | Direitos Reservados
ou Cadastre-se