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Contratar uma babá não é tarefa simples. Só de pensar que a profissional vai passar um tempo considerável com o seu filhote e, em muitos momentos, ficará sozinha com ele, dá um certo arrepio. Sem fazer alarde, é preciso ser realista: nem sempre a escolha é boa. Casos de maus tratos podem acontecer não só com a pessoa que cuida do seu filho, mas com outras que têm contato com ele. Os especialistas são unânimes ao dizer que crianças não mudam o comportamento à toa. Ao menor sinal, os pais devem tomar providências. A atenção dos adultos que cercam a criança é fundamental para reconhecer que algo não vai bem.
Nesta primeira reportagem sobre abusos contra a criança, aprenda sobre os tipos de maus tratos, como detectá-los e o que fazer se eles são descobertos.
O medo de denunciar
No Brasil, existem poucos estudos sobre o assunto, o que dificulta visualizar a dimensão do prejuízo social e emocional que os maus tratos acarretam à criança. Entretanto, uma pesquisa sobre o tema, desenvolvida entre 1996 e 2007 pela Universidade de São Paulo (USP), apontou uma estatística alarmante: os órgãos responsáveis receberam mais de 49 mil denúncias envolvendo todo o tipo de violência. E o pior: estima-se que este número seja somente 10% dos casos reais. "As pessoas têm medo de denunciar", diz a psicóloga Vânia Garcia.
Reconhecendo os sinais
Os bebês se expressam através do choro e de alterações no sono. "É perceptível quando ele está inquieto", garante Vânia. Quando a criança é maior, a mudança na conduta aparece através de outros indícios. Segundo a psicóloga, queda no rendimento escolar, falta de apetite, agressividade, introversão, instabilidade afetiva, medo de algumas pessoas e dificuldade de relacionamento são vestígios de um problema.
Veja dicas de especialistas para escolher uma babá ideal
"A criança fica arredia ao toque, mesmo se um carinho. Tem terror noturno, por vezes mutismo seletivo, irritabilidade, medo na ausência dos pais", lista psicóloga Cinthia Polycarpo. Essas variações no comportamento podem evoluir para problemas psicológicos como transtornos de ansiedade, síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo, depressão, diminuição da atenção.
Como evitar
Um bom caminho para evitar problemas é o diálogo. Os pais devem deixar claro para os pequenos quais são as atitudes esperadas da babá e, principalmente, aquelas que não são permitidas. Dessa forma, diante de uma situação atípica, o filho sente-se à vontade para relatar aos pais o ocorrido.
O melhor é conversar com a criança e saber como foi o seu dia ao lado da babá. "É de extrema importância que os pais mantenham um diálogo aberto com seus filhos e que sempre os certifiquem de que, por mais errados que eles estejam em alguma situação, poderão contar com os pais", observa Cinthia.
Os pais devem observar as atitudes da babá. Quando a profissional evita deixar a criança por muito tempo sozinha com os pais, desconfie. "A babá que pratica maus tratos geralmente se mantém por perto como forma de ameaça para a criança. É, aparentemente, muito amável e pouco se sabe sobre sua vida", analisa a especialista.
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