No tempo em que nossos avós eram bebês, infância significava brincadeira: pipa, pião, amarelinha, casinha... Agora, a criançada já é ocupada desde cedo: faz aula de inglês, natação, guitarra, informática, antes mesmo de tirar as fraldas. Além da preocupação com o futuro dos filhos, os pais têm também interesse em ocupar o presente da melhor forma. Afinal de contas, fazer um esporte ou aprender a tocar um instrumento é muito mais saudável do que ficar o dia todo assistindo a desenho animado na televisão. Mas é preciso tomar cuidado para não exagerar na dose. Com tantos compromissos na agenda, seu filho pode acabar se tornando realmente um Ph.D. - só que em estresse mirim.
Cursos, esportes e mais a obrigação diária da escola. Vida de criança moderna não é fácil e agrega-se a isso tudo a inclusão digital - necessidade básica nos dias de hoje. A jornalista Amanda Tavares confessa ter ficado surpresa quando viu uma apresentação de um trabalho da filha em Power Point. "Nem acreditei que ela que tinha feito. Fiquei impressionada! Ela só tem 12 anos e sabe fazer até planilha em Excel! Eles pegam intimidade com o computador desde cedo, são incentivados na própria escola", comenta Amanda.
Está certo que colocar o filho para fazer atividades, se desenvolver, desenvolver um círculo de amizades, etc., etc. é muito importante. Mas para oferecer isso tudo a ele, existe um fator crucial: a logística. Para quem trabalha e não conta com uma equipe de apoio com babá e motorista, é bem mais problemático pautar a educação do filho. "Tem mãe que não trabalha fora e pode ficar o dia todo à disposição da criança. Para mim, é um pouco mais complicado. Não quero apenas matricular minha filha nas atividades, quero também levar, buscar, dar assistência", conta a advogada Karla Ferreira.
“Ela só tem 12 anos e sabe fazer até planilha em Excel!”
Só que mesmo com a vida corrida, Karla dá um jeito de acompanhar a filha também no teatro e na capoeira. "Ela que me pediu, as amiguinhas começaram a fazer e ela acabou se interessando. Já fui assistir à primeira peça. Ela era o anão zangado da Branca de Neve e se saiu muito bem - se soltou, falou alto. Já na capoeira, ela aprende uma cultura diferente, sabe o limite entre uma luta e um jogo, ouve o ritmo do berimbau", diz a mãe, acrescentando que a menina começou a cantarolar as músicas em casa e o pai ficou com vontade de colocá-la na aula de canto. "Mas aí já seria demais. Ela só tem quatro anos!", pondera.
Mas uma coisa é certa: as crianças têm mais facilidade de aprendizado. Por isso é tão importante que elas recebam estímulos dos pais desde pequenininhos. "O estímulo é tudo que é oferecido ao bebê, desde alimentação, informações e afeto. Uma criança que se sente amada, é amamentada, dorme bem e é estimulada pelos pais, tem mais chance de ser um adulto inteligente. O desenvolvimento neurológico da criança é impressionante. O cérebro dobra de tamanho no dois primeiros anos, é o maior crescimento de toda a vida", explica a pediatra Mônica Checchia.
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