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Constatar a independência do filhote não é um processo fácil. Desde o nascimento do pequeno, amamentá-lo era um momento de contato direto e intensa troca. Ainda frágil, o baixinho necessitava dos cuidados exclusivos da mãe para crescer de forma segura e saudável. Com o passar o tempo, passou a apresentar outras necessidades alimentares que você já não era capaz de suprir. Foi, então, que o leite materno diminuiu e precisou sair de cena para a entrada de outros alimentos no cardápio da criança. E agora?
"Cortar o laço criando pela amamentação entre mãe e filho não é simples. Mas o desmame é necessário para não causar uma dependência excessiva e não saudável da criança com relação à figura materna - o que atrapalharia sua evolução normal. Além disso, outras formas de alimentação e carinho darão lugar ao aleitamento. Faz parte natural do processo de vir ao mundo", garante a psicóloga Kátia Ricardi de Abreu.
Quando a mãe aceita esse processo de separação, a experiência pode se tornar muito mais fácil para o bebê. "Ao se fixar numa etapa do desenvolvimento da criança, como se as posteriores não fossem agradáveis ou engraçadinhas, resulta em uma criança que sente a mesma coisa. Por isso, aceitar cada etapa de evolução é um dever da mãe, que vai passar esse sentimento para o filho", revela Kátia.
Alimento completo
Os especialistas garantem: para que o período de desmame seja uma vivência tranquila para mãe e bebê, a amamentação até os seis meses de vida deve ser feita, exclusivamente, com o leite materno. "Ele tem nutrientes para todas as necessidades do bebê. Contém agentes imunológicos da mãe que protegem a criança de doenças infecciosas, crônicas e diarréias, além de fortalecer a musculatura da face e da boquinha, prevenindo problemas futuros na fala e no aparecimento dos dentes", afirma Priscila Spiandorello, nutricionista funcional da Clínica Carla Albuquerque de Dermatologia, em São Paulo. Até a mamãe sai ganhando. "O aleitamento contribui para a saúde materna reduzindo os riscos de desenvolvimento futuro de câncer de ovário e mama", completa a especialista.
Sem falar no forte vínculo que é criado entre mãe e filho: "A amamentação não trata apenas de matar a fome do alimento, mas a fome de estímulo e carinho. É uma forma de dar equilíbrio emocional ao bebê já nos primeiros meses de vida", enfatiza Kátia. Tamanhos são os benefícios do aleitamento materno que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda-o, após os seis meses de vida, como alimentação complementar da criança até que ela complete dois anos. "Ele continua a fornecer metade das necessidades infantis durante a segunda metade do primeiro ano e até um terço durante o segundo ano de vida", justifica Yara Ota, pediatra da UTI neopediátrica do Hospital Sepaco, em São Paulo.
Buscando outras fontes de nutrientes
Com tantos motivos, fica claro porque desmamar a criança precocemente pode ser extremamente prejudicial ao seu desenvolvimento. "Antes dos seis meses, o sistema digestivo da criança ainda não está preparado para receber outros alimentos. Se isso ocorre, podem surgir alergias alimentares e até mesmo doenças crônicas como a obesidade", exemplifica Priscila. "Além disso, aumenta-se o risco de infecções e diarréias, altera-se o ritmo de crescimento, há ganho de peso, ruptura antecipada do vínculo mãe-bebê e prejuízo das funções de mastigação, deglutição, respiração e fala", enumera Yara.
Por outro lado, após os seis meses de vida, o desmame torna-se extremamente necessário. "O que ocorre é que o bebê nasce com uma reserva de ferro suficiente, apenas, até o sexto mês de vida. Como o leite materno não é uma boa fonte férrica, ele precisa de outros alimentos ricos nesse mineral e em nutrientes que, agora maiorzinho, passa a necessitar", explica Priscila. Mas qual a forma certa de fazê-lo?
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