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Casa e Família

Gravidez na adolescência - 25/09/2009

Redação

Muitas meninas sonham, um dia, em ser mãe. Mas esse sonho pode vir acompanhado de dificuldades se a gravidez acontece em uma fase da vida em que elas ainda não estão preparadas para a maternidade. Por isso, aproveitando que 26 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência, reunimos as histórias de adolescentes que se tornaram mães e que contam como um filho mudou suas vidas. Não é nada fácil.

Teste: você está preparada para ser mãe?

Felizmente, o número de adolescentes grávidas vem diminuindo no país. Nos últimos dez anos, a quantidade de partos em meninas entre 10 e 19 anos caiu 30,6% no Brasil. Isso quer dizer que informação existe, mas, ainda assim, elas se descuidam e não usam métodos anticoncepcionais na hora das relações sexuais.

[olho]A adolescente que não estuda não conseguirá um bom emprego, fica sem perspectivas para o futuro, tem a autoestima abalada e, dependendo da situação financeira da família, a gravidez acaba criando problemas sociais complexos[/olho]

"Em pleno século XXI, meninas não ficam grávidas por desconhecerem os métodos contraceptivos. É por não usá-los da forma correta, seja por amor ao namorado, que se recusa a usar a camisinha, seja pelo esquecimento da pílula e até mesmo pelo pensamento de que nada vai acontecer justamente com elas. Informação existe, o que falta é juízo", destaca a ginecologista e obstetra Denise Coimbra.

Foi justamente por não usar o preservativo que Tamires Santana, 18 anos, ficou grávida aos 15. "Eu não planejava ser mãe tão cedo, mas foi um deslize meu e do meu namorado na época. Acabamos não usando camisinha", conta.

Apesar de não terem se prevenido, Tamires teve uma surpresa quando soube da gravidez: "Fiquei muito chocada, a ficha demorou a cair. Eu não queria ser mãe e, por isso, acabei descuidando da gravidez. Só fui iniciar o pré- natal com quatro meses de gestação, mas em nenhum momento pensei em tirar a criança".

A barra pesou ainda mais para o lado dela, já que a família não a apoiou e o relacionamento com o pai da criança não foi adiante. "Meus pais ficaram muito decepcionados quando souberam da gravidez. Durante um tempo, meu pai até parou de falar comigo. O meu ex-namorado ficou feliz quando soube, mas nos separamos logo depois que o nosso filho nasceu e hoje eles têm uma relação distante e fria", lamenta Tamires.

A vida muda

Ser mãe exige muitas responsabilidades. Como uma adolescente não costuma estar preparada para isso, um dos principais problemas da gravidez nessa fase da vida é que as meninas param de estudar. "A adolescente que não estuda não conseguirá um bom emprego, fica sem perspectivas para o futuro, tem a autoestima abalada e, dependendo da situação financeira da família, a gravidez acaba criando problemas sociais complexos", destaca Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, entidade de educação e estudos sobre sexualidade, em São Paulo.

Foi isso o que aconteceu com Jordana Machado, 19 anos. Ela parou de estudar após concluir o terceiro ano do Ensino Médio por causa da chegada de seu primeiro filho, aos 18 anos. A gravidez na adolescência é, aliás, uma das principais causas de abandono escolar entre meninas de 15 a 17 anos.

"O nascimento do meu filho mudou completamente a minha vida. Eu tinha planos de estudar, fazer faculdade e trabalhar. Queria ter uma vida como a de todas as meninas da minha idade. Mas, de uma hora para a outra, tive que deixar de ser adolescente para ser mãe. Não foi nada fácil", conta Jordana.

Segundo Maria Helena Vilela, os principais prejudicados pela irresponsabilidade dos pais acabam sendo os próprios bebês, já que essas jovens mães e também os pais ainda não estão preparados para cuidar de uma criança. "Em famílias de menor poder aquisitivo, quase sempre as jovens grávidas saem da escola e são largadas pelo namorado. A mãe ou a avó da menina acabam ficando responsáveis pela criança. Nas famílias mais ricas costumam contratar babás para ajudar a criar o filho da jovem", revela a diretora do Instituto Kaplan.

Apesar dos problemas, Jordana não perdeu as esperanças e faz planos para o futuro. "Eu e o pai do meu filho pretendemos nos casar no ano que vem. Ainda quero fazer faculdade. Tenho que pensar no meu futuro e no do meu filho", diz.

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