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Casa e Família

Geração web 2.0 - 05/02/2009

Andressa Motta

Hoje, nenhum de nós se vê sem as ferramentas e as facilidades que a tecnologia oferece. Comodidade para nós, normalidade para os pequenos, que já nasceram conectados à vida moderna. Mas essa ligação com o mundo geek mudou as relações familiares, sociais e até profissionais. E resultado disso não poderia ser diferente: as crianças viraram consumidores antenados e exigentes - um nicho de mercado de TI que cresce na mesma proporção que elas.

Quantas crianças e jovens não acabam virando "professores" dos pais e avós à frente do computador? Não à toa, muitos produtos e programas vêm sendo desenvolvidos com foco no público infantil. São notebooks, sites exclusivos e temáticos, games em desenhos animados, uma série de atrações no universo tecnológico pensadas exclusivamente para os pequenos usuários.

[olho]Nessa fase, qualquer programa pode ser educativo, como os de textos, de desenho, sons e animação. Esse tipo de trabalho ajuda no desenvolvimento da concentração e na percepção da criança de como fazer aquilo funcionar[/olho]

Para a pedagoga Ana Beatriz Pereira, a realidade não permite ignorar a existência desse tipo de ferramenta na educação infantil. De uma forma ou de outra, a criança irá acessar este recurso em um determinado momento. Aos pais e professores, a dica é enxergar as possibilidades que existem no aproveitamento dos benefícios oferecidos pela tecnologia e fazer o melhor uso possível dela.

É o que acontece na escola onde Ana Beatriz trabalha, no Rio de Janeiro, a Curiosa-idade. Lá, assim como se vê em muitos outros colégios atualmente, as crianças iniciam o contato com o computador e os softwares logo após largarem as fraldas. "Elas têm atividades de informática em duplas desde os três anos de idade. Nas primeiras interações, a criança percebe que a ação dela provoca uma reação no computador. Nessa fase, qualquer programa pode ser educativo, como os de textos, de desenho, sons e animação. Esse tipo de trabalho ajuda no desenvolvimento da concentração e na percepção da criança de como fazer aquilo funcionar", explica.

Na rede

Existe hoje uma série de sites disponíveis na internet que oferecem recursos como animação, desenhos em quadrinhos e jogos de raciocínio e lógica, como o jogo da velha ou da memória. Em geral, os ambientes são bastante coloridos e com personagens que interagem com as crianças. Felipe Dianese é diretor cinematográfico e produtor do Canal Kids, portal que está no ar há mais de oito anos e recebe em média 25.000 visitas por dia. Para ele, o sucesso desse tipo de site está na interação, em estar onde as crianças estão, e em usar a linguagem que elas usam. "Pesquisamos o que as crianças querem em nosso Canal Kids Club e depois produzimos. Aplicamos o nosso expertise em linguagem visual, como, por exemplo, no CineKids, onde ensinamos as crianças a editarem um filme", comenta.

Os atrativos do ambiente digital são variados e seria impossível listar aqui tudo o que se pode encontrar navegando pela internet. Um bom exemplo é o Iped Kids, um site de cursos online, em que os pequenos apreendem o conteúdo interagindo com personagens, que os incentivam ao estudo durante a apresentação das animações. "O site é visto como um momento de diversão, onde as crianças conseguem estudar brincando e conversar com os amigos. Elas se sentem motivadas diante dos recursos tecnológicos e visuais. E no durante a realização do curso, se mantêm focadas nas atividades propostas", conta Fabio Neves, do grupo Iped.

Aproveite as novidades

Outro grande atrativo destacado por Ana Beatriz Pereira é a facilidade de recriar trabalhos que o ambiente tecnológico propicia. "Especialmente para as crianças mais velhas, que começam a produzir conteúdos, como os textos, por exemplo. Se houver erro, o acerto é imediato e o trabalho não fica sujo ou rasurado. São recursos como esse que os educadores precisam usar. Ter a oportunidade de olhar a Terra ou a cidade onde eles moram por cima, através de mapas virtuais, é o máximo!", enfatiza.

Como as mudanças tecnológicas e o acesso à web se popularizaram rapidamente, existem informações desconhecidas e publicações irresponsáveis, como alerta Felipe: "Pais e educadores devem procurar cada vez mais conteúdos seguros e confiáveis para os seus filhos. É muito pouco o material nacional de qualidade e verticalizado disponível a esse segmento", adverte.

Outros cuidados importantes devem ser tomados pelos responsáveis, especialmente quanto ao tempo de uso das ferramentas tecnológicas ou à substituição de atividades lúdicas comuns - como as brincadeiras de rua e entre amigos na escola - pelo computador. Não se deve proibir nem liberar o acesso ininterruptamente. Manter o equilíbrio é sempre a melhor dica.

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