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Acordar, estudar, praticar esportes, aprender inglês e fazer aulas de reforço fazem parte de uma rotina perfeita que você imagina para o seu filho. Mas realizar esse desejo demanda dinheiro e tempo, recurso mais escasso hoje em dia. Pais com agendas mais lotadas do que gostariam têm encontrado nas escolas em tempo integral uma solução para ocupar proveitosamente o dia das crianças. A dúvida que surge é: como fica a educação quando são os professores e amigos do colégio os mais presentes na vida delas?
Na Europa e nos Estados Unidos, essa categoria de ensino é modelo. A ideia é proporcionar experiências enriquecedoras, estimular a convivência e aprofundar o conhecimento. "Se for uma pedagogia bem planejada, quanto maior o tempo de aprendizado, melhor. Não pode cair no assistencialismo e nem transformar o horário extra somente em atividades extracurriculares, tem que saber dosar", destaca a educadora Guiomar de Mello.
Vantagens
Coordenadora de educação infantil integral do Centro Educacional da Lagoa (CEL), no Rio de Janeiro, Vitória Padilla cita as vantagens da escolha: "Além da parte pedagógica, a escola oferece aulas de reforço, prática de esportes, estudos dirigidos e aulas de línguas estrangeiras. Esse acompanhamento escolar faz com que os alunos criem a sua rotina diária de estudos, com horários definidos. Tudo pensado cuidadosamente para aprimorar o aprendizado".
Antes de tudo, os pais devem ter a consciência de que horário integral não significa internato, cujo conceito sugere uma educação total, já que as crianças residem na escola. "A escola não pode abraçar toda a responsabilidade, senão ficará sobrecarregada. A educação deve ser compartilhada, o pai e a mãe são os maiores educadores", distingue Guiomar.
Para as crianças, a diferença é que a instituição de ensino deixa de ter a imagem de "chata" e "demorada". "Como tudo é feito de maneira lúdica e prazerosa, ela nem percebe o aprendizado e a figura dos pais como educadores continua intacta", analisa Vitória Padilla, coordenadora de educação infantil integral do Centro Educacional da Lagoa (CEL), no Rio de Janeiro.
Para que esta simbiose seja perfeita, a linguagem entre os pais e a coordenação pedagógica deve estar afinada. "É necessária que haja essa afinidade de ideias. Caso contrário, a criança não saberá que discurso seguir e isso pode gerar um conflito muito grande dentro dela", destaca a psicóloga Angela Villela. Ações devem partir de ambas as partes para unir esta proposta pedagógica. "Devem ser estimuladas iniciativas que tragam a família ao ambiente no qual os filhos passam mais de sete horas diárias, como palestras e reuniões periódicas", complementa.
Fora do ambiente de estudo, a cumplicidade deve ser a mesma. Mostrar interesse sobre o dia do filho é fundamental. "Aqui no CEL, todas as sextas-feiras, entregamos o dever de casa aos pais para que eles estejam a par e não fiquem à margem do processo. O intuito é que sejam nossos parceiros educacionais", destaca a coordenadora.
Por outro lado, a agenda cheia pode significar uma sobrecarga e todos devem estar atentos à disposição física das crianças para encarar o dia a dia. "Cada caso é um caso. Todas as atividades devem estar adequadas ao limite físico do seu filho, para que ele possa desempenhá-las sem problemas. Caso contrário, o relaxamento, que é o objetivo, se transforma em obrigação. A criança precisa de um tempo para descobrir o que ela mesma gosta de fazer", analisa a psicóloga.
Atividades complementares
O objetivo das escolas em tempo integral é preencher uma necessidade da rotina pesada de algumas famílias. Se o seu dia a dia é mais leve, a psicóloga recomenda: "Neste caso, os pais ou até mesmo familiares devem dedicar mais tempo às crianças".
Um atitude positiva é evitar que o seu filho fique ocioso. "Atividades oferecidas em seu condomínio podem ser uma alternativa. O importante mesmo é que eles socializem e tenham referências de aprendizado", diz Angela Villela.
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