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É o caso do analista de sistemas Ronaldo Heitor. Recentemente, ele foi com a namorada ao cabeleireiro. Enquanto ela fazia luzes no cabelo, ele, muito à vontade, era atendido por duas manicures - uma lhe fazia as unhas da mão e a outra, as dos pés. "Preciso estar atento às reais necessidades do mundo moderno. Se cuidar, além de ser importante para saúde, é essencial para se apresentar no ambiente de trabalho. A primeira impressão é a que fica", justifica-se.
E Ronaldo não é o único. A explicação para esse novo comportamento, segundo a estilista Carol Vaz, é a cultura da imagem, advinda dos anos 90. "O homem deve ser e parecer poderoso, sentir-se bem-sucedido. Por isso deve se vestir bem e estar sempre preocupado com a aparência, que é nosso cartão de visitas", diz Carol, que trabalha especificamente com o público masculino.
A jornalista Letícia Stein conta que estava namorando Leonardo Dias há pouco mais de três meses e nunca tinham conversado sobre o assunto vaidade. Um dia, foi a um salão de beleza e, qual não foi sua surpresa, o namorado estava lá. "Encontrei meu namorado fazendo hidratação com uma touca térmica na cabeça e uma manicure lixando suas unhas. Minha reação foi fingir que não o conhecia e saí do salão sem ao menos ter sido atendida", diz a jornalista que revela ter ficado revoltada no primeiro momento.
Leonardo não perde a pose: "Sou um vaidoso assumido. Gosto de me vestir bem, cuidar da minha pele, do meu cabelo e das minhas mãos. Acho importante o homem ter um lado sensível. Afinal, somos vistos pela nossa aparência", diz Dias, afirmando não ter contado para namorada por, na época, ainda terem pouca intimidade. "Hoje, sempre que possível, vamos juntos ao salão de beleza. Ele corta o cabelo a cada 15 dias e faz as unhas uma vez por semana. Agora entendo que isso não é só por vaidade. É também uma questão de higiene", completa Letícia.
Na opinião de Alzira Yotti, dona do salão Yotti, os homens já se acostumaram a freqüentar os
salões de cabeleireiro. "Eles acompanham as tendências dos cortes, tratam os cabelos, pintam os pêlos brancos no peito, fazem reflexos, mão e pé. E não estão nem aí para os comentários", garante.
Sim, eles estão mais conscientes
Segundo a empresária Karine Tomaz, da clínica Su/kasa, "livrando-se do preconceito relacionado à vaidade, eles chegam às clínicas dermatológicas e estéticas certos dos resultados que querem ver pelo corpo. Normalmente, querem saber de todos os detalhes, mas seguem o tratamento indicado, independentemente da duração", revela.
O estudante Renato de Barros não se auto-denomina vaidoso, mas sua namorada garante que ele é. "Ele se olha mais no espelho para ajeitar o cabelo do que eu, e não sai de casa sem perfume", garante Julia Moraes, que reclama quando Renato chega para visitá-la de barba grande ou com o cabelo despenteado. O estudante confessa que faz limpeza de pele de dois em dois meses e gosta muito do resultado. "Às vezes, tenho preguiça de me cuidar, mas tenho noção da importância e quando faço, me sinto bem melhor e tenho vontade de dar continuidade ao tratamento", explica.
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