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comentários (9)Partindo para Buenos Aires, na Argentina, uma boa notícia: cinco dias já são suficientes para se conhecer o melhor dessa agradável cidade. Se você está sem tempo e não pode tirar um mês de férias, essa pode ser uma boa opção. A cidade precisa de apenas três dias para conquistar o viajante. Não esqueça de levar um mapa e um sapato bem confortável na mala, já que tudo na cidade pode ser feito a pé. Isso ajudará a queimar os muitos quilos adquiridos com alfajores, croissants e deliciosos bifes de chorizo, tão bem desfrutados durante a viagem.
O táxi e o metrô (este chamado pelos portenhos de subte) são também ótimas opções para se deslocar na cidade. Enquanto no primeiro pode-se cruzar os principais bairros por menos de 10 pesos, o segundo é por si só uma aula de História, já que os vagões ainda são de madeira, como no dia em que foram inaugurados em 1917. Um bom ponto de partida é fazer o city-tour assim que chegar à cidade. O reconhecimento de campo é ideal para passear com autonomia nos bairros do Centro, Recoleta, Palermo, La Boca, Puerto Madero e San Telmo.
Mal a Catedral Metropolitana badala as dezenove horas e todos os portenhos saem às ruas em busca de diversão. A noite está apenas começando para uma cidade que dorme pelas quatro da manhã. Uma brisa suave e gelada faz os visitantes acostumados com o calor se enroscarem em seus longos casacos de lã. Os carros enchem as ruas e os letreiros luminosos indicam um único destino: as casas de tango.
Sejam elas caras ou baratas, as casas que apresentam espetáculos típicos da cidade estão basicamente no Centro. Por 30 pesos, o visitante assiste a uma apresentação no Café Tortoni, que é a Confeitaria Colombo de Buenos Aires. Ele foi o primeiro café da cidade e, durante a ditadura, reuniu em seus salões poetas, artistas, comunistas e escritores contrários ao governo. No segundo andar da confeitaria está a Academia Nacional de Tango, que oferece aulas de um dia para turistas e estrangeiros.
Para fugir do óbvio, dê uma passada no Puerto de Frutos, em Tigre, um grande mercadinho com o melhor do artesanato local. Lá, você encontra de tudo: desde móveis rústicos a esculturas, produtos infantis e comidinhas regionais.
Nascida em Buenos Aires, Mariela Barreira, publicitária, 24 anos, morou na capital até os 14. Para os turistas, ela dá dicas imperdíveis. A primeira é um passeio no Tren de La Costa, aproveitando para parar ao longo das diversas estações e com o ponto final no Tigres. Chegando lá, aproveite para fazer um passeio de catamarã pelo delta do rio e comer em um dos restaurantes bacanas que ficam por ali.
Palermo e Recoleta são os bairros mais chiques e charmosos de Buenos Aires, quiçá da América do Sul. Apesar de ambos terem sofrido ocupação inglesa, eles foram construídos para serem uma pequena Paris, com belas ruas, parques e lindas fachadas. Seus cafés são os melhores da cidade, com deliciosas medias lunas (croissants) e todo tipo de bombas calóricas de enlouquecer qualquer nutricionista.
Por isso, a pedida é andar pela Recoleta a pé. Praticamente todas as atrações do bairro estão concentradas numa mesma área. A Basílica Nuestra Señora del Pilar, do século XVIII, e o Cemitério da Recoleta estão lado a lado. Este é um dos mais bonitos e mais visitados do mundo. Suas tumbas guardam os restos de famílias tradicionais argentinas, além de grandes personagens históricos. Evita, apesar de protestos por suas origens humildes, conseguiu ser enterrada lá e hoje repousa na cripta da família Duarte.
Em frente à Basílica e ao cemitério está o café La Biela, considerado o melhor e mais charmoso da cidade. Não muito longe está o famoso Hotel Alvear, com diárias mínimas de US$ 500. Fora as duas atrações estão ainda a Biblioteca Nacional e cinco museus, um deles dedicado a Evita Perón. Outro lugar digno de se visitar é a Embaixada Brasileira. Dá pena de ver como o dinheiro público é gasto no exterior. Ela é a mais bela embaixada em Buenos Aires, ao lado da francesa.
Já em Palermo, há uma infinidade de parques e jardins, muitos com entrada gratuita e quase um ao lado do outro. O mais belo de todos é o Jardim Japonês, que abriga no centro a Grande Casa de Chá. Passear pelos pagodes e admirar os lagos de kinguios é como estar no Japão, sem os japoneses.
O Jardim Zoológico também vale uma visita. Ele é o segundo mais visitado do mundo, atrás somente do de Londres. Para cair na balada, Palermo é a melhor opção - que é cheio de jovens, bares e casas noturnas. Experimente a boate Kika, enorme e moderninha. Ela atrai muita gente bonita.
Porto Madero é um bairro dedicado aos ingleses. Construído pelos britânicos no século XIX, ele era um conjunto de 16 docas às margens do Rio Riachuelo. Hoje, abriga uma infinidade de restaurantes luxuosos, a Pontifícia Universidade Católica de Buenos Aires, o Museu de Arte Moderna e a Agência EFE.
O estádio La Bombonera, do time Boca Juniors, localizado no bairro pobre de La Boca, é um contraste com a miséria que o país esconde sob o turismo. Mas La Boca tem lá o seu charme. As casas de alumínio possuem cores de todos os tipos. Elas foram levantadas há mais de um século por italianos retirantes que desembarcaram no Porto de Riachulo. E é lá que está Caminito, um conjunto de ruas que inspiraram Gardel no seu mais famoso tango de mesmo nome.
Em outro ponto da cidade, há o simples bairro de San Telmo. Ele lembra um pouco o bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, por abrigar ateliês, antiquários e a feira mais famosa da cidade. Ela foi idealizada aos moldes do Mercado de Pulgas, em Paris, e vende todo tipo de velharia para colecionadores. Em várias barracas percebem-se fotos de Che Guevara, um dos orgulhos nacionais. E, enquanto o turista admira os objetos de uma era rica, perdida no tempo, casais se apresentam com músicas de Astor Piazzola, o músico que trouxe um pouco de jazz ao tango.

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