Estilo de Viver

Terapia da escrita

por Bel Vieira | 04/04/2008

Abrir o coração numa página virtual ou de papel pode ser revelador


anterior 1 2 próxima


Terapia da escrita

Desde que somos alfabetizados, lá pelos 6 anos de idade, escrevemos bilhetes, cartas, cartões, redações, diários, agendas, já escrevemos palavras de amor e também de ódio em número suficiente para encher todo um dicionário e formar enciclopédias de 20 volumes. Além de passar de ano na escola e mandar uma cantada para o rapaz da mesa ao lado, escrever é e sempre será uma bela forma de desabafar, botar para fora os sentimentos que não cabem no peito e se transformam em palavrinhas - às vezes, em palavrões! Falamos com pessoas que, cada uma a seu modo, como eu e você, usam a escrita como porta-voz do coração.

Na infância e na pré-adolescência, muita gente faz do diário um grande amigo, capaz de guardar os maiores segredos - e não contar nunca pra ninguém! Foi assim com Adriana Ferraz, 28 anos, que escrevia diariamente tudo o que acontecia na sua vida. "Eu escrevia com riqueza de detalhes, falava das brigas com a minha irmã, com meus pais, escrevia o nome do garoto de quem eu gostava e desenhava um monte de corações em volta. E era tudo exagerado: eu acreditava que ia casar com ele, ter filhos, que iria morrer se não pudesse ficar com ele", lembra Adriana, que guarda os cadernos até hoje e de vez em quando gosta de dar uma olhada. "É um registro, né? As memórias ficam preservadas, os bons e os maus momentos. E sempre dá pra tirar um aprendizado para não repetir os mesmo erros de antes", diz ela, que hoje não tem mais diário, mas guarda seus desabafos em documentos do word, em uma pasta que já acumula textos que podem um dia resultar em uma autobiografia.

Depois do diário, vieram as agendas. Elas não tinham cadeado, mas também eram guardadas a sete chaves, como conta a arquiteta Diane Patrício. "Eu não escrevia todo dia na agenda, mas sempre que estava angustiada com algum problema, na maioria das vezes, sentimental", entrega. Diane, aos 26, ainda tem uma caderneta onde anota os compromissos e não se priva de usá-la também para pequenos desabafos. "Escrevo frases mais poéticas, ou o trecho de uma música que exprima exatamente como anda o meu estado de espírito", revela, garantindo se sentir mais calma depois de escrever.

Hoje em dia, a internet fez das agendas e diários um livro aberto. Milhões de blogs revelam o dia-a-dia de pessoas como a professora de inglês Aline Torres Homem, 30 anos, que tem o hábito de escrever desde garotinha e resolveu publicar seus escritos na rede. "Não me lembro de qualquer época na qual não tivesse uma agenda ou diário, ao menos desde os nove anos... Até hoje tenho minha agenda de compromissos, mas ainda uso pra desabafar também", confessa ela, acrescentando que escrever é sempre um acalento. "É uma auto-análise, botar no papel ajuda a processar qualquer coisa pela qual eu esteja passando. Escrever faz com que eu me distancie um pouco e tenha outro ponto de vista, o que sempre ajuda", garante Aline, dona do blog "Casa do Cacete".


anterior 1 2 próxima


Mais matérias sobre

compartilhe esta matéria!

Siga o Bolsa de Mulher no twitter



últimos comentários (18)

ver mais
  • Kris Batista
    Kris Batista comentou:
    30/03/2010 | 12:31

    Eu tbm tenho...
    uma eu joguei fora... tinha coisas que eu não queria lembrar e meu marido muito menos em saber...
    agora tenho 3 que são uma fofura... qualquer dia eu vou fazer um post e por fotos delas... rsrs

    Não tenho nada pra esconder.. sempre que alguém vê e pede pra olhar...nossa entrego sem restruções...
    tenho orgulho de ter um pouquinho do meu passado .. com mensagens e poesias lindas..
    e algumas datas especiais..
    como o dia q beijei pela primeira vez o meu marido lindoooo que eu amoooo demaissss


  • suaaline
    suaaline comentou:
    28/05/2008 | 13:27

    Achei interessante, pois até então eu tinha vergonha e achava infantilidade escrever as coisas que eu sinto no meu caderno, que por acaso fica aqui no meu trabalho, que é o local que mais preciso de ajuda. Agora eu sei que tem outras pessoas que fazem o mesmo e já não me sinto uma estranha. Beijossss


  • Jeniffer Franco
    Jeniffer Franco comentou:
    27/05/2008 | 17:58

    Fico feliz de ver que não su a única a pensar que era "feio" alguém que já passou da adoloscencia ter um diário. Eu tive vários diáros, agendas anuais. Mas de alguns bons anos para cá, uns dez, eu tenho um onde escrevo o que eu quero sem medo de magoar os outros... E às vezes vem aquela necessidade de se auto analisar que eu só consigo fazer escrevendo. Mas eu escrevo sempre que quero em qualquer pedaço de papel, computador, agenda... Textos, poseias, narrativas, crônicas. Escrevo conforme o meu epírito pede. Ainda escrevo carta pro meu namorado, pois além de tudo acho romântico...
    Muito bom saber que não sou só nesse mundo!!
    Bjos


  • novo comentário

    Você
    :D


    Avise-me quando houver novos comentários nessa matéria




Bolsa Mobile

Receba as notícias e atualizações na rede do Bolsa no seu celular.
Saiba como.