Ser chique é...

Therezinha foi a Pernambuco e quem também estava por lá era Glorinha Kalil. O tema do encontro não poderia ter sido outro: estilo, moda e comportamento. Confira essa deliciosa conversa!
por admin

Tirei uns dias para dar um pulinho em Pernambuco - adoro aquela terra, aliás, adoro o Nordeste, que povo. Não fiquei em Recife, não, fui para Cabo de Santo Agostinho. Bom, essa ambientação toda é para falar que estava eu lá, de papo pro ar, no hotel, quando cruzo com ninguém menos do que a chiquérrima Glorinha Kalil. Claro que me aproximei para bater um papo, adoro ela! O assunto enveredou, obviamente, para moda, estilo e comportamento. E o que era para ser uma despretensiosa conversa acabou virando uma verdadeira aula. Ao fim, eram mais de trinta mulheres ávidas em saber o que é ser chique. Confiram o que ela disse!

Moda e estilo

Gente, para começar, a Glorinha é chique, em todos os sentidos da palavra. Simples, atenciosa, clássica. Uma pessoa de estilo. Aliás, partiu desse ponto nossa conversa. "Moda é oferta. Estilo é escolha", foi a definição que Glorinha Kalil deu para esses dois complexos verbetes. E prosseguiu: “Temos a obrigação de recusar roupas que não combinem conosco, porque nada é mais distante do estilo do que a moda”, complementou. Claro que todas nós vestimos, de certa forma, a carapuça. Quem nunca foi vítima dela? (Aquela saia balonê não fica bem em ninguém que habita o planeta Terra).

No entanto, esses nossos deslizes – que provavelmente estão registrados em fotografias (não adianta negar!) – são frutos das armadilhas da moda. Moda essa que acaba dando impunidade a algumas peças. “Certas coisas ficam acima do bem e do mal, enquanto estão em alta. Não importa se são feias. Agora, quando saem de evidência, são praticamente excomungadas”, atesta Glorinha. Ainda bem!

Glorinha se aprofundou no assunto, explicando que a roupa contém muitas informações a nosso respeito, é uma linguagem. Cada detalhe é um código. “Um decote está querendo dizer que você quer ser vista como sexy”, esclarece ela. Então, quando abrimos o armário e escolhemos o que vamos usar, estamos, inconscientemente, escolhendo a maneira como queremos ser vistas. Para não errar, a melhor estratégia, segundo Gloria Kalil, é ir para frente do espelho e se analisar, conhecer o próprio corpo. “O espelho, na verdade, é um grande aliado, nos diz quem somos. Aconselho todo mundo a se olhar, de frente e de costas. A roupa deve se adequar às características físicas da pessoa”, disse ela. Ou seja, este é o primeiro passo que se dá em busca do estilo.

Portanto, o autoconhecimento é a peça-chave para ser alguém com estilo. Idade, trabalho, cidade, tudo isso conta também para nossa formação visual. “Tem muita mulher de 50 que quer se vestir como uma de 30. Ela pode até ser bonita, mas, visualmente, não está batendo com a realidade. Ela está passando uma falsa informação. A mulher deve procurar ser o máximo dentro das suas características. O que ela veste deve condizer com a sua vida”, revela Glorinha, afirmando que poucas coisas dão tanta segurança a uma mulher quanto uma roupa perfeita. “Uma pessoa bem-vestida tem domínio da situação. Está segura do seu poder, da sua imagem”.

Usando e não abusando

Diante dessas informações, algumas perguntas surgiram. Todas queriam sugar o máximo que podiam daquele encontro. “A bolsa deve combinar com o cinto e o sapato?”, indagou Luana Barros, uma simpática mineira. Gloria Kalil foi incisiva: “Não! Conjuntinhos são despersonalizados, um horror”. A professora Vera Saldanha, do Paraná, quis saber sobre as meias finas (já repararam que elas estão mesmo sumidas das ruas?). Glorinha respondeu que, hoje em dia, devido à globalização, as coleções das grandes grifes são lançadas no mundo todo ao mesmo tempo (verão aqui, inverno na Europa), por isso, a meia caiu em desuso. “Mas quem quer usar pode e deve”, assegura.

O bom e velho jeans, filho da informalidade, não pôde ficar de fora da conversa. “Um passaporte para a facilidade, estiloso por natureza. Um ícone. Mas os rasgados, na minha opinião, perderam o sentido de rebeldia. São praticamente uma convenção da moda”, disse ela. Roupas para noite, roupas para o dia. Isso acabou. A proposta atual é migrar os itens noturnos e os diurnos, fazendo um mix, incluindo aí o uso de brilhos em plena luz do sol. Tecidos pesados misturados aos leves e peças baratas com caras. Foi aí que a paulista Viviane Macedo se lembrou do pretinho básico. “Olha, preto não é mais novo, nem é mais chique, mas ainda é lindo!”, afirmou Gloria Kalil.

Ser chique é...

Depois dessa discussão sobre moda e estilo, veio a questão do ser chique. O que seria ser chique? É apenas usar uma roupa de acordo, uma roupa cara... Não! Não é nada disso. Glorinha ressaltou que atualmente as pessoas estão muito preocupadas com a imagem, se esquecendo do próximo, se esquecendo do essencial. A educação, o cuidado, o respeito. “Ser chique não está só na aparência, está na civilidade”, conclui Gloria Kalil, que, antes de se retirar, deu um exemplar do seu livro, “Chic[érrimo]”, para cada uma de nós. Chiquérrima!

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