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Não sou a primeira nem serei a última a dizer isso. Mas depois de mais de três horas completamente extasiada na Exposição "Viagens Extraordinárias", no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB - no Rio, cheguei à conclusão de que não existe outra palavra melhor para definir Yves Saint Laurent. É gênio. De verdade. Único. Inesquecível.
Num espaço de duas salas, as peças foram extremamente bem distribuídas e nos fazem literalmente viajar pela vasta obra deste que é, sem a menor sombra de dúvida, um dos maiores ícones da alta costura.
Orientada por um grande amigo, Willian Farias, que teve o privilégio de participar da montagem da exposição, comecei minha jornada pelo salão menor onde está parte da mostra. No salão maior, além do resto da coleção, somos presenteados com um vídeo do desfile que marcou o encerramento da carreira de Saint Laurent, em 2002, além de uma emocionante e exclusiva entrevista.
Em companhia de minha mãe, mentora "fashion" desde a minha infância, me deliciei com a beleza das cores, a leveza dos tecidos, o brilho intenso de um design marcante e atemporal. Atemporal, contemporâneo, moderno, tudo ao mesmo tempo. Porque esse grande couturier, nascido na Argélia, consegue "dialogar" não só com duas gerações, a minha e a de minha mãe, mas com muitas outras. Qualquer pessoa sensível é capaz de entender, sentir e vibrar com Saint Laurent.
A cada novo bloco de peças, uma influência diferente, vinda de lugares longínquos e exóticos. Inspirado na milenar cultura japonesa, Saint Laurent nos revela a leveza e suavidade de quimonos cuidadosamente estruturados, apresentados em total harmonia às multicoloridas sedas chinesas pintadas à mão.
Da Espanha, surge uma típica e tradicional toureira, porém envolta em brocados e fitas cor-de-rosa, ainda suficientemente forte e corajosa para entrar e enfrentar a fera. Uma rápida passagem pela Rússia e a gloriosa época dos czares vêm à tona, com suntuosos vestidos de veludo, longas botas ornadas com pele, e turbantes de shantung de seda.
Da distante Marrakesh, no Marrocos, a experiência de cores é ainda mais intensa, mais evidente. Nunca ninguém fez combinações tão ousadas, numa época em que o preto e o cinza eram sinônimo de elegância e status. Saint Laurent quebrou paradigmas, ditou moda, definiu o seu estilo e o de muitos outros. As diferentes nuances de roxo, vermelho, azul, laranja, rosa se misturam, se completam, de uma maneira quase que indescritível. Foi um instante mágico chegar à Índia, com suas pedrarias luxuosas, e ter a certeza de que o mestre, àquela altura, havia há muito tempo entendido a alma e o corpo femininos.
E, quando você acha que já viu tudo, eis que surge a África, na qual o politicamente incorreto das peles e plumas de animais selvagens torna-se o mais deslumbrante dos espetáculos.
O grande salão ainda nos reserva uma última surpresa. Saint Laurent abrindo seu coração, falando de sua obra, de sua vida, de suas angústias, de suas conquistas, do sofrer e do amar. Da sua paixão pelo teatro veio a dramaticidade de suas roupas. Do respeito pelas mulheres, a vitalidade e a força de seu estilo.
Ao fim da entrevista, a certeza de quem sempre conviveu e viveu para as mulheres: "A melhor coisa que uma mulher pode usar sobre seu corpo são os braços do homem que ama. Para aquelas que ainda não encontraram esse homem, eu estou aqui para ajudá-las."
Um gênio.
Você
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