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"Essas redes sociais designariam um movimento bastante contemporâneo de interação mediada por computador. Nelas, as tecnologias de comunicação e informação são transformadas em espaços sociais, que são enriquecidos pela ampla possibilidade de interconexão em rede", explica Jean Segata, doutorando em Antropologia Social e membro do Grupo de Pesquisas em Ciberantropologia da Universidade Federal de Santa Catarina.
De acordo com o site SaferNet, as redes sociais popularizaram a criação de páginas pessoais na internet; facilitaram o reencontro e aproximação de amigos e o encontro de pessoas com idéias e preferências comuns; permitiram discussões e debates com liberdade para expressão de temas variados e forneceram muitos recursos para divulgar e trocar imagens, vídeos, sites e recados.
Quando surgiu, o movimento das redes sociais era mais caracterizado pelos chats e listas de discussão. O objetivo dos participantes era se desterritorializar. "O ciberespaço possibilitava na época (e ainda possibilita, é claro) a saída do seu círculo cotidiano de relacionamentos e ir para longe, conhecer outras pessoas, de outros lugares, fazendo trocas de experiências", aponta Jean.
O boom veio em 2000, com a disseminação de ferramentas que facilitavam a comunicação e formação de redes sociais online. "O que o faz se tornar popular atualmente é, com certeza, a dimensão que a web ganhou nos quatro últimos anos. Rede social deixou de ser algo que analisamos e passou a ser algo que construímos! Esta foi a mudança fundamental", explica Rogério da Costa, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica e do Departamento de Ciência da Computação da PUC-SP e coordenador do Laboratório de Inteligência Coletiva.
Hoje em dia, o movimento é inverso. As pessoas querem se re-territorializar, como analisa Jean Segata, que também publicou o livro "Lontras e a Construção de Laços no Orkut: uma antropologia no ciberespaço". "Tomo como mais característico desse movimento o Orkut. Mais do que conhecer outras pessoas, parecia evidente um esforço dos participantes do espaço em reencontrar pessoas e lugares por onde se havia estabelecido certos laços anteriores, tais como 'a velha escola da infância e os coleguinhas de classe', 'os amigos da faculdade', 'a turma de 81'", explica.
Lançado em 2004, o Orkut atingiu, em pouquíssimo tempo, um sucesso extraordinário. Em 2005, ganhou uma versão em português devido ao grande número de brasileiros que participavam. Hoje, o povo tupiniquim é maioria nesta plataforma de sociabilidade: 51,19%. Mas é bom não restringir. "Não podemos reduzir as redes sociais virtuais exclusivamente ao Orkut, já que o conceito se aplica a toda forma de interação via internet que envolva compartilhamento", explica Rogério.
A jornalista Clarissa Ramos é uma das que está no site desde o começo. "Na época tinha pouca gente e, quando entrei, não entendi bem o que era, mas quis conhecer". Clarissa acompanha várias comunidades de músicas, filmes, seriados, já procurou emprego, conheceu muitas pessoas e hoje consulta o serviço também para saber sobre a programação cultural de São Paulo, cidade onde mora. "Se souber usar, o Orkut pode ser muito útil", completa.
E Clarissa tem toda a razão. As redes sociais podem, inclusive, ter caráter solidário. "Inclui formar uma comunidade de apoio a pais com filhos que possuam determinada síndrome, ou mulheres em depressão pós-parto, ou uma comunidade de apoio aos sem teto etc. Há centenas, senão milhares de comunidades com essa característica na web", informa o professor Rogério. O especialista dá ainda outra importância às redes. "O que com certeza fortalece a sociedade civil é a disseminação do conhecimento, e que pode ser feita em rede".
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