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Jennifer Siebel Newsom é linda, loura e bem sucedida. Mas ela queria mais. A atriz e diretora usou todo o seu talento e influência para chamar atenção dos Estados Unidos, berço da cultura “Barbie girl”, e do mundo que é mais do que um rostinho bonito. E com o documentário “Miss Representation”, premiado no Sundance deste ano, ela mostra que você também pode mais.
Com depoimentos de mulheres poderosas e lindas, como o da ex-secretária de Estado dos Estados Unidos Condoleeza Rice e da atriz Jane Fonda, o filme bota em xeque a distorção dos conceitos de beleza e as consequências disso. Uma das entrevistadas Pat Mitchell, CEO do Museu da Televisão e do Rádio, em Nova York, deixa claro de quem é essa responsabilidade: “A mídia é a mensagem e o mensageiro, e totalmente poderosa”. Esse é o gancho para que três meninas do ensino médio falem sobre o assunto com a maturidade de quem sofreu com essa ditadura da perfeição a vida inteira: “Não existe apreciação pelo intelectual da mulher, é tudo sobre o corpo e nada sobre o cérebro”, diz Ariella no filme.
O depoimento de Alexis não é menos preocupante: “Eu tenho amigas que vão ao banheiro e colocam, tipo, 10 quilos de maquiagem, sabe? Você está na escola para aprender”.
Para Urenna, a realidade é ainda mais cruel. Do quinto até o nono ano Ensino Fundamental, ela aprendeu muito, cresceu mas continua com a mesma preocupação: “O meu peso”, revela a jovem que pode estar até um pouco bochechuda, mas que não pode ser considerada obesa, muito menos para a sociedade americana.
Por aqui, não é diferente, como relata o livro de Margareth de Mello Ferreira dos Reis: “Mulher: Produto com data de validade” (O nome da rosa). Um estudo detalhado sobre a mulher na posição de objeto, às vezes símbolo sexual, desde o primórdio da sociedade até os dias atuais.
“Se, no tempo das nossas avós, as mulheres começavam cedo seu exercício sexual – para reproduzir – e eram levadas à exaustão pelo número de filhos que pariam, hoje a mulher é levada à exaustão pela intensa e insistente solicitação social que a obriga a ser sexualmente desejável, orgástica, independente e a se tornar um troféu capaz de causar inveja aos que não o carregam”, escreve a autora logo na introdução.
Mas, mudar, só depende da gente. “A mídia pode ser um instrumento de mudança, pode acordar as pessoas e mudar as mentes, depende de quem está pilotando o avião”, defendeu a jornalista da televisão americana Katie Couric, não menos loura, nem menos linda.
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