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Viajar é ótimo, seja para descansar, para badalar ou para se atirar em busca de novas aventuras. Em tempos de caos aéreo, a opção tradicionalmente mais rápida, ir de avião, deixou de ser sinônimo de praticidade. Mas isso não significa que a viagem esteja perdida. O caminho até o destino escolhido também pode ser um dos pontos altos do passeio. Basta não esquecer de colocar na bagagem a boa, velha e infalível criatividade, uma pequena dose de espírito aventureiro - sim, ele existe em algum lugar dentro de você - e fazer com que a viagem de carro seja, acima de tudo, divertida.
Foi o que fez o administrador de empresas Luis Felipe de Sequeira, 25 anos, quando decidiu sair do Rio de Janeiro com a namorada para visitar amigos em Brasília e Recife. A princípio, as distâncias impressionavam, mas os dois fizeram as contas e viram que de carro só tinham a lucrar. As passagens de avião sairiam mais caras, se somados todos os percursos. E, de carro, o casal poderia ainda conhecer outros lugares. "É muito bom ser dono do seu próprio tempo. Passar por uma cidade que tem vontade conhecer e ficar por um ou dois dias. Parávamos quando e onde queríamos. Chegar a um lugar e ter o carro para circular também é ótimo. Você tem mais liberdade", conta o administrador.
A idéia do casal era se aventurar estrada afora, mas os dois não dispensaram um roteiro, mesmo que básico, para seguir. Com um guia em mãos, eles estudaram com cuidado as melhores rodovias para chegar aos destinos traçados. Conhecer com antecedência as opções de caminho facilitou, e muito, a vida deles on the road. "Já sabia por quais cidades iria passar e o quanto de combustível gastaria", diz Luis Felipe. Além de ajudar a montar o percurso da viagem, indicando as rodovias e rotas possíveis, muitos guias de estradas trazem informações sobre postos de gasolina, pousadas e hotéis. Uma boa dica é checar as condições das pistas, uma vez que muitas não são lá tão confiáveis. No site do DNIT, Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes, por exemplo, você pode saber como está cada uma das rodovias federais.
Ligue o alerta
Caminho escolhido, malas prontas. Mas alguns preparativos ainda são necessários. Se a viagem será longa ou você irá apenas até a cidade mais próxima, não importa. Verificar as condições do automóvel antes de pegar a estrada é imprescindível. Assim, você garante a sua segurança, mas também evita problemas com a fiscalização e dores de cabeça maiores frente a qualquer imprevisto com o carro. A primeira providência é checar você mesmo se retrovisores, faróis e lanternas estão funcionando corretamente e se não estão danificados. Além de observar se os pneus estão calibrados, como indica o manual de seu automóvel, é preciso também conferir se o pneu reserva, o chamado estepe, está em perfeito estado e igualmente calibrado. Isso faz com que, diante de um já irritante pneu furado, você não tenha a desagradável surpresa de não ter como trocá-lo. É importante lembrar que, caso um pneu fure no meio do caminho, é necessário procurar imediatamente um borracheiro para consertá-lo. Nada de deixar para resolver o problema somente quando chegar. Imprevistos acontecem e um segundo pneu também pode deixá-la na mão. Uma mulher prevenida vale por duas, sempre.
É preciso também verificar: o alinhamento e balanceamento das rodas, o reservatório do radiador, as palhetas do limpador de pára-brisa, as pastilhas de freio, o óleo e o filtro do motor. Calma, tudo isso é facilmente resolvido com uma rápida visita a qualquer oficina mecânica. Por último, cheque se estão no carro o triângulo e o macaco, pois são equipamentos obrigatórios, e se o extintor de incêndio está dentro da validade. Revisão feita, certifique-se de que toda a documentação está em ordem. A carteira de motorista tem de estar válida. Muita gente se esquece deste detalhe e só lembra que precisava renovar o documento quando um policial lhe chama a atenção. A documentação do veículo também precisa estar em dia, com o licenciamento e o seguro obrigatório pago. Leve também o comprovante de pagamento do IPVA, já que, em alguns estados, sua apresentação é obrigatória.
Cuidados com o motorista
Tudo devidamente conferido, é hora de pegar a estrada. Mas se a viagem for muito longa, o motorista não pode se esquecer de fazer pequenas paradas. Em sua aventura rumo ao Nordeste, com escala no Planalto Central, Luis Felipe e a namorada se preocuparam com cada detalhe, mas não perceberam o quão desgastante poderia ser para ele dirigir por tanto tempo. Na volta da viagem, após mais de 3500 quilômetros rodados, seu corpo não agüentou. Uma forte dor nas costas o obrigou a procurar um pronto-socorro quando passavam por Salvador em direção ao Rio de Janeiro. Hoje, ele reconhece que seu erro foi não saber dosar as horas no volante com pausas para descanso. Dirigia, em média, oito horas seguidas todos os dias. Fazer paradas de 10 a 15 minutos, a cada duas horas, mesmo sem sentir cansaço, pode evitar este tipo de incidente. É bom caminhar um pouco e se espreguiçar, para relaxar o corpo e melhorar a circulação sangüínea. Apesar do pequeno problema, Luis Felipe diz que repetiria a viagem sem pensar duas vezes. "Adoro dirigir e nos divertimos muito. Conhecemos lugares lindos que não visitaríamos em outra situação. Além disso, a viagem aproximou a gente", conta.
É a mesma sensação que o publicitário e fotógrafo Chico Rufino, 24 anos, tem ao se lembrar da viagem de carro que fez à Argentina há quatro anos. Com o irmão e mais dois amigos, ele saiu de São Paulo, onde passou o Natal com a família, e seguiu para Santa Catarina. Lá, passaram dez dias aproveitando as praias do litoral. Alguns dias depois do reveillon, ele e um dos amigos pegaram a estrada com destino a Buenos Aires. O objetivo dos dois era chegar, já no primeiro dia de viagem, ao Chuí, fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Para isso, revezaram a direção e passaram o dia inteiro na estrada. Mas o cansaço uma hora chegou e precisaram parar em um pequeno vilarejo no caminho. "Tínhamos apenas o destino final. Queríamos uma viagem descompromissada e não fizemos planos", lembra.
Logo cedo, os dois já estavam no carro. No caminho, música no rádio para distrair e muitas paradas para fotos. "O bom de viajar de carro é que você vê as coisas de baixo, passando do seu lado. Quando se está no avião, não dá para ver quase nada. Ir de ônibus também não é igual, porque você não pode fazer tudo no seu tempo. Quando você viaja de carro, você pode levar mais objetos, porque ele acaba virando a sua casa". O problema foi ao chegarem finalmente na fronteira com o Uruguai. O publicitário não sabia, mas, como estava com o carro de seu irmão, precisava de uma autorização especial.
Burocracia das estradas
Quando decidir se aventurar de carro por outros países, é preciso investigar antes que tipo de documento será exigido. Entrar no site ou telefonar para o consulado dos países que serão visitados é uma boa forma de se informar. Alguns pedem que se tenha carteira internacional de motorista ou equipamentos de segurança especiais. Para viajar de carro pelos países do Mercosul - Uruguai, Argentina e Paraguai -, por exemplo, é necessário ter um seguro para danos pessoais e materiais causados a terceiros, a chamada Carta-Verde. Chico e seu amigo também não sabiam dessa exigência, o que lhes custou um dia de viagem, para que toda a documentação fosse providenciada com um despachante local. O problema foi resolvido e, até Buenos Aires, a dupla ainda visitou as cidades uruguaias de Montevidéu e Colônia de Sacramento.
A estudante Juliana Valente, de 20 anos, nunca fez viagens tão longas de carro, mas vontade é o que não falta. Acostumada a pelo menos duas vezes por ano visitar os parentes no interior de São Paulo, ela diz gostar do tempo na estrada e nem sente as sete horas de estrada. "Eu e meu pai conversamos sobre todo tipo de coisas. No dia-a-dia, não ficamos tantas horas batendo papo. Acaba não sendo nenhum pouco cansativo". Para evitar que falte assunto no meio do caminho, Juliana já tem uma estratégia: faz uma seleção de suas músicas favoritas. Antes, eram pelo menos dez CDs selecionados. Agora, leva um pouco de tudo em seu mp3. "Revezamos o repertório musical para agradar a todos. Descubro músicos interessantes e sempre tem uma banda que conquista o meu pai. Aproveitamos a viagem de carro para encontrar afinidades", conclui.
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