Nelma Penteado e os segredos do strip-tease > A arte de ensinar

Nelma fala de seus cursos e palestras, dá dicas para esquentar um casamento morno e garante que criatividade é o tempero da vida.
por admin

Bolsa de Mulher – Como foi que você começou a dar aulas de arte sensual?

Nelma Penteado - O meu primeiro casamento caiu numa rotina muito grande e eu não quis que isso se repetisse no meu segundo casamento. Comecei, então, a estudar formas e maneiras para que esse meu novo relacionamento não caísse na rotina e acabei descobrindo coisas fantásticas, que eu jamais tinha imaginado, em relação a comportamento, relacionamento, sexualidade e sensualidade. Coloco essas coisas em prática com meu parceiro até hoje e continua dando certo. As pessoas viam como a gente se tratava e desejavam isso para a vida delas também. A partir de então, há cerca de dez anos, comecei a ensinar isso de uma maneira informal. Aí isso tomou um vulto tão grande que esse é oficialmente o meu trabalho. Faço isso no Brasil inteiro e chego a falar por mês com cinco mil mulheres. Também dou palestras voltadas para o âmbito do trabalho em empresas multinacionais. Sou, inclusive, considerada pelo jornal "Valor" como uma das melhores palestrantes empresariais.

BM – O que é arte sensual?

NP – Arte sensual, na minha opinião, é tudo aquilo que envolve as coisas que fazem você se sentir melhor consigo mesma e como mulher. Sensualidade não é você colocar um decote e sair fazendo caras e bocas. Sensualidade é você estar de bem com a vida, com seu corpo e com seu relacionamento, saber se relacionar com as pessoas e ser notada em qualquer lugar que chegue pelo seu bom humor e alto astral. É também causar aquele mistério, aquele tchan. As artes sensuais ensinam isso através de vários tópicos que são divididos entre os cursos.

BM - Fale um pouquinho da tua escola:

NP – Sou professora de arte sensual e meu trabalho engloba vários cursos. Na realidade, nós temos um currículo de 12 cursos e palestras, em empresas e fora delas. Essa idéia começou há dez anos. Eu viajo o Brasil inteiro e já tive a oportunidade de ensinar em Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Argentina e Itália.

BM – Qual a idade média das alunas?

NP - De 18 a 72 anos. Não tem idade para você ser mulher e ser feliz.

BM – Quais os tipos de mulher que assistem aos cursos?

NP – São médicas, advogadas, psicólogas, donas-de-casa... Todas desejam a felicidade, querem procurar o poder que elas têm, não só com relação ao homem mas com relação à vida. O curso quer aprimorar a qualidade de vida.

BM – Qual a fantasia mais estranha que você já ouviu falar?

NP - As minhas alunas falam, mas eu não gosto de comentar. A minha aula é meio confessionário, elas me contam tudo e eu não estaria sendo amiga delas se eu começasse a divulgar na mídia.

BM – As mulheres se abrem durante o curso? Chegam a chorar?

NP – Não fazem na aula. As pessoas fazem isso em particular, após o curso. A aula é divertida. Estou aberta ao contato particular e pessoal.

BM – O curso dura quantas horas?

NP - O curso de massagem sensual dura quatro horas e o de strip-tease, oito horas.

BM – Essas palestras nas empresas são voltadas para mulheres?

NP – São para mulheres e para homens também. São voltadas para auto-estima, qualidade de vida e motivação empresarial.

BM – Em quanto tempo uma aluna adquire autoconfiaça para realizar um strip-tease?

NP – Em duas horas eu consigo motivar qualquer mulher. Aposto o que você quiser.

BM – Há uma aula prática no curso de strip-tease? Você leva fitas?

NP – Não posso falar tudo o que a gente leva para as aulas, mas elas são práticas. Faço o trabalho com minha assistente.

BM - Qual a maior dificuldade que você encontra para que as mulheres descubram a sua própria sensualidade?

NP - Superar a timidez é a maior dificuldade de algumas mulheres.

BM – Esses cursos esquentam um casamento morno?

NP – Olha, a gente recebe aproximadamente 600 e-mails, cartas e telefonemas por semana e o resultado de como o curso mudou a vida das pessoas é fantástico.

BM – Você poderia dar umas dicas?

NP – A primeira coisa é amar-se muito, a gente deixa de amar a outra pessoa quando a gente deixa de admirá-la. A paixão vem junto com uma admiração muito grande. Quando você deixa de amar o seu parceiro, você deixa de admirá-lo. A gente tem que tomar muito cuidado porque o amor começa com a admiração e acaba com a falta de admiração. Eu aconselho as pessoas a se amarem muito, cuidarem do visual e procurarem ter atividades que as façam ter um papo interessante. Você precisa fazer tudo para ter uma vida interessante e manter em alta essa admiração que a pessoa teve por você. A segunda dica é encontrar tempo para namorar. Nada de colocar culpa em filho. Eu tenho duas crianças e namoro pra caramba. Nada de culpar o estresse. Bill Clinton tinha estresse, mas namorou quando quis namorar. É fundamental ter tempo com qualidade para estar junto das pessoas que você ama. Por último, aconselho ter criatividade. Mudar é sempre bom. Se você está fazendo amor na cama, vá para o chão ou para a cozinha. A criatividade é o tempero da vida.

BM – Você aconselha casais a freqüentarem sex shops?

NP - Eu acho que tudo é válido se é para o bem do relacionamento. Por que não comprar uma calcinha diferente ou visitar um sex shop?

BM – Qual a roupa ideal para fazer um strip-tease?

NP – A roupa ideal para strip-tease é aquela com a qual você se sente bem. Não posso colocar um chavão que é uma saia e uma blusa, porque as pessoas pensam que é só isso. Se você enrolar uma tolha no seu corpo e souber fazer a coisa, vai ser extremamente maravilhoso. Então, a roupa ideal é aquela que você se sente bem, sensual, leve e solta.

BM – Você também ensina dança do ventre?

NP – Não, é outro segmento.

BM – Quanto custam os cursos?

NP – O preço vai variar de acordo com o estado. Em São Paulo, o curso de quatro horas custa de R$ 65 a R$ 75.

BM – Você conhece alguma outra professora de artes sensuais no Brasil?

NP – Uma TV alemã, que faz documentários, descobriu que eu sou a única no mundo a dar esse tipo de aula.

BM – Uma mulher que foge dos padrões de beleza pode se achar sensual?

NP – Lógico. Eu vou te dar um exemplo masculino: o Jô Soares é um tesão. Ele é maravilhoso, tem um astral incrível e um bom humor gostoso. O Jô é aquela pessoa que você quer estar perto. Essa energia independe de corpo. Algumas pessoas não têm um visual esteticamente legal e detonam, aparecem bastante.

BM – Você concorda com a fama que a mulher brasileira tem de caliente?

NP - Concordo, nós somos calientes, ícones de sensualidade no mundo inteiro. As pessoas querem tocar na minha roupa quando eu viajo para o exterior e falo que sou brasileira. As brasileiras passam essa coisa gostosa.

BM – Como você se recicla?

NP - Eu leio muito. Eu tenho a leitura dinâmica, consigo ler um livro de 300 páginas em três horas. Participo também de congressos em outros países. Sou, inclusive, a única representante do Brasil do Congresso Mundial de Sensualidade, em Las Vegas. A minha pesquisa é ininterrupta.

BM – Como está a tua agenda?

NP – Lotadérrima até maio de 2002.

BM – Fale dos livros que você escreveu.

NP – Ensino como colocar romance, aventura, paixão, carinho e desejo no relacionamento em "Esposa Amante", o livro é bem profundo. Já no "Arte da sedução", dou dicas e brincadeiras para você esquentar o seu relacionamento. Fiz também uma fita de vídeo de massagem, outra de strip-tease e um CD maravilhoso com músicas sensuais.

BM – Você tem um curso "Segredos masculinos que as mulheres não sabem". Quais são os segredos?

NP - A gente aborda vários deles. Alguns voltados para o relacionamento, outros voltados para a área sexual. A gente vai desvendado desde coisas simples até coisas mais complexas. Por que o homem quando está perdido no trânsito não pára para pedir informação? Por que ele não te elogia do jeito que você gostaria que ele fizesse? Por que o homem não adivinha o que você está pensando? Por que o homem foge da gente quando queremos conversar mais sério? As fichas das mulheres começam a cair quando elas começam a desvendar isso. A gente ensina o porquê e como fazer para reverter todas essas situações. O curso é muito legal.

BM – Você tem algum curso voltado para o homem?

NP – Eu tenho a palestra "Segredos femininos que os homens não sabem". Os homens não são tão acomodados assim, eles lêem os livros e freqüentam as palestras, querem melhorar o relacionamento.

BM – O que você acha da erotização precoce?

NP – Eu acho triste, sabe? Vou usar as palavras da Xênia Bier (apresentadora de TV e atual colunista da revista Contigo): "a mulher luta anos para conquistar dignidade e igualdade e, de repente, lançam a música da cachorra". As pessoas estão achando legal serem chamadas de cachorra e acham que tapinha não dói. O tapinha dói, sim. Quem já levou tapinha sabe que dói mesmo, dói na alma e é uma coisa que a mulher nunca esquece. O pior é ver as crianças imitando as danças e cantando essas letras. Essa erotização infantil é um absurdo total. Infelizmente não existe um trabalho sério de educação sexual nas escolas. As crianças e os adolescentes estão crescendo com muita confusão na cabeça. Na novela das Chiquititas, por exemplo, as crianças de sete anos já estão beijando. Essa explosão de adolescentes grávidas é um reflexo disso.

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